Renda fixa em 2026: onde estão as oportunidades?

Queda de juros no horizonte, spreads apertados, bancos em dificuldade, eleições chegando e risco fiscal no radar

Guilherme Viveiros

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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O que o Banco Central nos falou? Na última reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15,00% ao ano. Esta foi a quinta manutenção consecutiva do patamar, que permanece no maior nível desde 2006.

A decisão foi fundamentada na avaliação de que o cenário inflacionário, embora apresente sinais de arrefecimento, ainda demanda cautela e uma postura restritiva para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

A ata destaca:

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“O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

Apesar da manutenção, o Copom sinalizou a possibilidade de iniciar um ciclo de flexibilização monetária na próxima reunião, condicionando tal movimento à confirmação do cenário esperado:

“O Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião. Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o Comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho”.

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E os níveis de Spread Crédito?

Com a sinalização do Banco Central e a sinalização dos últimos indicadores convergindo para concretização de uma queda de juros, passamos a analisar como estão os prêmios de risco frente ao título público, ou seja, o spread de crédito. Em suma, o Spread de Crédito é o quanto as instituições privadas pagam acima do Título Público.

Os Spreads tendem a diminuir quando há uma elevação da taxa de juros, ou seja, estamos no momento em que usualmente temos spreads baixos e tendem a subir quando há redução da taxa de juros.
Mas alguns spreads estão chamando muita atenção, que são os spreads dos ativos isentos (debêntures incentivas, CRAs e CRIs). Analisando as debêntures incentivadas, a JGP Asset, divulga o seu índice Idex-Infra, que contempla as Debêntures em IPCA+, com mais de 70% de frequência nos calls e emissões maiores que R$100 milhões.

Gráfico, Gráfico de linhas

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
Imagem 1: Evolução dos Spreads. (Fonte: JGP Idex-Infra Geral)
 
Perceba que estamos praticamente na mínima histórica, esse índice só está tendo uma rentabilidade superior ao título público, porque possui isenção de imposto de renda. Vale salientar que esse índice é baseado em uma carteira e que mesmo com um resultado de -31bps, haverá ativos que estão ainda mais próximos da rentabilidade do Tesouro.Essa

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mesma análise pode ser extrapolada para diversos outros tipos de ativos, como os ativos bancários e ativos de bons riscos não isentos. Os investidores procuram e as rentabilidades diminuem.

Segredo: Controle o prazo e os riscos!

Para que esse cenário fique mais claro para você, analisarei cada indexador alertando para os seus riscos de mercado neste momento. no meu livro faço uma abordagem mais ampla considerando diversos cenários, contudo para este forum focarei no cenário atual. Importante ressaltar, que você deve levar em consideração o seu perfil de investimento e que a intenção desta análise é maximizar o seu retorno no médio e longo prazo.

CDI

Com o cenário eleitoral e o risco fiscal, o mercado ainda projeta juros elevados por algum tempo.
Por isso, investimentos atrelados ao CDI continuam interessantes — mas, como os spreads estão baixos e a tendência é de queda da Selic, prefiro prazos mais curtos.

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IPCA+ — o queridinho do longo prazo

O juro real acima de 7% ao ano é um sonho para quem investe pensando no longo prazo.
Mas é preciso atenção ao prazo, porque títulos longos carregam riscos maiores.

Curto prazo (até ~2030)

Com a inflação controlada, não vejo tanto atrativo em IPCA+ de vencimentos curtos.

Médio prazo (2032 a 2035) – La crème de la crème

Aqui está, na minha visão, o melhor ponto do mercado hoje.

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Mesmo com spreads baixos, o juro real alto compensa. Mas evitaria empresas com spreads muito comprimidos, como Petrobras e Vale.

Longo prazo (acima de 2040)

Prefixados

Com a expectativa de queda da Selic, prefixar uma taxa alta pode ser vantajoso. O problema é que o mercado já antecipou boa parte dessa queda.

Hoje, para um prefixado superar o CDI, o CDI teria que fechar o ano abaixo de 12,75%, que é a projeção atual do mercado — e muitos economistas acreditam que isso deve acontecer.

Ou seja, ainda existe prêmio, mas com cautela:

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Guilherme Viveiros

Guilherme Viveiros é gestor de investimentos e autor do livro Renda Fixa: O que ninguém de contou. Com mais de 20 anos de experiência. Formado em Engenharia Civil, com mérito acadêmico pela UFRN, MBA em Gestão Empresarial pela FGV e pós-graduado em Direito das Famílias e Sucessões. Com certificações de CGA, CGE e CFG pela ANBIMA e AI pela ANCORD. Atuou como executivo na área financeira, lecionador e empreendedor. Nos últimos 10 anos se dedica a assessorar investidores, além de liderar área de renda fixa por mais de 6 anos, onde construiu conhecimento ímpar em renda fixa.