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Copa do Mundo, eleições, crises geopolíticas, tensões econômicas, polêmicas que se renovam a cada ciclo de notícias… As manchetes vão se atropelar em tempo real e a sensação de urgência será constante, quase sufocante. Tudo parecerá importante, decisivo e vai parecer exigir ação imediata.

Mas o verdadeiro desafio de 2026 não está no que vai acontecer. Está em como você vai responder.
Em 1971, o economista Herbert Simon escreveu interessante: “A riqueza de informação cria uma pobreza de atenção”. Ele estava certo, mas subestimou a escala do problema.
Hoje, o americano médio passa 10 horas por dia consumindo conteúdo digital, segundo dados da Nielsen. No Brasil, ficamos 9 horas e 32 minutos conectados, o terceiro país que mais consome internet no mundo.
Mas isso não é um problema tecnológico, é econômico. Sua atenção vale dinheiro. Quanto mais disperso você fica, mais anúncios vê, mais tempo permanece, mais dados gera.
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E 2026, com sua carga de eventos polarizadores, será um ano excepcional para esse mercado.
O custo invisível da reação constante
Nos últimos anos, acompanhei investidores experientes (gente com décadas de mercado) tomando decisões erráticas durante ciclos eleitorais.
Em 2022, o Ibovespa oscilou cerca de 28% entre mínima e máxima ao longo do ano eleitoral. Quem tentou acompanhar cada virada de pesquisa e declaração polêmica certamente não teve uma estratégia muito interessante.
Warren Buffett tem uma frase irritantemente simples sobre isso: “O mercado de ações é um dispositivo para transferir dinheiro do impaciente para o paciente”. Acontece que paciência, em 2026, vai ser um ativo mais que raro.
A questão não é se você vai se informar sobre eleições ou acompanhar a economia. Claro que vai. A questão é quanto do seu dia será consumido reagindo a ruídos que não afetam concretamente suas decisões.
Há uma armadilha cognitiva que poucos percebem: confundir consumo de notícia com compreensão de contexto, e confundir opinião com ação.
Conheço executivos que passam duas horas por dia em grupos de WhatsApp debatendo cenários políticos, mas não revisam o próprio planejamento tributário há dois anos. Investidores que acompanham obsessivamente o noticiário sobre o Fed, mas nunca calcularam quanto precisam acumular para se aposentar. Empreendedores que têm opinião formada sobre tudo, mas cuja empresa não cresceu nos últimos três anos.
O psicólogo Daniel Kahneman demonstrou algo fundamental em seus estudos: nosso cérebro tem capacidade limitada de processamento. Quando bombardeado por estímulos constantes, ele recorre a atalhos, esses que geram decisões ruins.
Quanto mais você reage, menos você pensa.
O paradoxo do mercado em ano eleitoral
Existe um dado pouco comentado sobre anos eleitorais no Brasil: historicamente, os ciclos políticos têm impacto menor nos retornos de longo prazo do que as pessoas imaginam. Entre 2002 e 2022, atravessamos cinco eleições presidenciais com desfechos muito diferentes. Estudos sobre comportamento de investidores mostram que a manutenção de estratégias consistentes, com rebalanceamento disciplinado, tende a superar tentativas de timing baseadas em ciclos políticos.
Mas a narrativa do medo e da oportunidade sempre vende.
Em janeiro de 2023, logo após as eleições, o volume de buscas por “onde investir em 2023” explodiu. Milhões de pessoas querendo saber o que fazer com o dinheiro depois que o resultado saiu. O problema: quem esperou a resposta política para investir perdeu o timing real que estava na estratégia, não na manchete.
2026 vai repetir esse ciclo, com intensidade ampliada. Haverá meia dúzia de “melhores momentos” anunciados por analistas e dezenas de “cenários prováveis” que se contradizem a cada semana.
No fim, caro leitor, o que vai separar quem acumula patrimônio de quem acumula ansiedade será a mesma coisa de sempre: disciplina.
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A minoria que constrói
Toda vez que o barulho aumenta, existe um grupo que desaparece da conversa.
São os empreendedores que aproveitam anos caóticos para ganhar participação de mercado enquanto concorrentes estão paralisados e os investidores que compram ativos bons a preços distorcidos pelo pânico coletivo.
Essa minoria não é mais inteligente. Apenas fez uma escolha consciente sobre onde colocar energia limitada. E essa escolha, repetida ao longo de um ano, gera uma diferença brutal de resultado.
Uma sugestão prática
Se você quer atravessar 2026 com algo concreto para mostrar no fim, vale o exercício: pegue sua agenda da última semana e some quantas horas foram para discussões que não mudaram nada na sua vida real. Depois, compare com quantas horas foram para decisões que movem ponteiros (investimentos revistos, projetos executados, relações cultivadas, aprendizado aplicado).
A conta costuma ser incômoda.
Não estou sugerindo alienação, estou sugerindo hierarquia. Você pode votar, se informar, ter posição política e, ao mesmo tempo, não deixar que o ciclo de notícias dite sua rotina.
Porque no fim, 2026 não vai ser lembrado pelos eventos que aconteceram, mas pelas escolhas que cada um fez diante deles. Alguns terminarão exaustos, com a sensação de terem participado de tudo e construído pouco. Outros terminarão com patrimônio maior, carreira consolidada, projetos concluídos. Você ainda pode escolher em qual lado estará no dia 31/12/2026.
Nos vemos em breve, até a próxima.