Se John Galt estiver entre nós, por favor, apresente-se!

Um ato do Governo Biden nos leva diretamente para dentro da obra "A revolta de Atlas". E nos mostra as consequências de tentar mexer com a lei da Oferta e Demanda

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A Revolta de Atlas (Foto: Reprodução)

*Fernando Tinoco

Recentemente me intrigou assistir as consequências de um ato tomado pelo governo Biden. Me senti no romance de Ayn Rand, A revolta de Atlas, escrito em 1957.

Para aqueles que não conhecem, a peça é uma critica ao poder centralizador que insiste em atrapalhar os cidadãos comuns que trabalham e carregam nas costas o progresso da humanidade.

Na mitologia grega, Atlas é um titã que foi condenado por Zeus a sustentar os céus pela eternidade1. Nesse romance, a autora busca criar um ambiente em que o leitor possa visualizar as consequências para a sociedade caso o cidadão comum resolvesse simplesmente dar de ombros.

De 1957, data de lançamento do livro, até os dias de hoje, vemos uma evolução perigosa. Recentemente, medidas do governo Biden sobre o setor petrolífero têm causado problemas para os “John Galt” da América.

Em 27 de janeiro de 2021, o governo Biden anunciou um pacote de medidas para combater o “aquecimento global” nos EUA. Três delas impactam diretamente o setor de petróleo: a suspensão de arrendamento de terras federais para novas perfurações de petróleo e gás natural, a eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis e a transformação da frota de carros e caminhões em veículos elétricos.

Essas medidas foram tomadas no contexto da retomada da economia global, com alguns países reduzindo as restrições sanitárias devido ao avanço da vacinação contra a COVID-19. Essa retomada gera aumento na demanda, dado que as indústrias voltam a funcionar em plena capacidade e as pessoas voltam a se movimentar livremente. Por outro lado, a oferta é restringida, dadas às restrições criadas por Biden. Devido a esse desequilíbrio entre oferta e demanda, o preço saiu de U$52.85 para U$69.25, um aumento de 31% desde a assinatura da medida até 11 de agosto de 2021.

O que um governo deveria fazer para reequilibrar a oferta e demanda de determinado produto?

Caso o problema seja a baixa oferta, acredito que deveria revogar todas medidas que inibam a sua produção. Caso o problema seja a alta demanda, deveria deixar os preços livres para que outros empreendedores que buscam altas margens de lucro advindas de preços altos entrem no mercado para oferecer o produto em questão. Em resumo, o governo deveria deixar que o livre mercado se ajustasse.

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Porém, ao invés de revogar as medidas tomadas em janeiro de 2021, a Casa Branca lançou um comunicado para que outros países produtores de petróleo produzissem mais petróleo, através da OPEC3.

O que nos faz lembrar do romance A revolta de Atlas” é a resposta de Greg Abbot, governador do Texas, a esse comunicado. Ela foi publicada em sua conta do Twitter: “Querida Casa Branca: O Texas pode fazer isso. Nossos produtores podem facilmente produzir esse petróleo se o seu governo sair do caminho. Permita que os trabalhadores americanos – e não a OPEC – produzam o petróleo que reduzirá o preço da gasolina. Não nos torne dependentes de fonte de energia estrangeira.”4

Vendo o desenrolar dessa história, sinto-me lendo os primeiros capítulos do romance. E já vejo os que produzem dar as costas para a sociedade por estarem cansados de ações ilógicas que atrapalham o resultado de seu trabalho.

 

Referências:

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Atlas_(mitologia), acessado em 12/08/2021
  2. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/01/27/biden-anuncia-pacote-ambiental-com-fim-de-perfuracoes-de-petroleo-e-gas-em-terras-federais-e-de-subsidos-a-combustiveis-fosseis.ghtml, acessado em 12/08/2021
  3. https://twitter.com/JavierBlas/status/1425420240616411137, tweet de Javier Blas, correspondente chefe de energia da Bloomberg, acessado em 12/08/2021
  4. https://twitter.com/GregAbbott_TX/status/1425612773422141452, tweet de Greg Abbott, governador do Texas-US, acessado em 12/08/2021

*Fernando Tinoco é associado do IFL-SP e atualmente é especialista de crédito corporativo na SPX Capital. Possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro sendo 6 deles no BTG Pactual. É formado em administração pela Univ. Católica de Santos e possui especialização em Investment Banking pela Saint Paul.

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