Carro Elétrico: Uma ameaça real para o motor a combustão?

Recentemente foi publicado no caderno Opinião do Valor Econômico sob o título "Uma outra eletrificação para a mobilidade" um texto que traz um pouco de luz sobre a discussão sobre o fim ou não do motor a  combustão interna.

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O texto traz um fato histórico do final do Século XIX. Nesse período, o grande problema ambiental de Nova York e das principais cidades do mundo era o excesso de esterco e moscas decorrente de uma ”frota” enorme de cavalos que circulavam. Esse sistema de transporte necessitava de uma logística complexa de alimentação e limpeza das cidades, e acabou suscitando previsões catastróficas sobre o futuro das mesmas.

Diziam os “profetas” da época, que se a cidade de Nova York continuasse a crescer naquela velocidade, a quantidade de esterco das ruas chegaria a um metro de espessura colapsando todo o sistema.

Daí surgiu o carro a combustão interna que resolveu esse problema. Assim, o que é hoje visto como um problema ambiental, o carro a combustão interna foi uma solução perfeita para os problemas daquela época.

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Da mesma forma, com a poluição atmosférica provocada pela exaustão dos motores a combustão surge a necessidade de repensar-se que matriz energética será preponderante nos próximos anos.

Estamos vendo o desenvolvimento do carro elétrico puro como uma solução, contudo um novo desafio é encontrado com a eletrificação do carro que é a questão das baterias.

Como elas dependem de elementos como íons de lítio e cobalto que não são tão abundantes na natureza, poderemos ter problemas de outra ordem no futuro, como o alto custo dos veículos elétricos, sem contar o problema gravíssimo do descarte das baterias que não tem uma vida útil tão grande quanto um motor à combustão.

O ponto aqui levantando e apoiado pelo texto é que de nada adianta um carro ter um nível de emissão zero, se o processo de fabricação e descarte gerar um problema ambiental muito maior.

Sem contar com todo um sistema de distribuição que visa a recarga e troca das baterias, que ainda não existe.

E parece ser esse o caso dos atuais carros elétricos. A disseminação dos mesmos pode causar problemas muito maiores dos que temos hoje. Então que solução pode surgir?

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O texto nos leva a pensar em carro híbridos movidos à combustíveis líquidos com baixa pegada de carbono, como é o caso dos biocombustíveis.

Por incrível que pareça, esses veículos já existem e representam uma rota tecnológica superior a eletrificação à bateria.

O etanol é na sua essência energia solar capturada armazenada e distribuída de forma eficiente em mais de 41600 postos de revenda no Brasil. Além de promover desenvolvimento econômico para regiões agricultáveis.

Um dado importante trazido pelo texto é que:

“Quando avaliado pelo critério do ciclo da vida, do conceito do poço a roda, e não do tanque a roda, o carro flex utilizando etanol no Brasil é menos poluente que o carro elétrico a bateria projetado pela União Europeia em 2030 e 2040.

A otimização dos motores à combustão interna movidas à etanol com o uso de tecnologias com a biela variável e a introdução do híbrido flex e da célula a combustível movida a etanol – poderá colocar o Brasil na dianteira global em termos de estratégia integrada nas áreas energética, de desenvolvimento e valorização do setor agroindustrial e atendendo objetivos da política ambiental”

Assim, entendemos que o desenvolvimento tecnológico já existente no Brasil pode ser um contraponto importante a toda essa onda no desenvolvimento do carro 100% elétrico, e na realidade trazendo para discussões  o melhoramento e evolução dos motores à combustão.

Trazendo essa questão para um caso prático, entendemos que as empresas listadas em bolsa diretamente ligadas à produção de peças dos motores à combustão como a Mahle Metal Leve e Tupy, terão o grande desafio de trazer novas tecnologias e evoluções para os motores atuais, mas longe de serem banidas e aniquiladas pela onda do carro elétrico.

Dando destaque especial para a Mahle Metal Leve, entendemos que o DNA da empresa está no desenvolvimento de novas tecnologias e na compreensão do seu ambiente de negócios, atuando para identificar e capturar evoluções e tendências que irão atender as demandas futuras por mobilidade, isso tudo garantido com um investimento de mais de 4% da sua receita liquida em pesquisa e desenvolvimento por ano.

Até a próxima!!

João Paulo Reis

É gestor do Venture Value FIA, sócio da Venture Investimentos desde o seu surgimento em 2006, acumulando experiência na seleção e análise das empresas listadas na bolsa de valores.