O que é o liberalismo

Resenha de “O que é o Liberalismo”, de Donald Stewart Jr.
Por  IFL - Instituto de Formação de Líderes -
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*Vinicius Romanini Guerrero

Resenha “O que é o Liberalismo” (Donald Stewart Jr.)

O liberalismo é um movimento que está crescendo recentemente no Brasil, desde a segunda metade do século XX, porém ao longo da história, teve altos e baixos. Em seu livro mais famoso, Donald Stewart Jr. inicia explicando como o liberalismo surgiu no século XVIII e como o movimento se comportou ao longo dos anos.

Esse movimento surgiu como um ideal contrário ao intervencionismo das monarquias e o sistema econômico prevalente na época, o mercantilismo. Ao contrário desses valores, o liberalismo mostrava como a economia e o mercado não eram um jogo de soma zero, mas sim, de soma positiva. Ao final do século XVIII, é possível observar a queda das monarquias na Europa e o predomínio das ideias liberais. Com a aplicação desses ideais, observam-se diversos benefícios para a sociedade como o aumento dos empregos e da produtividade, além da diminuição da mortalidade infantil, da miséria e das doenças.

Após os avanços que o liberalismo trouxe à sociedade, alguns ideais intervencionistas começaram a ser divulgados na segunda metade do século XIX, especialmente através da teoria marxista. Essas teorias tiveram grande aceitação das massas, já que a riqueza estava aumentando para todos, porém em proporção menor para elas. Além disso, as elites (que se tornaram mais ricas com os ideais liberais) também passaram a apoiar os intervencionistas, pois não queriam perder seu status, poder e riqueza.

Logo após a I Guerra Mundial, há o abandono completo do liberalismo com a ascensão de governos de regimes totalitários como o comunismo na URSS, o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha. Nesses países, ascenderam ao poder partidos nacionalistas e socialistas que, para atrair pessoas, denominavam-se como democráticos, liberais e progressistas, mas na prática eram o contrário disso. Já no sentido econômico, o keynesianismo foi o modelo utilizado pela maioria dos países, onde o Estado passou a realizar intervenções econômicas com a finalidade de “corrigir” as “falhas de mercado” e as consequências do ciclo econômico. Com o tempo, vemos que essa intervenção gera apenas mais inflação e juros altos.

Com o fracasso do intervencionismo e alguns outros modelos políticos (como a social-democracia), o liberalismo volta a ser discutido entre os intelectuais na segunda metade do século XX. Esse movimento renasceu com alguns autores da Escola Austríaca como Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Carl Menger e outros. Suas obras passaram a ser divulgadas e lidas cada vez mais e em mais países, impactando o mundo. Na prática, esses ideais foram seguidos por Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990, quem iniciou um plano agressivo de privatização, fazendo o país voltar a crescer após diversos anos.

Os bons resultados decorrentes do governo Thatcher e de outros governos inspirados pelas mesmas ideias, somado à queda oficial do socialismo na URSS, fez com que as ideais liberais voltassem a ser discutidas mais detidamente na década de 1990. Para esclarecer, o liberalismo é uma doutrina política que procura mostrar qual é a forma necessária para termos mais abundância e menos pobreza. Os pilares são a propriedade, a liberdade e a paz, e que isso gera o melhor para a sociedade.

Em termos políticos, o liberalismo defende a liberdade de expressão, de movimento, de consciência e de que deve haver liberdade para escolher as pessoas que irão exercer as funções do governo. Em termos econômicos, o liberalismo defende que não haja subsídios, protecionismo e monopólios, o que leva as empresas a terem mais concorrência, obrigando-as a oferecer melhores produtos ou serviços com custos menores, o que gera mais valor à sociedade. Por fim, os princípios gerais do liberalismo são igualdade, ausência de privilégios, respeito e responsabilidade individual, respeito às minorias e liberdade de entrada no mercado.

Infelizmente, o Brasil ainda carece de discussões e ações liberais. Pode-se dizer que vivemos em uma sociedade social-democrata (aquele ideal que prega certa liberdade política, mas não liberdade econômica total). Alguns problemas econômicos que ainda enfrentamos são a Previdência Social compulsória, o monopólio estatal de alguns setores, as tarifas abundantes, os subsídios e protecionismos para algumas empresas e o intervencionismo estatal da moeda, juros e inflação. Pode-se dizer que as discussões liberais estão avançando no país, mas ainda há um longo caminho para o objetivo final do movimento.

Para o autor, é necessário que a população brasileira e os políticos enxerguem que o movimento liberal irá trazer os benefícios que todos querem no médio e longo prazo. Ele entende que a disseminação e discussão das ideias liberais, especialmente os livros e seminários dos intelectuais da escola austríaca, podem ajudar a todos entenderem melhor os conceitos do liberalismo. Ele encerra dizendo que o Brasil possui os recursos necessários para ser um país que prospere no futuro.

*Vinicius Guerrero é formado em Administração de empresas pelo INSPER, com especialização em Finanças. Atua como consultor financeiro e de estratégia há 5 anos e é associado ao IFL-SP.

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