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Durante décadas, a combinação da etiqueta “Made in China” e desejo parecia impossível. O ranking 2025 Kantar BrandZ Chinese Global Brand Builders Top 50 explica a virada dizendo que a China deixou de ser apenas uma fábrica e se tornou um viveiro de marcas influentes. O TikTok (ByteDance), com liderança absoluta, reforça que a China não apenas exporta produtos, mas também exporta marcas, e faz isso com uma força sem precedentes. De tecnologia e carros a moda, videogames e e-commerce, os consumidores ao redor do mundo têm adotado o Made in China graças à sua sólida proposta de valor, velocidade de adaptação e inovação constante.
“As marcas chinesas deixaram de ser apenas alternativas acessíveis; elas são desejadas, escolhidas e recomendadas mundialmente”, conclui o relatório.

Fábrica de tendências
O rótulo “Made in China”, que por décadas foi sinônimo de escala sem refinamento, agora carrega outra energia: a de marcas que criam significado, moldam comportamento e definem o ritmo da cultura global. Laopu Gold transforma técnicas tradicionais em luxo contemporâneo. Labubu converte personagens em identidade cultural viral. Arc’teryx eleva a funcionalidade a um estilo de vida aspiracional. BYD projeta tecnologia para simbolizar futuro e progresso.
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Do luxo artesanal a mascotes pop, essas marcas mostram que a força da nova China está no domínio do design capaz de redefinir padrões globais.
Made in China no Brasil
A Timelens acompanhou a última década e identificou redução consistente dos rótulos negativos atribuídos a produtos chineses no Brasil.
A associação com “produto falso” recua de 6,5 para 1,3, mesmo com solavancos de 2020, período de pandemia. “Desconfiança” cai de 2,2 para 1,4. “Baixa qualidade” diminui de 4,5 para 3,5. “Feio” passa de 2,5 para 1,0. A confiança cresce de 5,4 para 9,1, chegando a valores entre cinco e sete vezes superiores aos índices de desconfiança.
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Ao mesmo tempo, os vetores que sustentam preço avançam. “Luxuoso” salta de 14,2 para 31,7, com inflexão clara a partir de 2021 e forte presença nos carros elétricos. “Caro” se estabiliza entre 10 e 13 pontos, sinal de uma premiumização aceita e entregue pelos produtos. “Custo-benefício” quase triplica, de 2,3 para 6,7, e passa a significar que o barato vale o que entrega.
Somando os atributos positivos e aspiracionais (luxuoso, alta qualidade, confiança, lindo e custo-benefício) e comparando com o bloco negativo (produto falso, baixa qualidade, desconfiança e feio), a relação evolui de aproximadamente 3:1 em 2015 para 8:1 em 2025.
Na percepção do consumidor brasileiro, o Made in China passa a ser interpretado como desejo, status e boa compra.
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Made in China × Marca-País
A ascensão das marcas chinesas cria uma tensão interessante entre percepção de produto e percepção de país. A imagem geopolítica da China permanece majoritariamente negativa em muitos mercados desenvolvidos. Pesquisa do Pew Research Center com 24 países indica que cerca de dois terços da população têm opinião desfavorável e apenas 28% expressam visão positiva. As marcas chinesas, porém, seguem outro caminho ao conquistar confiança, ampliar qualidade percebida e ocupar territórios antes dominados por empresas ocidentais.
Esse descolamento revela um fenômeno importante. A marca-país já não determina de forma rígida o destino das marcas, e são as próprias marcas que começam a influenciar a imagem do país. A entrega consistente de excelência cria evidências que renovam o imaginário global a partir da experiência real do consumidor. Mesmo em um cenário de vieses persistentes, o público passa a distinguir China como nação e Made in China como sistema de valor. O país continua sendo alvo de debate, enquanto as marcas ganham preferência e desejo.
O playbook do rebranding Made in China
A transformação do Made in China se explica pelo alinhamento crescente aos vetores essenciais de um rebranding contemporâneo. As marcas articulam visão estratégica, desafiam categorias estabelecidas, mantêm consistência na entrega e constroem conexão cultural. O ecossistema chinês deixa de ser guiado apenas por escala e se torna capaz de gerar relevância e confiança. As plataformas de e-commerce funcionam como infraestrutura integrada e aceleram esse processo ao criar novos hábitos de consumo e formar novas referências culturais.
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Dominar territórios de marca significa ocupar espaços claros e reconhecíveis em que negócio, proposta de valor e expressão operam de forma sincronizada para produzir resultado e relevância. As marcas preparadas para o futuro criam territórios que não se limitam a posicionamentos e funcionam como sistemas vivos que organizam inovação, narrativa, design e experiência. Quando conseguem equilibrar Negócio e Impacto, elas estabelecem áreas de liderança difíceis de replicar e consolidam territórios capazes de ditar expectativas, orientar comportamento e sustentar crescimento.