BC mantém SELIC em 15%, mas cairá em breve. E o feijão com arroz do CDI ainda será bom?

BC deve iniciar o corte da SELIC em março, o que fazer para preservar a rentabilidade dos seus investimentos com juros em queda

Guilherme Viveiros

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Imagem gerada com IA/Amanda Garcia
Imagem gerada com IA/Amanda Garcia

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Taxa de juros de 15%, com inflação em um patamar de aproximadamente 4%, gera uma renda real (renda acima da inflação), excelente para quem está posicionado em CDI, não é verdade? Por outro lado, o “feijão com arroz” da renda fixa não terá o mesmo sabor ao final deste ano. Ainda será bom, mas não tão saboroso quanto foi em 2025 e são dois temperos que farão a diferença nesta receita que todo brasileiro é acostumado.

O que mudará e o que já mudou?

O primeiro tempero da nossa renda fixa de cada dia, é que provavelmente teremos uma redução da SELIC já na próxima reunião, em março de 2026. E a redução da SELIC trará uma diminuição no rendimento dos investimentos que estão indexados ao CDI. SELIC deve cair de 15%aa para algo em torno de 12,75%aa ao final de 2026, segundo projeções atuais.

O segundo tempero, que ninguém está comentando, é que os ativos de renda fixa não estão pagando tanto quanto pagavam no passado. Os ativos bancários e de crédito privado, que em 2024 pagavam 2% a 3% acima da taxa básica de juros, de maneira geral, agora estão pagando 0,4% a 0,7%. Sabe aquele CDB que pagava 115% do CDI? O rato roeu? Virou museu?

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Mas quais são as alternativas para preservar a rentabilidade?

Ter um prêmio de rentabilidade acima da taxa básica ficou mais complicado, como deu para perceber. A partir de agora, é preciso ter um pouco mais de paciência e competência para sair do básico. Isso mesmo, sair do básico. O feijão com arroz precisa de novos temperos.

Importante mencionar que os investimentos devam estar alinhados ao perfil e à estratégia de cada investidor, mas elencar algumas alternativas para preservar a rentabilidade, mesmo com juros em queda.

A primeira alternativa é buscar indexadores diferentes do CDI, ou seja, investir em ativos indexados ao IPCA ou em ativos prefixados. Naturalmente você adiciona uma pitada de volatilidade/risco na sua carteira. As oscilações da projeção da SELIC geram oscilações nos preços destes ativos (IPCA e Pré).

Dando uma atenção ao seguinte tempero, onde poderemos chamar de uma “pimentinha” adicional, os prefixados. Eles são mais arriscados, principalmente quando há um descontrole inflacionário, pois a sua remuneração estará fixada na taxa contratada, independentemente de quanto será a SELIC ou a inflação.

Mas se a SELIC cair abaixo do que o mercado está projetando (por volta de 12,75%), esses ativos deverão render mais que o CDI. Estudos mostram que quem se posicionou nestes indexadores, antes da primeira queda de juros, obteve em média, resultados superiores ao CDI após um ano.

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E venhamos e convenhamos, uma rentabilidade de IPCA+7%aa?!?! É muito juro real!!!

A segunda alternativa é buscar investimentos com estruturas e riscos diferentes do feijão com arroz básico. O que seriam essas estruturas e riscos? Ativos de crédito privado, apesar de muitos estarem com taxas mais baixas e outros com elevados riscos de crédito, ainda é possível encontrar oportunidades pontuais com prêmios interessantes — desde que o investidor avalie bem o risco de crédito e a qualidade do emissor.

Outra opção são fundos de investimento fechados, que possuem uma menor liquidez (as vezes nenhuma liquidez) e prazos mais longos (geralmente de 3 a 7 anos). Mas podem entregar rentabilidades atrativas por assumirem riscos que um investidor pessoa física não teria acesso em ativos de renda fixa, incluindo riscos não triviais para investimentos em moeda local, com riscos internacionais.

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Juntando estes dois temperos, podemos fazer uma receita bem interessante.

Vale considerar estratégias práticas de gestão para diminuir o risco: escalonar prazos para reduzir o risco de reinvestimento e volatilidade, principalmente nos ativos mais longos; combinar os títulos em CDI, com títulos indexados ao IPCA e prefixados para balancear volatilidade e proteção contra inflação; e manter uma parcela em ativos de alta liquidez para aproveitar oportunidades e cobrir emergências. Assim, a sua receita poderá ser considerada especial.

Uma alternativa de fazer esse balanceamento, sem a necessidade vender o ativo e ter que pagar penalty na venda, é através dos instrumentos de SWAP. Mas o SWAP eu deixo para os chefs mais experientes.

E se eu não quiser mudar a minha estratégia?

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Tudo bem, você não quer sair do feijão com arroz de sempre. Não vejo qualquer problema em seguir com essa estratégia, desde que você esteja ciente das consequências: a rentabilidade dos próximos investimentos não será tão superior à taxa básica de juros e, com a SELIC em queda, os retornos nominais também diminuirão. O essencial é investir com consciência, ajustar expectativas e, se for o caso, temperar o prato aos poucos — testando alternativas em pequena escala antes de fazer mudanças mais profundas na carteira.

O timing é fundamental, deixar para mudar quando a taxa de juros chegar em 12,5% poderá não fazer mais sentido e esperar o próximo ciclo poderá ser mais prudente. O futuro dirá.

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Guilherme Viveiros

Guilherme Viveiros é gestor de investimentos e autor do livro Renda Fixa: O que ninguém de contou. Com mais de 20 anos de experiência. Formado em Engenharia Civil, com mérito acadêmico pela UFRN, MBA em Gestão Empresarial pela FGV e pós-graduado em Direito das Famílias e Sucessões. Com certificações de CGA, CGE e CFG pela ANBIMA e AI pela ANCORD. Atuou como executivo na área financeira, lecionador e empreendedor. Nos últimos 10 anos se dedica a assessorar investidores, além de liderar área de renda fixa por mais de 6 anos, onde construiu conhecimento ímpar em renda fixa.