Antecipação da restituição do IR: fazer ou não?

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Como muitos sabem, essa é a época em que as pessoas começam a buscar pelo serviço de antecipação da restituição do Imposto de Renda que os bancos oferecem. O que muitos se esquecem ou muitas vezes não entendem é que isso é um empréstimo, que traz juros – nesse caso, partindo de 1,99% a.m. Mas será que é interessante essa prática?

A recomendação é ter muita cautela, pois é fácil acabar perdendo rendimento, além de essa ser uma prova da falta de educação financeira das pessoas, uma vez que não estão conseguindo pagar suas contas com seu próprio orçamento, e acabam utilizando essa “facilidade” para remediar o problema financeiro. Por isso, antes de qualquer atitude precipitada, é preciso fazer um diagnóstico da vida financeira, sabendo exatamente quais são seus ganhos e gastos mensais, podendo identificar mais facilmente onde está o ponto a ser resolvido.

Se não houver outra maneira de pagar as dívidas mais urgentes, o conselho é que busque todas as informações possíveis sobre a antecipação. Além disso, é imprescindível ter certeza de que a declaração entregue ao governo está inteiramente correta, caso contrário, pode cair na malha fina e o contribuinte terá que arcar com o empréstimo do próprio bolso. É importante procurar um especialista contábil para evitar esse contratempo.

Caso os juros da dívida que está pagando sejam maiores do que os da antecipação, pode ser um bom negócio. No entanto, é de grande valia uma boa pesquisa entre os bancos, pois, como a disputa é grande, as taxas cobradas variam muito. Por isso, sempre reforço a importância de não deixar a entrega da declaração para a última hora. Se a questão dos juros maior do que o da antecipação não for o seu caso, o melhor é aguardar sua restituição com paciência, visto que ela estará sendo corrigida pela taxa Selic.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), autor de vários livros e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira.