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Assumir uma posição raramente acontece em condições ideais. Normalmente, o discurso da transição organizada, do planejamento de 100 dias e da estrutura pronta fica bonito nos livros, mas pouco se sustenta na vida real.
Ao assumir a presidência da LNF – Liga Nacional de Futsal, o desafio consiste em reorganizar a estrutura da entidade com a competição em andamento, receita menor do que as despesas , ausência de uma estrutura organizacional e de governança e quadro enxuto de colaboradores. Não há tempo para parar, revisar ou esperar, é literalmente trocar o “pneu com o carro andando”.
Esse é o tipo de situação que testa mais do que competências técnicas. Testa maturidade, clareza de propósito e, principalmente, a capacidade de liderar pessoas em meio à instabilidade. Porque o maior erro de quem chega em uma nova função é acreditar que o problema está apenas na estrutura. Quase nunca está. O verdadeiro desafio está em como promover mudanças profundas sem deslegitimar quem construiu a história até ali.
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Existe uma tentação enorme de romper com o passado, de “começar do zero”, como se isso fosse sinal de força. Na prática, é sinal de imaturidade. Pessoas não são obstáculos à mudança, elas são o próprio caminho para o sucesso. Ignorar isso é a forma mais rápida de perder engajamento, confiança e, no limite, a operação.
O ponto nunca foi apagar a cultura existente, mas fazer com que todos compreendam que, para seguir relevantes, precisamos mudar a forma de pensar, decidir e executar. Certamente validando e colocando em prática o alicerce pavimentado pelas gestões anteriores que nos deram consistência para darmos continuidade no desenvolvimento do futsal brasileiro.
Quando não há orçamento, não há margem para discursos vazios. A única moeda disponível é coerência. Falar menos, explicar mais. Prometer pouco, entregar rápido. Mostrar, no dia a dia, que a mudança não era sobre cargos, vaidade ou poder, mas sobre construir uma LNF mais acessível, mais empresarial, com governança real e foco absoluto em eficácia.
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Isso incomoda. Toda mudança de cultura incomoda. Quem diz o contrário nunca liderou nada que realmente importasse, mas com o tempo traz segurança para todos os envolvidos e fortalecendo a entidade naturalmente conquista o reconhecimento para todos os colaboradores.
Ser Presidente, especialmente no início da jornada, é aceitar que você não terá todas as respostas, mas ainda assim precisará decidir. Importante ter pessoas de extrema confiança ao seu redor e confiança é ter pessoas para discordar de você para esclarecer um caminho melhor, sem vaidade. É entender que silêncio gera ruído e ausência gera insegurança. É saber que, quando o carro está em movimento, qualquer erro parece maior, mas a paralisia é sempre o pior deles.
Trocar o pneu com o carro andando não é uma metáfora heroica. É um alerta. Liderança não acontece no conforto, no excesso de recursos ou no cenário controlado. Ela acontece no caos, na escassez e na pressão. E, no fim, não é sobre o pneu. É sobre quem continua no carro acreditando que vale a pena seguir viagem para chegar como a LNF na elite do esporte mundial.