Como se destacar sem precisar gritar: a força da autenticidade no digital

Posicionamento digital não substitui reputação offline. Ele a potencializa

Darla Sierra

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Durante muito tempo, executivos associaram presença digital à exposição excessiva. A ideia de “se colocar” online ainda desperta resistência, especialmente entre quem construiu carreira no offline, com reputação sólida, resultados consistentes e relações bem estabelecidas.

O problema é que, ao evitar completamente o digital, muitos profissionais acabam renunciando a algo essencial hoje: a velocidade de entrega da própria mensagem.

Porque, gostemos ou não, o digital não criou a necessidade de posicionamento, ele apenas acelerou o processo. Uma pesquisa do FTI Consulting (EUA) revela que 92% do professionais tendem a confiar mais em uma empresa em que um executivo está em uma rede social. Isso tudo porque nós queremos fazer negócio com quem temos a sensação de que conhecemos.

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Vi um post recente da @aceleradordeaudiencia falando que uma das tendências que já apareceu em 2025 é a de CEO Creator: “A parcela de CEOs da Fortune 100 (100 maiores empresas dos Estados Unidos) que posta pelo menos mensalmente cresceu +47% em 2025″.

Proximidade não é intimidade

Existe uma confusão comum entre ser próximo e ser íntimo. Proximidade gera conexão; intimidade exige acesso. E posicionamento estratégico não pede acesso total, pede clareza de narrativa.

Ser próximo no digital não significa expor tudo, mas humanizar o suficiente para ser compreendido, lembrado e reconhecido. O erro está em achar que autenticidade é sinônimo de vulnerabilidade irrestrita. Não é.

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Autenticidade é coerência entre discurso, postura e entrega. É possível ser humano, acessível e interessante sem abrir mão de limites.

Mostrar camadas e recortes da nossa vida e carreira traz proximidade. Fazer pessoas entenderem o que você faz, como você faz e o que te diferencia. Como os jovens de hoje diriam: o seu molho. Intimidade é outra história.

O medo de se expor nasce da falta de controle da narrativa

Grande parte da resistência dos executivos ao digital vem do medo de perder controle. Quando não existe estratégia, qualquer exposição parece risco. Quando há método, exposição vira curadoria.

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Posicionamento é escolha. Escolha de temas, de linguagem, de frequência, de recortes. Você não se mostra inteiro, você mostra fragmentos intencionais da sua história profissional, do seu pensamento e da sua visão de mundo.

É exatamente isso que constrói autoridade: não o excesso de informação, mas a repetição coerente do que importa.

Clara Sodré, executiva da XP, e eu, fizemos um bate-papo no sofá da VLG conversando sobre esse tema. Vou deixar um destaque no meu instagram @meninasde30 para você conferir.

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Storytelling não é performance, é estrutura

No livro Storytelling, Carmine Gallo reforça que grandes líderes não se destacam por falar mais alto, mas por organizar ideias de forma memorável. Storytelling não é somente contar histórias bonitas, é dar sentido, sequência e emoção ao conteúdo certo.

Quando aplicamos isso ao posicionamento digital, o raciocínio é simples: quem não organiza a própria narrativa deixa que o mercado faça isso por ele. O famoso “quem não se posiciona é posicionado”.

Storytelling, aqui, é método. É decidir qual mensagem se repete, qual valor se sustenta e qual imagem permanece quando você sai da sala ou quando alguém fecha o seu perfil.

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O digital acelera o offline

Posicionamento digital não substitui reputação offline. Ele a potencializa. Ele faz com que, quando você chega a uma reunião, a um palco ou a uma negociação, as pessoas já saibam quem você é e como você pensa.

É isso que reduz atrito, encurta caminhos e qualifica oportunidades. O digital não cria autoridade do zero, mas dá escala e velocidade à autoridade que já existe.

E talvez esse seja o ponto central: quem se comunica bem não precisa gritar. Precisa apenas ser consistente.

Eu te recomendo a leitura desse livro porque vai te ajudar no posicionamento digital e em apresentações e reuniões. Imagina ficar muito bom em contar história, o que quer dizer ficar bom em convencer? Agora imagina acelerar isso com um belo posicionamento digital que faz o cliente (e o mercado) pensar em você quando ele pensar em negócios?

Autenticidade é estratégia, não improviso

Destacar-se sem gritar exige intenção. Exige saber onde se posicionar, o que dizer e, principalmente, o que não dizer. Autenticidade não é espontaneidade absoluta. É alinhamento entre essência e estratégia.

No fim, o digital não pede mais exposição. Pede mais consciência.

Consciência de que proximidade constrói confiança.
Consciência de que narrativa organiza reputação.
Consciência de que silêncio, hoje, não é neutralidade, é ausência.

A verdade é que você não precisa se expor mais. Precisa se posicionar melhor.

Quem constrói uma narrativa clara não disputa atenção. É naturalmente lembrado. É assim que se cria comunidade em torno de ideias, negócios e marcas. E isso, no mundo atual, é influência.

Como escreve Rafael Coimbra, ao analisar a Creator Economy, vivemos uma cultura participativa em que mídias antigas e novas não se substituem — coexistem em ecossistemas híbridos (MIT Technology Review, “Como representar 8 bilhões de pessoas?”).

Minha leitura prática disso é simples: a sua carreira corporativa não está separada da sua presença digital. O seu posicionamento precisa ser coerente em todos os pontos de contato em que você é acessado.

Essa é, inclusive, a base do método que desenvolvi ao longo dos anos e que aprofundo no Manual da Comunicação Poderosa: comunicação não como exposição, mas como estratégia.

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Darla Sierra

Empresária, escritora, palestrante, sócia e CEO da VLG Investimentos | XP e @adarlasierra no Instagram, com quase duas décadas no mercado financeiro. Autora do livro "Geração de Fazedoras" (2022) e “ Manual da Comunicação Poderosa (2025) formou-se em Letras Português pela Universidade de Brasília, com estudos em Finanças Comportamentais pela Universidade de Chicago (2019) e especialização em liderança pela Universidade de Stanford (2022).