Resenha crítica: “As 12 regras da vida – um antídoto para o caos”

As doze regras da vida - um diálogo fluído e assertivo sobre crescimento e liderança

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Por Mariana Oliveira Nascimento

“(…) Mire Alto. Preste atenção. Conserte o que puder consertar. Não seja arrogante como o próprio conhecimento. Empenhe-se em ser humilde, porque o orgulho totalitário se manifesta na intolerância, opressão, tortura e morte. Torna-se consciente da própria insuficiência – de sua covardia, malevolência, ressentimento e ódio. Considere a parte sanguinária do próprio espírito antes de ousar acusar o outro e de tentar consertar a estrutura do mundo. Talvez a falha não esteja no mundo. Talvez a falha esteja em você.” (PETERSON, Jordan)

O livro as 12 regras da vida: um antídoto para o caos foi escrito por Jordan Peterson, psicólogo clínico e professor da Universidade de Toronto. A obra pode parecer só um livro de autoajuda, mas é muito mais que isso: é um manual de liderança pessoal que combina psicologia, antropologia, política e religião em um diálogo fluído/assertivo. Peterson segue à risca a regra número 10 – seja preciso no que diz.

No final da segunda página do prefácio, já temos uma frase impactante “as melhores regras, basicamente, não nos restringem; pelo contrário, facilitam nossos objetivos e nos ajudam a ter uma vida mais livre e plena”. Impossível não lembrar aqui do livro A lei de Frederic Bastiat que, em suma, diz que o objetivo de toda lei deve ser proteger as garantias individuais que ele define como: integridade (a vida), liberdade e propriedade.

Portanto, quanto menos (e mais precisas) forem as leis, mais plena e livre é uma sociedade. Essa liberdade estimula tanto o crescimento pessoal quanto o empreendedorismo em uma sociedade: nada melhor que regras claras e segurança jurídica para o desenvolvimento de uma sociedade.

Voltando às 12 regras do livro, temos: (1) costas eretas, ombros para trás; (2) cuide de si mesmo como cuidaria de alguém sob sua responsabilidade;(3) seja amigo de pessoas que querem o melhor para você; (4) compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje; (5) não deixe que seus filhos façam algo que faça você deixar de gostar deles; (6) deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo; (7) busque o que é significativo, não o que é conveniente; (8) diga a verdade, ou, pelo menos, não minta; (9) presuma que a pessoa com quem está conversando possa saber algo que você não sabe; (10) seja preciso no que diz; (11) não incomode as crianças quando estão andando de skate e (12) acaricie um gato na rua.

Nessa resenha, destacarei as regras que mais me chamaram atenção. Começo pela 1ª regra: “costas eretas, ombros para trás”. Nela, Peterson explica como a postura física e a atitude mental podem ser fatores cruciais para lidar com as circunstâncias da vida. Como exemplo, o autor se vale de um estudo sobre o sistema nervoso das lagostas.

As lagostas, consideradas ancestrais comuns ao homem, habitam o planeta há mais de 350 milhões de anos. Elas sobrevivem pela interação de dois neurotransmissores no sistema nervoso central: serotonina e octopamina. Quanto maior é o nível de serotonina, maiores são a confiança, as emoções positivas e a postura da lagosta, aspectos que a colocam em uma posição hierárquica superior e aumentam suas chances de vencer combates e obter o melhor para sua sobrevivência.

A postura confiante da lagosta vencedora faz com que ela se mantenha nesse loop vitorioso, enquanto a lagosta perdedora com baixos níveis dos neurotransmissores e postura curvada tende a se manter em um loop negativo. Esse mecanismo também está presente no sistema nervoso do ser humano. Para Peterson, precisamos prestar atenção em nossa postura, mantendo-a como a da lagosta vitoriosa, agindo dessa forma com as pessoas ao seu redor. Assim, você passa a ter mais chances de acreditar no seu próprio potencial.

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“Então preste atenção na sua postura. Pare de ser curvar e ficar se arrastando. Fale o que pensa. Apresente seus desejos como se tivesse direito a eles – pelo menos o mesmo direito que os outros. Caminhe de cabeça erguida e olhe firme para frente. Ouse ser perigoso. Encoraje a serotonina a fluir plenamente através dos caminhos neurais sedentos por sua influência calmante”

A 4ª regra “compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje” mostra algo que, por vezes, esquecemos: o foco deve ser no próprio indivíduo e na análise de suas próprias fraquezas. Quando nos comparamos ao outro, perdemos o foco em nós mesmos, o indivíduo, a menor minoria da Terra, e olhamos para o que o outro conquistou, sem ter conhecimento do que o outro precisou fazer para ter aquela vida, salário ou emprego.

Nesse ponto, fazendo um paralelo com o que Mises diz em sua obra a Mentalidade Anticapitalista, é provável que os trabalhadores de colarinho branco que ficam furiosos ao perceber que muitos operários têm salários melhores que os deles, falham nessa regra. Isso porque a pergunta que esse trabalhador de colarinho branco deveria fazer é: “o que posso fazer para melhorar meu salário?”, “há alguma forma de ser mais produtivo?”.

Desse modo, o indivíduo passa a focar em algo que ele pode mudar e, no processo, avança, em vez de ficar comparando-se a outra pessoa. Portanto, compare-se sempre a si mesmo no passado, e não com o que outra pessoa é hoje.

A riqueza deste livro está em fornecer ao indivíduo regras claras como foco nele próprio e no valor da constância de suas atitudes. Dentre as 12 regras, outra muito valiosa é a regra 6 “deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo”. Aqui, Peterson é preciso: de que adianta você querer mudar o mundo, a política de seu país ou as regras da sua empresa se você não consegue nem organizar seu quarto? O pedido aqui é simples: seja coerente, ordenando sua vida antes de querer mudar o mundo.

Por fim, a última regra que mencionarei é “presuma que a pessoa com quem você está conversando possa saber algo que você não sabe”. Nesse capítulo, Jordan Peterson traz à tona uma necessidade do século XXI, a de ouvir de fato o que o outro está falando. Para autor, o melhor tipo de conversa é como uma “meditação compartilhada”, onde o diálogo de fato ocorre. Como Peterson mesmo diz “Ouvir é prestar atenção. É impressionante o que as pessoas lhe dizem quando você está disposto a ouvir.”

A obra de Peterson pode estar na prateleira de autoajuda e até mesmo ser um livro de autoajuda. No entanto, o livro transcende a esfera da autoajuda. As regras propostas buscam encorajar o protagonismo interno de cada um a ser mais livre seguindo essas regras, afinal, um futuro promissor é fruto de um presente eficiente.

Em um recente jantar-debate do IFL-SP, o presidente da Ericsson Brasil, Eduardo Ricotta, disse aos associados “sejam CEOs de suas próprias carreiras”. Para tal, a obra de Peterson é uma ferramenta nessa trajetória de liderança e liberdade, pois foca no indivíduo e em sua responsabilidade frente à sua realidade.

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Mariana Nascimento é diretora de comunicação do IFL-SP e advogada. Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e tem LL.M. em Contratos pelo Insper

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