Dia da Mulher: ela merece ter dinheiro!

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Embora o papel das mulheres na sociedade já tenha mudado há bastante tempo, ainda existem pessoas que as encaram como o sexo frágil e, ainda por cima, como consumidoras descontroladas. Mas será que essa visão condiz com a realidade? Vamos aproveitar o ensejo do Dia das Mulheres, que é comemorado no dia 8 de março, para refletir sobre esse assunto.

Historicamente, o Dia das Mulheres não foi criado, como muitas outras datas comemorativas, para aquecer o mercado; a data nasceu no intuito de homenagear e marcar as lutas do público feminino por igualdade social, melhores condições de vida e de trabalho e respeito. Ainda não se chegou ao ideal, mas as consequências são boas, uma vez que, já há algum tempo, boa parte das mulheres é chefe e responsável pelo orçamento financeiro da família.

É claro que as mulheres querem, eventualmente, uma nova bolsa, sapato, livro, etc. e acabem comprando mesmo que não faça parte do planejamento financeiro. No entanto, isso não é uma característica apenas delas, é do ser humano e da sociedade consumista em que vivemos. E não há mal algum em querer satisfazer alguns pequenos desejos, vez ou outra, o problema está na falta de controle dessa prática, que pode facilmente desestabilizar o orçamento, causando problemas ainda maiores.

O que realmente deve ser discutido é a educação financeira da população como um todo, especialmente para as mulheres que, como falei, estão cada vez mais à frente da vida financeira das famílias. Um dos aspectos da educação financeira que nos leva ao consumo consciente é o fato de ter sonhos. Não entendeu? Eu explico. Com a “vida moderna”, as pessoas – principalmente as mulheres, que, muitas vezes, se dividem em mães, donas de casa, esposas e profissionais – se esquecem de ter objetivos de vida e, com isso, acabam cedendo a impulsos consumistas.

Quando não temos metas bem definidas, facilmente o dinheiro será gasto sem planejamento e a pessoa/família sempre reclamará de não conseguir realizar as coisas, seja uma viagem, a troca do carro ou a compra da casa própria. Por isso, sempre digo para listarem, no mínimo, três sonhos: um de curto (até um ano), um de médio (de um a dez anos) e outro de longo prazo (acima de dez anos), individuais e coletivos.

A partir daí é só planejar, para que o sonho não se transforme em um verdadeiro pesadelo. É preciso saber quanto custam os sonhos e quanto poderão guardar por mês para essa finalidade. Meu conselho para as mulheres: continuem sendo forte, vão à luta, como sempre fizeram!

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), autor de vários livros e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira.