O que aprendi sobre dinheiro em 20 anos no mercado e por que o papel do assessor de investimentos nunca foi tão importante

Quanto mais opções surgiram, mais evidente ficou uma necessidade antiga: orientação qualificada

Darla Sierra

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Quando comecei no mercado financeiro, há 20 anos, o acesso a investimentos era restrito. Poucas instituições, poucos produtos e pouca competição.

O investidor brasileiro tinha basicamente dois caminhos: a poupança ou o gerente do banco. E não se engane, o papel desse artigo não é demonizar o gerente. Eu fui gerente de banco por 10 anos, e, sem modéstia nenhuma, uma excelente gerente.

Porém, o fato é que de lá para cá, o mercado passou por uma transformação profunda. A competição aumentou, os produtos se sofisticaram e o investidor ganhou mais autonomia. Pode de escolha mesmo.

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Curiosamente, quanto mais opções surgiram, mais evidente ficou uma necessidade antiga: orientação qualificada. É nesse contexto que o papel do assessor de investimentos ganha relevância.

Um parêntesis necessário

Confesso que observo a “disputa de narrativas” entre as diferentes classes de profissionais do mercado financeiro com um olhar de certo desdém. Consultor, assessor, gerente, planejador… No final das contas, pouco importa o rótulo. Deixe claro o seu modelo para o cliente. Seja transparente sobre como você trabalha e como é remunerado. E entregue excelência. Entregue excelência de forma constante! Esse é o seu maior legado.

Atacar o modelo do outro não te torna mais profissional. Só te transforma em alguém ruidoso. Dito isso, seguimos.

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O mercado mudou

Nos últimos anos, o Brasil viveu uma verdadeira democratização do acesso a investimentos. Novas plataformas, maior transparência de produtos, mais produtos, tecnologia e concorrência mudaram a dinâmica de um mercado que antes era altamente concentrado. E acredite, ainda há um espaço absurdo de melhoria e desconcentração.

Essa transformação trouxe ganhos claros para o investidor: mais opções, mais eficiência e, muitas vezes, melhores custos.

Mas também trouxe um efeito colateral importante. Hoje, o desafio do investidor deixou de ser acessar produtos e passou a ser tomar boas decisões.

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Informação não é estratégia

Vivemos uma era em que a informação financeira é abundante. Relatórios, podcasts, redes sociais, análises, recomendações. Influenciadores dos mais diversos perfis: alguns extremamente razoáveis, outros apocalípticos caçadores de cliques.

Mas informação não é sinônimo de estratégia. E o excesso de informação sem curadoria pode ser um problema gigante para o investidor. Ter acesso a muitas opiniões não significa ter um plano consistente para construir patrimônio ao longo do tempo.

É justamente nesse ponto que o assessor de investimentos exerce seu verdadeiro papel: não apenas apresentar produtos, mas ajudar o investidor a tomar decisões coerentes com seus objetivos, horizonte e perfil de risco.

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E por isso, você precisa de um assessor para chamar de seu.

“Ah, mas o conflito de interesse?”

Por natureza, praticamente qualquer profissão pode incorrer em conflito de interesse. E, sendo bem transparente com você, isso pode acontecer com assessor, planejador, gerente de banco ou consultor. Fuja de quem diz o contrário.

A relação com um assessor precisa partir de um ponto fundamental: confiança construída ao longo do tempo. O quanto, de fato, ele se interessou em entender quem você é e quais são os seus objetivos?

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Se eu puder te deixar um checklist simples para te ajudar nessa escolha, aqui vai:


O que mudou para mim em 20 anos

Depois de duas décadas acompanhando investidores, uma coisa ficou clara: os melhores resultados raramente vêm de grandes apostas. E talvez essa seja a principal lição que o tempo me trouxe no mercado financeiro.

Investir bem não é sobre encontrar o produto perfeito. É sobre construir uma estratégia que faça sentido para a vida de cada pessoa.

No final das contas, o mercado financeiro é muito mais sobre pessoas do que sobre números. Quem melhor entende o cliente e o que ele precisa vai conseguir se destacar. O investidor continua precisando de clareza, estratégia e disciplina.

E o papel do assessor de investimentos, quando bem exercido, é justamente ajudar a transformar decisões financeiras em projetos de vida.

Aos colegas assessores de investimento, parabéns pelo nosso dia. Se orgulhem do que a gente faz! E fica o desafio de subirmos cada vez mais a barra de profissionalismo e excelência para todo o mercado financeiro.

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Darla Sierra

Empresária, escritora, palestrante, sócia e CEO da VLG Investimentos | XP e @adarlasierra no Instagram, com quase duas décadas no mercado financeiro. Autora do livro "Geração de Fazedoras" (2022) e “ Manual da Comunicação Poderosa (2025) formou-se em Letras Português pela Universidade de Brasília, com estudos em Finanças Comportamentais pela Universidade de Chicago (2019) e especialização em liderança pela Universidade de Stanford (2022).