Aposentadoria vai além de Previdência Social

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Quantos trabalhadores que poderiam se aposentar e aproveitar um pouco mais a vida precisam continuar trabalhando, pois não possuem recursos financeiros suficientes para manter o padrão de vida que possui atualmente? A consequência são pessoas desmotivadas, com faltas e atrasos constantes no trabalho, queda da produtividade, dentre outros problemas.

Essa situação é mais comum do que imaginamos e é resultado da falta de educação financeira da população como um todo. Nossos avós, pais e nem mesmo nós fomos ensinados a nos planejar para longo prazo (objetivos que serão alcançados num período maior que dez anos), como é o caso da aposentadoria. Para mudar esse cenário de forma eficaz, é preciso que as crianças, já na escola, aprendam a se planejar.

Mas, falando especificamente dos adultos, o erro vai além do não planejamento, muitos ainda pensam que podem se garantir apenas com a previdência social, ou seja, o pago pelo INSS por tempo de contribuição. É claro que esse é um direito do trabalhador e é muito importante, no entanto, sabemos bem que não é possível viver tranquilamente com esse valor.

A solução? Para quem ainda é jovem a está inserido há pouco tempo no mercado de trabalho, iniciar agora mesmo um planejamento para daqui mais de dez anos, garantindo a sustentabilidade futura. A aposentadoria tranquila deve ser um “sonho”, isto é, um objetivo a ser realizado e, como para qualquer sonho, é preciso, analisar o orçamento financeiro para saber quanto poderá poupar por mês e, então, guardar essa quantia.

O próximo passo é analisar a melhor aplicação em que se deve investir esse dinheiro. Para isso, é importante saber o seu perfil como investidor, se é conservador – pessoa que não gosta de correr risco –, moderado – que corre riscos em apenas uma pequena parte do investimento – ou arrojado – que prefere correr riscos maiores, mas também ter a possibilidade de melhores retornos na aplicação.

Mas é importante ficar atento, pois investimentos de longo prazo requerem um cuidado maior, uma vez que podem acarretar punições tributárias, caso sejam feitos resgates em curto ou médio prazo. Há diversas opções de investimento para longo prazo, como ações da bolsa, tesouro direto, dentre outros, mas, para a aposentadoria, a que sem dúvida deve ser considerada é a previdência privada, que é específica para esse tipo de sonho.

Nesse caso, há o PGBL (Plano Gerador de Beneficio Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), geridos por instituições privadas e sua correção, geralmente, acompanha os demais Fundos DI e permitem resgate a qualquer tempo, com incidência de imposto de renda, com a diferença que, no PGBL, é possível deduzir o imposto de renda pessoa física as contribuições feitas ao plano até o limite de 12% da renda bruta anual. Já o VGBL não te dá este incentivo, mas, em compensação, somente tem imposto de renda sobre o ganho de capital e não sobre o total resgatado.

Aqueles que já estão próximos de se aposentar, obviamente, terão menos tempo para poupar e, portanto, terão que se comprometer com uma quantia maior de dinheiro mensalmente para conseguir o que deseja. Seja qual for o caso, eu desenvolvi uma fórmula que permite qualquer pessoa fazer o seu planejamento, sabendo exatamente quanto terá que guardar e por quanto tempo para conseguir se aposentar com o valor que deseja.

O valor que a pessoa deverá ter guardado mensalmente terá que proporcionar um ganho mensal do dobro do seu atual padrão de vida, podendo sacar apenas 50% destes juros mensalmente e guardando o restante como reserva acumulada. A fórmula consiste em obter dados pessoais, como a idade desejada para se aposentar e o ganho atual – fatores imprescindíveis para encontrar o número desejado, acumulando uma reserva financeira de, no mínimo, duas vezes o padrão de vida.

A partir daí, multiplica-se a idade que quer se aposentar com o ganho no último ano; em posse do resultado, deverá multiplicá-lo por 40% (percentual que obtive depois de algumas contas), obtendo o valor que deverá ter para aposentadoria, em uma aplicação com rendimento mensal com juros de 0,65% ao mês. Para chegar a esse valor, utilizei um percentual de 40%, mas, nos casos em que as taxas de juros mensais praticadas no mercado forem menores de 0,5%, o percentual de 40% deverá ser aumentado. Para preencher mais facilmente essa fórmula, disponibilizo gratuitamente uma planilha no site da DSOP Educação Financeira.
A fórmula não é benéfica apenas para a pessoa que a aplica, ela também tem importância direta para toda a família, pois, no formato que foi desenvolvida, mesmo no caso da morte de quem a aplica, o rendimento se manterá, garantindo aos que ficaram rendimentos.

A conclusão disso tudo é que, com educação financeira, é possível ser sustentável financeiramente enquanto um trabalhador ativo, permitindo que se chegue à aposentadoria com tranquilidade e qualidade de vida.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), autor de vários livros e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira.