O incrível potencial da Tupy na Bolsa após a compra da Teksid

Após a aquisição da parte de fundição de ferro da Teksid, a Tupy passa a ser efetivamente um dos principais players do mercado de fundição de blocos e cabeçotes do mundo

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(Divulgação)

Seguindo na linha de publicar posts com conteúdo relevante sobre as empresas que compõem nosso portfólio, volto a comentar sobre os últimos movimentos de uma das empresas que vemos como um dos maiores potenciais de crescimento da Bolsa: a Tupy.

Aos que não estão atualizados com os últimos passos dados pela empresa, após a aquisição da parte de fundição de ferro da Teksid, empresa do grupo FCA (Fiat-Chrysler), a Tupy passa a ser efetivamente um dos principais players do mercado de fundição de blocos e cabeçotes do mundo.

A empresa informou os detalhes da aquisição e os potenciais ganhos de sinergia que podem ser capturados. Vamos aos números:

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A proposta de aquisição de 100% do negócio de fundição de ferro da Teksid, que inclui operações localizadas no Brasil, no México, na Polônia, em Portugal e na China (esta última, joint venture na qual Teksid detém 50% de participação), além de escritórios nos Estados Unidos e na Itália, foi ao preço de 210 milhões de euros.

Esse valor representa aproximadamente 4,9 vezes o Ebitda projetado para a Teksid em 2019, e o valor será pago após a conclusão do negócio, conforme informado em fato relevante do dia 20 de dezembro de 2019.

Com receita líquida operacional de aproximadamente 526 milhões de euros em 2018, a empresa conta com cerca de 6.000 funcionários.

Assim, com a conjugação das operações, a Tupy+Teksid terá quase de R$ 8 bilhões de faturamento anual (considerando-se o euro na faixa de R$5), um aumento de mais de 50%. A nova companhia tem quase 10% da produção mundial de blocos e cabeçotes.

Importante frisar que esse movimento de aquisição se torna muito coerente principalmente pelo nível de eficiência que a Tupy alcançou no seu processo de produção e que será replicado e aperfeiçoado na Teksid, melhorando mais que proporcionalmente os níveis de lucratividade.

Mas qual é o racional desta aquisição?

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A Tupy já vinha há alguns anos se preparando para esse momento. Percebendo um movimento das indústrias automobilísticas de terceirizar a fabricação de motores a diesel, fez uma oferta pela fundição da FCA (FIAT+Chrysler), com a garantia de fornecimento de longo prazo de produtos.

Esse é o ponto relevante que foi percebido pela Tupy e que deve continuar tornando-a a principal player consolidadora deste mercado.

Hoje, a referência mundial no desenvolvimento de tecnologia em fundição e usinagem de blocos e cabeçotes está em Joinville-SC, local da sede da Tupy.

Como exemplo desse processo, temos o caso do ferro CGI (Compacted Graphite Iron), que possui mais resistência, mais rigidez com menos peso, o que permite um melhor desempenho dos motores a diesel. A Tupy é a empresa que melhor aplica o produto com menor custo.

Importante ressaltar que essa consolidação também permitirá que a Tupy tenha a garantia e a previsibilidade operacional e financeira, ou seja, ser extremamente resiliente, dado que na sua carteira de clientes temos praticamente todas as principais montadoras mundiais.

Também devemos ressaltar que a aquisição manterá a baixa alavancagem da companhia, não prejudicando as margens, mantendo a relação dívida líquida/EBITDA em até 2,5X.

Uma questão importante, e ainda dentro do racional da aquisição, a Tupy tem capacidade e interesse em avançar no desenvolvimento de sua cadeia produtiva, por meio de novas ligas, e em agregar mais serviços aos produtos como a usinagem e a montagem de componentes.

Esse movimento agregará mais valor aos produtos vendidos, o que deverá gerar aumento das principais margens de lucros.

Alguns podem me perguntar: investir em empresas de motores a combustão não é um movimento datado e de risco, em função da eletrificação dos veículos?

Sem dúvida isso se aplica aos veículos leves.

Já nos veículos pesados, dada a necessidade de autonomia e capacidade de carga, os motores a diesel – e principalmente a gás natural – podem ser a solução ideal que une eficiência e proteção ambiental.

É importante notar que o gás, apesar de ser um combustível fóssil, é considerado menos poluente e nocivo ao meio ambiente, já que a sua queima possui baixos níveis de emissão de CO2. Já os modernos motores a diesel poluem menos que os movidos a gasolina.

Outro dado importante é que os atuais motores a diesel seriam facilmente convertidos para gás, cujo custo unitário mais que compensaria a conversão, mais ainda com o amplo projeto de exploração do pré-sal no Brasil que pode reduzir drasticamente o custo da energia no país.

Devemos ainda ressaltar que a aplicação dos motores/geradores pode ser largamente utilizada dependendo do custo do gás e que isso seria extremamente benéfico para a Tupy. Seria economicamente viável ter autogeradores in locu nas indústrias, mudando radicalmente o perfil de consumo de energia do país, que se tornaria menos dependente das concessionárias de energia elétrica.

Há oportunidades também na indústria da navegação, que passa por uma mudança de legislação ambiental, que basicamente reduz os níveis de emissão, fazendo com que as embarcações passem a ter motores/geradores a diesel ou a gás natural, beneficiando a empresa.

Dessa forma, entendemos que o movimento feito pela Tupy com a aquisição da Teksid permitirá que a empresa se posicione de forma definitiva na fundição e usinagem de motores a diesel e gás, tornando-se referência nesses produtos que podem ter as mais variadas aplicações no campo energético.

Seguimos firmes e confiantes que estamos diante de um case de rentabilidade e resiliência, e que em breve deverá retomar os níveis de pagamento de dividendos feitos nos últimos anos.

João Paulo Reis

É gestor do Venture Value FIA, sócio da Venture Investimentos desde o seu surgimento em 2006, acumulando experiência na seleção e análise das empresas listadas na bolsa de valores.