CEO à deriva – a decisão final não está nas suas mãos

Quando a bola rola, deixo de ser protagonista e assumo um papel mais difícil: o de espectador

Fellipe Drommond

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Foto: Pedro Trevisan/Magnus Futsal
Foto: Pedro Trevisan/Magnus Futsal

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Há momentos, no esporte e no mercado financeiro, em que a lógica do controle absoluto se desfaz diante dos nossos olhos. Como CEO do Magnus Futsal, acostumei-me a tomar decisões estratégicas, montar equipes de alta performance, gerir crises e construir um ambiente favorável para que o resultado aconteça. Ainda assim, quando a bola rola, deixo de ser protagonista e assumo um papel mais difícil: o de espectador.

Para o esporte de alta performance, que não é diferente de qualquer outra profissão, a vitória começa muito antes do apito inicial. Ela nasce na escolha do elenco, na leitura de dados de performance, na cultura do vestiário, em toda a estrutura fornecida para o atleta performar, na obsessão por detalhes que parecem pequenos demais para serem notados, mas grandes o suficiente para, somados, definirem um título. Tudo isso para no momento final você assistir de longe as suas escolhas protagonizarem o espetáculo e ter em mãos – ou nos pés – a tomada de decisão que nos levará a vitória ou derrota.

No universo financeiro, a lógica é a mesma. Uma carteira vencedora não se constrói no calor do pregão. Ela depende de estudo, diversificação, disciplina e método. Investir sem preparo é como entrar em quadra improvisando jogadas: a probabilidade de perder é alta. Contudo, depois da análise, da escolha de ativos, da alocação estratégica e das proteções, chega a hora em que o investidor precisa assistir o mercado se movimentar, ou simplesmente torcer para sua leitura mercadológica não falhar.

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Ao longo dos anos, sofri muito com o momento em que me tornava um simples espectador na plateia, a derrota me fazia refletir sobre todo o trabalho realizado e a peculiaridade cruel do esporte é porque somente uma equipe sairá vencedora de uma competição. Diferente do mercado financeiro, onde uma movimentação bem sucedida pode colaborar com o resultado de milhares de pessoas pelo mundo. O desafio diário está em mudar mindset de avaliação da performance, para compreender que existem diferentes KPI’s, além do título, para avaliar o sucesso de uma equipe esportiva. Saúde financeira, aumento da receita, formação de atletas, ampliação de patrimônio do clube, modernização estrutural e  valorização dos ativos são pilares de uma gestão bem sucedida que podem materializar o sucesso, mas nada tão valioso para o público final quanto o gol no último segundo do jogo que lhe dará o troféu.

Eu acordo todos os dias agradecendo por mais uma oportunidade de ir busca da minha “sorte”, planejando todas as adversidades que o meu dia poderá ter – porque na maior parte do tempo da nossa jornada estamos resolvendo problemas –  mas principalmente mentalizo como eu poderei colaborar na capacitação da minha equipe para a tomada de decisão, porque o lance final que culminará na vitória estará sempre nas mãos dos nossos liderados.

Controlar as emoções para entender que o resultado nunca será imediato, mas no longo prazo a curva de valorização e o sucesso são absoluta certeza. Um líder com capacidade de formar bons tomadores de decisão nunca estará à deriva no comando do seu barco. Mesmo sem ter o protagonismo da última bola, o respaldo da personalidade do seu time e a consistência do trabalho o tornará vitorioso na sua trajetória.




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Fellipe Drommond

CEO do Grupo TFW , Founder do Magnus Futsal e presidente da LNF - Liga Nacional de Futsal. Com ampla experiência no mercado de marketing e gestão esportiva é uma das maiores referências de futsal no mundo. São três títulos mundiais de clubes, duas Copa Libertadores , uma Copa do Mundo, entre outras tantas conquistas importantes que o credenciam como presidente jovem mais vitorioso da história do futsal mundial. Além disso, acumula mais de 120 milhões de patrocínios captados para a modalidade e a realização de mais de 1000 jogos durante uma jornada de dez anos de carreira.