As small caps que se destacaram em 2019 e podem continuar subindo

Essas três ações subiram mais de 70% em 12 meses, mas, por razões diferentes, ainda têm potencial

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Reforçando o objetivo desta coluna de trazer cases de empresas em turnaround, escreverei sobre três que se destacaram neste ano e podem continuar dando muitas alegrias em 2020 – e, que, por isso, fazem parte da carteira do fundo Venture Value FIA, que administro.

São elas:
1) Jereissati Participações (JPSA3)
2) Indústrias Romi (ROMI3)
3) RNI Negócios Imobiliários (RDNI3)

Em 12 meses até 26/12/2019, essas ações subiram, respectivamente, 72,03%, 132,29% e 184,88%.
As três empresas desempenham atividades econômicas com as melhores expectativas para 2020.
Vamos a elas!

Jereissati Participações

Comecemos pela Jereissati Participações que, na nossa opinião, possui o melhor portfólio de shoppings do Brasil.

Para quem não sabe, é uma holding pura do Iguatemi Shoppings (IGTA3).

Após um início de ano titubeante, os números do varejo no terceiro trimestre apresentaram uma recuperação consistente. Isso foi evidenciado pela Black Friday, e os dados de encomendas do varejo para o Natal devem confirmar as expectativas do melhor fim de ano dos últimos cinco anos.

Para se preparar para essa demanda, o Iguatemi criou uma plataforma digital chamada Iguatemi 365, que tem como função fazer uma curadoria de grandes marcas, e assim atender de forma rápida e num único canal todos os desejos de compras, principalmente das consumidoras.

Isso permitirá uma melhor gestão dos pedidos de compras, além de aferir o comportamento dos clientes com alto poder aquisitivo.

Com essa nova ferramenta comercial, o Iguatemi passa a ser uma referência na reunião de grandes marcas de moda de luxo, trazendo uma solução omnichannel (canal único e integrado de vendas) perfeita para o consumidor.

Além disso, com a recuperação do valor dos imóveis, novas oportunidades de lançamentos ao redor dos shoppings gerará uma nova percepção do valor desses ativos.

Por fim, novos investimentos estão em gestação. Temos o caso do terreno da Cruz Vermelha nas proximidades do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, que mostra para onde a empresa entende que será o vetor de crescimento nos próximos anos.

Essa conjugação de potencial de valorização imobiliária associada ao crescimento das vendas do varejo, focado no consumo de luxo, nos dá a tranquilidade necessária para acreditar na resiliência e consistência da empresa no longo prazo e no bom desempenho das ações em 2020.

Indústrias Romi

Vamos falar agora de uma empresa menos glamourosa, mas que deve se destacar ao longo de 2020.
Fazendo os ajustes necessários para aproveitar a retomada dos investimentos do país, encontramos nessa empresa o que chamamos de proxy perfeita do PIB da indústria.

Fabricante de máquinas, peças e equipamentos e sendo demandada pelas principais indústrias do país, a Romi (ROMI3) pode evidenciar o potencial de desenvolvimento da indústria nos próximos anos.

Com uma política de horizontalização do crédito ditada pelo ministro Paulo Guedes, que se concretizou com a aplicação efetiva da taxa de juros TLP, mais uma valorização de um projeto de reindustrialização do Brasil por mio de políticas responsáveis de redução do preço da energia, acreditamos que o investimento será o destaque deste novo momento do Brasil.

O indicador que retrata perfeitamente essa realidade é a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), e ele é um dos destaques nos dados divulgados até o momento sobre as perspectivas de crescimento do país.

Com todos os investimentos programados para 2020, resultado dos últimos leilões de privatização feitos pelo governo, além dos que virão, as oportunidades que uma empresa como a Romi pode capturar são enormes.

Concessões rodoviárias, novo marco do saneamento, retomada da indústria de óleo e gás, volta da construção civil e da indústria automobilística, e principalmente novos parques eólicos são as atividades econômicas que dependerão da Romi com máquinas e equipamentos e fundição de peças, que darão base para todo esse investimento.

E isso tudo ajudado por: menor taxa de juros da história, inflação controlada e câmbio favorável à indústria. Ou seja, todos os elementos necessários para garantir crescimento ao longo dos próximos anos.

Logo, acreditamos que as ações refletirão em valorização à medida que capturem a alavancagem operacional que se dará com a diminuição da capacidade ociosa das fábricas, sem a necessidade de novos investimentos.

RNI – Negócios Imobiliários

Essa é outra empresa interessante (RDNI3) que deve ser salientada, principalmente pelo setor em que atua.

Sendo uma incorporadora imobiliária, seu crescimento não é tão bem retratado pelos balanços, uma vez que ela deve diferir seus resultados de vendas ao longo do prazo da entrega de imóveis.

Explico: um boom de vendas de imóveis na planta não poderá ser mostrado pelos resultados no momento zero, e sim ao longo do período de construção, que em média se dá em 11 meses.

Isso deve ser frisado e explicado, pois como a construção civil é cíclica, quando os resultados financeiros aparecerem, pode ser que o ciclo econômico já tenha se encerrado.

E é isso que acontece com nossa pequena notável.

Ela já identificou uma retomada em seu setor de atuação, mas seus números financeiros ainda não refletem essa realidade.

Com a previsão de lançamentos que podem chegar a R$1 bi por ano, acreditamos que isso será traduzido em valor para o acionista e acabará refletindo positivamente no valor das ações.

A empresa tem uma estratégia muito bem definida, que é atuar na faixa 3 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em condomínios horizontais fechados, com áreas de lazer e segurança, focados na qualidade de vida e da construção, em regiões onde se localizam cidades médias cuja principal atividade seja o agronegócio. Cremos que estamos diante de uma grande oportunidade para os próximos anos.

Sendo assim, fechamos o ano com essas três pequenas notáveis, mas que podem continuar performando brilhantemente em 2020, diante das oportunidades que expomos acima.

Um feliz 2020 e até a próxima.

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João Paulo Reis

É gestor do Venture Value FIA, sócio da Venture Investimentos desde o seu surgimento em 2006, acumulando experiência na seleção e análise das empresas listadas na bolsa de valores.