Venda de veículos em queda: é hora de comprar?

A compra de um automóvel representa uma aquisição de um bem de alto valor, por isso, é preciso pensar muito bem antes e plenejar antes de gastar essa quantia.

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De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a venda de veículos novos estão passando por uma constante queda. Comparado a fevereiro, recuou 7,1%, e, ao mesmo período do ano passado, 13,3%. Há diversas razões para esse cenário, no entanto, a pergunta é: será que é o momento de comprar um carro?
 
Uma das causas é o fato de o governo federal ter voltado a cobrar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Mas, quem queria adquirir um automóvel e não o fez nesse período, está se perguntando se agora é a hora ou não. Promoções e feirões que oferecem condições especiais de pagamento ocorrem a todo o momento, ainda mais nessa situação de baixa no mercado.
 
No entanto, muitas pessoas se esquecem de alguns aspectos muito importantes, quando, na hora de decidir se deve/pode comprar um veículo, levam em conta apenas o valor do automóvel. Se não for pagar à vista, além das parcelas, haverá despesas que pesam até muito mais no bolso, como manutenção, combustível, IPVA, seguros, licenciamento, lavagens, estacionamento e, até mesmo, possíveis multas.
 
Fazendo uma conta rápida, o custo médio mensal representa algo em torno de 3% do valor do carro. Então, para um veículo popular de R$25 mil, daria R$750 por mês, o que, muitas vezes, é maior do que o valor das parcelas. Sendo assim, para descobrir o momento é ou não propício, na verdade, é preciso, primeiro, saber qual é a sua situação financeira: endividado, equilibrado financeiramente ou investidor.
 
Obviamente, não pode nem passar na cabeça dos endividados realizar uma compra desse porte agora. No planejamento financeiro, quitar as dívidas deve ser o foco, enquanto que o desejo de comprar um automóvel deve entrar na lista dos sonhos de médio ou longo prazo. Já os equilibrados financeiramente, é preciso ter cautela; não é porque não possuem dívidas que podem sair fazendo esse tipo de compra sem um minucioso planejamento. Qualquer erro pode fazer com que se torne um endividado – ou pior, um inadimplente.
 
Aos poupadores, a situação é melhor, mas ainda assim aspira cuidados. O questionamento não é mais se tem condição, mas sim se realmente precisa trocar/comprar um carro agora, para não ter despesas provenientes de decisões imediatistas e impulsivas.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), autor de vários livros e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira.