O certo é certo, mesmo dando errado

O exercício diário de saber lidar com as derrotas no esporte sem deixar abalar a estrutura para manter-se no topo

Fellipe Drommond

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No último sábado, chegou ao fim a nona edição da Copa do Brasil de Futsal, a competição mais democrática do Brasil, que consagrou o merecido bicampeonato do Clube Esportivo e Recreativo Atlântico – Erechim/RS, após vencer o Magnus Futsal por 5×3, na Arena Sorocaba. Mais de quatro mil pessoas estiveram presentes em uma linda festa na cidade de Sorocaba/SP, para apoiar a nossa equipe, após um amplo trabalho de engajamento envolvendo nosso time de marketing, operacional, patrocinadores, imprensa e prefeitura.

Foram dez dias intensos na organização da final, exaltando o orgulho do cidadão sorocabano em apoiar o Magnus Futsal e envolvendo toda a comunidade local em um evento que contou com ativações na área externa da quadra, lounge VIP para os parceiros, tribuna de honra para as autoridades, camisetas e faixas para os torcedores, degustação de produtos, loja oficial do clube, serviço de A&B, todo o aparato de segurança para que os torcedores adversários pudessem estar presentes sem nenhuma intercorrência, DJ ditando o ritmo da festa ao lado do sempre animado Léo MC e uma área especial de acessibilidade para jovens com deficiência. Tudo pensado nos mínimos detalhes para um jogo histórico.

O resultado não poderia ser outro: assistimos à melhor partida de futsal da temporada 2025, com recorde de público na Arena Sorocaba, com o Magnus saindo ganhando por 2×0. E, quando tudo parecia caminhar para um dia perfeito, deparamo-nos com uma incrível virada no placar que consagrou o Atlântico campeão.

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E agora, como lidar com a frustração da derrota diante do seu público?

Parafraseando um grande amigo, Felipe Ximenes, autor do livro “O Certo é Certo. Mesmo Dando Errado”, não podemos permitir que o resultado de uma partida altere todo o processo construtivo. O esporte é feito de vencedores, mas muitas vezes não sabemos valorizar e enxergar o peso de uma conquista que não necessariamente está conectada ao topo do pódio, mas à representatividade do trabalho realizado. Ser vice-campeão, conquistar uma medalha de prata — apesar da dor momentânea da derrota — é um feito que merece e precisa ser exaltado com muita alegria. Mesmo não sendo o “certo” que gostaríamos que fosse naquele momento, traz a segurança de que o trabalho realizado mantém o nível de excelência.

Costumo dizer que, no esporte, não podemos prometer títulos, mas temos a obrigação de trabalhar por vitórias. Estar entre os quatro finalistas em todas as competições é uma prerrogativa que ostento à frente do Magnus Futsal desde o dia zero do projeto. Este lema nos conduz e nos aproxima das grandes conquistas o tempo todo. Campeão ou não, existe uma série de variáveis no jogo que poderão definir o resultado a favor ou contra, mas valorizar o caminho que nos conduziu até a festa final certamente mantém sempre alta a nossa chance de conquista. Confiança que não se abala diante da dificuldade, porque as diretrizes são claras e não se alteram em decorrência de um resultado adverso.

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Fácil certamente não é. Após uma derrota dura como a do último sábado, procuro me isolar por um ou dois dias, longe dos holofotes e do ambiente da equipe, para que nenhuma decisão, no calor da emoção, seja tomada de forma intempestiva. Isso é importante também para que nenhuma opinião emocionada possa influenciar sua forma de conduta e ação. A pressão é natural: torcedores pedindo mudanças, patrocinadores querendo mais desempenho, adversários provocando nas redes sociais, amigos e familiares tristes. Mas valorizar os seus na dificuldade e, principalmente, exaltar a conquista que eles alcançaram novamente é o primeiro passo para seguir forte em busca do próximo troféu.

Mais um dia histórico para o futsal brasileiro, do qual o Magnus Futsal fez parte. Ah, mas vocês fizeram festa para os outros? Não! A festa foi feita para o futsal brasileiro, para todos os amantes deste esporte maravilhoso e para o campeão da Copa do Brasil 2025, que merecidamente foi o Clube Esportivo e Recreativo Atlântico – Erechim/RS.

Que possamos viver e trabalhar por mais dias espetaculares para o futsal do Brasil.

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Fellipe Drommond

CEO do Grupo TFW , Founder do Magnus Futsal e presidente da LNF - Liga Nacional de Futsal. Com ampla experiência no mercado de marketing e gestão esportiva é uma das maiores referências de futsal no mundo. São três títulos mundiais de clubes, duas Copa Libertadores , uma Copa do Mundo, entre outras tantas conquistas importantes que o credenciam como presidente jovem mais vitorioso da história do futsal mundial. Além disso, acumula mais de 120 milhões de patrocínios captados para a modalidade e a realização de mais de 1000 jogos durante uma jornada de dez anos de carreira.