Os cinco aprendizados que todo líder precisa ter

Uma resenha do livro "A Quinta Disciplina”, de Peter Senge

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*Por Marcelo Mugnela

O livro de Peter Senge discorre sobre a tese do pensamento sistêmico, onde as causas de uma ação qualquer, seja ela na empresa ou na sociedade, têm consequências mais complexas do que imaginamos.

Não existe uma reação única, ou seja, não há apenas dois atores em uma ação: diversas atitudes são externalizadas e se relacionam entre si. Portanto, a solução de muitos problemas que ocorrem em empresas não são tão óbvias.

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Um exemplo citado é a incapacidade de uma empresa cumprir seus prazos de entrega, deixando a demanda sem atendimento. A reação imediata é aumentar a área de produção com o objetivo de reduzir o prazo, porém a reação não dá certo, pois o mercado mudou para outro tipo de produto e a demanda caiu drasticamente.

Em pouco tempo, a empresa fica próxima à falência, pois realizou um investimento altíssimo no aumento da produção e o resultado foi ociosidade na fábrica. Segundo o senso comum, era óbvio que a ação mais adequada frente o gargalo de demanda era aumentar a produção, mas essa solução não funcionou.

Outro exemplo interessante é o uso de remédio em pacientes. Quando a pessoa sofre com resfriados constantes, ela toma um antigripal, não percebendo que o remédio é somente uma solução paliativa para a comorbidade: o que ela deve fazer é fortalecer seu sistema imunológico de forma proativa e preventiva sem que nenhuma força (doença) a force a agir. O livro explica justamente isso, que a solução de um problema não é simples e existe um sistema para um determinado problema.

A obra é fundamental e plausível de ser implementada nas empresas, principalmente no tocante aos tipos de comportamento que criam as melhores soluções para os problemas, sejam eles grandes ou pequenos. O diálogo franco entre os gerentes, expurgando a politicagem, a coerência estratégica com o compartilhamento da visão em todos os níveis da empresa e a motivação participativa de empregados são fatores de sucesso citados pelo autor.

Resumindo, o autor aborda cinco disciplinas no livro: domínio pessoal, modelos mentais, objetivo comum (visão compartilhada), aprendizado em grupo e pensamento sistêmico (a quinta disciplina).

A disciplina que eu, particularmente, mais gostei é o objetivo comum. Entendo que a visão compartilhada entre todos os integrantes da empresa é fundamental para seu sucesso, e que deve, necessariamente, ser simples, utilizando o método SMART (Specific, Measurable, Achievable, Relevant, Timeout), de modo que até o “senhorzinho” que serve o café saiba onde a empresa pretende chegar.

Outra disciplina que me chamou a atenção foi aprendizado em grupo. Disseminar o aprendizado dentro da empresa auxilia na popularização da estratégia e no convencimento das pessoas.

Para isso é necessário criar diversos grupos que possam discutir livremente, sem qualquer tipo de constrangimento, acerca de soluções com processos ágeis para a resolução dos problemas da empresa.

O processo de geração do conhecimento pode ser dado através de um “estalo”, como por exemplo, os protótipos: Os irmãos Wright no início do século XX criaram uma máquina que ficou poucos segundos no ar.

Dessa experiência surgiu a indústria aeronáutica e, 30 anos depois, os primeiros aviões comerciais começaram a operar transportando passageiros e mercadorias ao redor do mundo, diminuindo a distância entre as pessoas e o acesso aos produtos. “Estalos” com protótipos são essenciais para guiar as empresas com geração de conteúdo e aprendizado com o foco da resolução de problemas.

Entendo que é do diálogo que surgem as melhores soluções: inclusive, o autor se aprofundou ao explicar o significado da palavra diálogo e como as pessoas devem ser comportar de modo a extrair as melhores conclusões para os temas.

Entretanto, penso que o autor não refletiu sobre o tempo necessário para isso, ou seja, o timing que um diálogo tem para derivar conclusões sobre temas problemáticos.

O timing deve ser respeitado e a decisão, mesmo que não seja a melhor, deve ser tomada antes que o problema aumente ou não exista solução para tal. Essa é a minha crítica ao autor, o fato de ele não ter se aprofundado na questão do leadtime de decisões.

Acho que todo líder deveria ler sobre A quinta disciplina, pois o livro é rico em detalhes e faz com que busquemos resoluções definitivas, e não resoluções superficiais. O líder precisa ter a ideia do todo antes de avaliar as situações problemáticas.

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O livro em geral é bastante didático com exemplos fictícios/reais e estudos de caso que facilitam a compreensão da tese do autor. Ele utiliza muitos casos de empresa de TI para explicar sua tese, isso é interessante, pois o mercado de TI possui muitas nuances que são difíceis de ser previstas.

Portanto, Peter Senge foi muito feliz ao usar esse setor, na maioria dos casos, para discorrer sobre sua tese. A leitura não é densa, utilizando-se de uma linguagem fácil de ser compreendida.

IFL - Instituto de Formação de Líderes

O Instituto de Formação de Líderes de São Paulo é uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo formar futuros líderes com base em valores de Vida, Liberdade, Propriedade e Império da Lei.

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