Posicionamento é o novo currículo no mercado financeiro: não basta ser excelente, é preciso ser percebido como tal

O ponto cego é simples: as pessoas só valorizam o que conhecem

Darla Sierra

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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No mercado financeiro, ainda existe a crença de que basta entregar resultado para ser reconhecido. Mas em um ambiente competitivo, com novos players, plataformas digitais e clientes cada vez mais informados, visibilidade deixou de ser um bônus — virou diferencial estratégico.

O ponto cego é simples: as pessoas só valorizam o que conhecem. Não adianta ser excelente no backoffice, estudar de madrugada, bater metas ou construir carteiras robustas… se ninguém sabe disso. E vale observar: esse raciocínio não é exclusivo do mercado financeiro. Nós buscamos referências e validações de profissionais em praticamente todos os setores.

Muitos confundem posicionamento com autopromoção, ou acreditam que marca pessoal é sobre “parecer importante”. Não é. Posicionamento é clareza, método e consistência.

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A tese desta coluna é direta: ter currículo é ser competente; ter posicionamento é ser percebido como competente.

Talvez você tenha pensado: “Sério, estou gerando resultado sem pensar em nada disso.” Eu acredito. Mas te devolvo duas perguntas: o resultado tem vindo proporcional ao esforço que você coloca? E se a sua comunicação fosse estratégica, será que os convites e oportunidades não estariam chegando em outro ritmo?

Quando o posicionamento está claro, ele abre portas silenciosamente. Os convites para lançar meus dois livros surgiram através do meu posicionamento digital. O convite para ser Embaixadora B2B XP, palestrar para um grupo de 800 executivas na Colômbia sobre construção de marca pessoal e moderar um painel técnico em inglês na Expert 2025 (com o Artur Wichmann, CIO da XP, e David John, da BlackRock) nasceram do mesmo lugar. O meu nome estava nas mesas ( ou seja, na memória das pessoas) porque a minha comunicação o levava até lá.

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A competência silenciosa não vence a disputa por atenção

Competência silenciosa perde espaço para narrativa clara. Não é sobre gritar, é sobre ser encontrável. Não é necessariamente sobre ser a melhor, mas sobre ser lembrada pelo que faz melhor.

Poucos profissionais aprendem a traduzir valor em percepção. Passamos anos dominando produtos, cenários e técnica, mas quase nada sobre como comunicar isso de forma estratégica. É exatamente aí que mora o jogo: autoridade é construída no discurso, antes de ser reconhecida no desempenho.

O erro que atrasa carreiras promissoras

As crenças que mais limitam profissionais excelentes costumam ser:

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Enquanto você espera ser encontrado, alguém menos qualificado ocupa seu espaço digital, sua oportunidade e seu reconhecimento.

Quando o posicionamento se torna ativo profissional

Narrativa clara reduz atrito. As oportunidades chegam pela porta da frente, networking vira convite e não pedido, e a referência é construída sem precisar performar o tempo todo.

A Harvard Business Review vai ao ponto: marca pessoal é “um investimento real” na carreira, e não uma performance de vaidade. Em última análise, o que conta não é audiência, é reputação percebida. E isso se constrói com resultado, com posicionamento, comunicação, constância e estratégia.

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Três perguntas para começar agora

1. Pelo que você quer ser lembrado? (uma frase)
2. Qual dor real você resolve? (seja específica)
3. Onde as pessoas te encontram com consistência? (semanalmente)

Se as respostas parecerem simples demais, provavelmente estão na direção certa.

O framework da marca pessoal Esse framework faz parte da metodologia que venho aplicando há anos com centenas de mulheres — em palestras, mentorias, treinamentos corporativos e conteúdo no Instagram. Ele resume os pilares que construíram, na prática, a minha marca pessoal e a de outras executivas que acompanhei ao longo da carreira.

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É um modelo simples, mas profundo: seis elementos que, combinados, sustentam uma marca forte, percebida e convidada.

  1. Conhecimento especializado: Saber profundamente o seu objeto de trabalho.
  2. Credibilidade Entrega: consistente que constrói reputação e prova concreta do que você promete.
  3. Comunicação poderosa: Dizer o essencial de forma clara, humana e estratégica — no tempo certo.
  4. Constância: Repetir o que importa até ser lembrada pelo que faz de melhor.
  5. Conexões Relações: genuínas que multiplicam oportunidades e abrem portas silenciosas.
  6. Comunicação digital: Transformar presença online em visibilidade, autoridade e convites reais.

Calma, nós vamos ter muitos artigos aqui na coluna para explorar cada um desses aspectos. Nesse meio, tempo, meu segundo livro, o Manual da Comunicação Poderosa, já está em pré-venda na Amazon.

Para encerrar nosso primeiro bate-papo por aqui:

Posicionamento é sobre ser claro e coerente no que você faz, para o público que você atende, e no estilo da sua comunicação, verbal e não-verbal.

No fim, quem se comunica bem não é quem fala mais; é quem fala o essencial, com frequência e intenção.

Esta é a estreia da minha coluna quinzenal no InfoMoney. Entre uma edição e outra, seguimos a conversa no @meninasde30.

Porque comunicação estratégica transforma carreiras.

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Darla Sierra

Empresária, escritora, palestrante, sócia e CEO da VLG Investimentos | XP e @adarlasierra no Instagram, com quase duas décadas no mercado financeiro. Autora do livro "Geração de Fazedoras" (2022) e “ Manual da Comunicação Poderosa (2025) formou-se em Letras Português pela Universidade de Brasília, com estudos em Finanças Comportamentais pela Universidade de Chicago (2019) e especialização em liderança pela Universidade de Stanford (2022).