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Os Exchange-Traded Funds (ETFs) ou fundos de índice deixaram de ser novidade no Brasil para se tornar um dos pilares das carteiras de investimento. Negociados como ações, com custos menores e transparência diária nos seus sites, os ETFs permitem ao investidor acessar índices, classes de ativos e estratégias inteiras com um clique — e com liquidez que rivaliza com papéis individuais.
No Brasil, a expansão tem sido notável: segundo dados da B3, o mercado local já atraiu mais de 1 milhão de investidores e acumula cerca de R$ 62 bilhões em patrimônio, sinalizando que o produto saiu do nicho institucional e conquistou o varejo. Além disso, o número de fundos listados só cresce à medida que gestoras lançam ETFs temáticos e de renda fixa para ampliar oferta.
Apesar dos recentes discursos de membros da CVM, que indicam maior flexibilidade, no futuro, para ETFs ativos, hoje no Brasil todos os fundos devem seguir um índice pré-determinado e calculado por um prestador de serviço independente. Dada a realidade macroeconômica, os fluxos maiores de recursos vão para os fundos de renda fixa, especialmente soberana.
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O tesouro direto é um ótimo meio para os investidores comprarem títulos do governo diretamente, mas os ETFs têm vantagens tributárias já que, se atendidas algumas condições, o imposto para o comprador é de 15% independente do prazo dos investimentos. Além disso, dificilmente haverá aqueles momentos em que não é possível comprar e vender títulos, como ocorre em momentos de volatilidade, e o custo é competitivo.
Mais recentemente surgiram também fundos listados que compram títulos corporativos também, as debentures. A grande vantagem desse tipo de fundo é que são eficientes, não precisam carregar grande parcela de caixa e tem liquidez em dois dias, como uma ação e podem ter regime tributário mais favorável independente do prazo de investimento.
Como a liquidez desses ativos é muito menor do que as principais ações, o universo de títulos operados não é grande e é mais difícil para o formador de mercado montar posição, pois é difícil neutralizar o risco de crédito no Brasil, para não dizer impossível.
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Outro benefício é a facilidade com que os ETFs permitem a diversificação internacional, alguns dos maiores fundos oferecem exposição à renda variável no exterior e há ainda os BDR de ETFs.
Já em ações domésticas os gestores já se preparam para possível melhora das condições macroeconômicas ao lançar produtos com teses novas e interessantes como de fatores que permitem exposição ao risco com mais foco, como qualidade ou baixa volatilidade. O avanço dos ETFs inclui classes de ativos alternativas, como imóveis e até criptomoedas e de novos gestores.
A liquidez desses fundos na bolsa é grande e é normalmente maior do que simplesmente o que foi negociado, já que o formador de mercado está sempre pronto para prover liquidez para quem quer comprar ou vender cotas. Uma medida interessante é a diferença (spread) entre a melhor ordem de compra e de venda.
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Uma novidade recente é a possibilidade de distribuição de dividendos, possibilitando uma nova classe de ativos para os investidores que gostam de renda recorrente, como os fundos listados de imóveis, de infraestrutura e do agronegócio.
Em geral o rápido crescimento dos ETFs é explicado pelos custos (expense ratios) muito inferiores aos fundos ativamente geridos e sua eficiência fiscal atraem investidores sensíveis a taxas.
Operacionalmente, o mecanismo de criação/resgate de cotas por participantes autorizados garante que o preço de mercado do fundo siga de perto seu valor patrimonial, oferecendo arbitragem que preserva a convergência entre mercado e cesta subjacente, diferente dos fundos imobiliários, por exemplo, como o leitor deve saber bem.
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Se o preço de mercado estiver muito superior à cota do fundo, informação de fácil acesso, um investidor profissional pode pedir comprar as ações e trocar por cotas, ou vice-versa.
O que isso significa na prática para o leitor? ETFs são instrumentos poderosos para construir alocações eficientes, desde uma carteira simples com um ETF de mercado, diversificado, até estratégias mais sofisticadas com ETFs de fatores, setores ou ativos alternativos.
Porém, como todo produto financeiro, exigem uma leitura atenta: avaliar liquidez, spread, patrimônio do fundo e taxa de administração.