Alta Selic: qual o impacto?

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Li hoje pela manhã que é muito provável que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promova outro aumento da taxa Selic, ou seja, a taxa básica de juros do país. O detalhe é que essa taxa já está em seu maior patamar em quase nove anos, 13,75% ao ano. Especialistas dizem que a alta deve ser de 0,25 a 0,5 ponto percentual.

Para explicar melhor qual o impacto dessa notícia, resolvi escrever esse artigo. Os reflexos são em todo o mercado, no entanto, no dia a dia da população consumidora é onde eles são mais observados e sentidos, principalmente para aqueles que estão endividados – 62% da população, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada em julho pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Isso acontece porque, quando a taxa Selic aumenta, os outros juros também aumentam, fazendo com que as dívidas já contraídas fiquem ainda maiores. Imaginem as de cheque especial, por exemplo, que já está no patamar de 268,79% ao ano, ou de cartão de crédito, que cobra 312,75% ao ano de juros? Para os que estão endividados nessa modalidade, já passou da hora de analisar bem as contas e começar a trabalhar a causa do problema, para que ele não se repita, buscando educar-se financeiramente.

E esse processo passa por uma mudança de comportamento em relação ao uso e à administração do dinheiro, o que implicará no fim da era do consumo exacerbado e impulsivo. O momento é de muita cautela e precaução, pois a saúde financeira e a realização dos sonhos das famílias dependerão dessa conscientização. É preciso reestruturar o orçamento financeiro e assumir o controle da situação, antes que se torne insustentável.

Boa hora para investir

Aos que não estão endividados e, melhor ainda, possuem o costume de poupar para realizar seus objetivos de vida, a alta da Selic é uma boa notícia, principalmente para as aplicações de renda fixa em que o rendimento é atrelado a essa taxa, como os CDBs pós-fixados, os fundos DI, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e títulos negociados via Tesouro Direto.

O que não significa que, quem tem um dinheiro em mãos para investir, deve colocar integralmente nessas modalidades, até porque, a aplicação deve ser escolhida de acordo com o prazo do que você quer realizar com esse dinheiro: curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo prazo (acima de dez anos). Em uma primeira análise, posso afirmar que, para investimentos de curto prazo, é bastante interessante colocar o seu dinheiro nestas opções.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), autor de vários livros e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira.