A fragilidade estrutural dos escritórios de investimentos

Os últimos anos não foram fáceis para os escritórios de investimentos

Jorio Jadjiski

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Existe uma verdade incômoda, e pouco dita, no mercado financeiro brasileiro: grande parte dos escritórios de investimentos não são, de fato, empresas.

São, na prática, cooperativas. Estruturas onde profissionais compartilham marca e infraestrutura, mas com baixa integração, pouca padronização e quase nenhuma governança real.

E o ponto mais sensível: a maioria dos gestores sabe disso. Mas poucos enfrentam, de fato!

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Porque, enquanto o resultado vem, a estrutura pode ser ignorada. Até deixar de funcionar.

Você já parou para refletir se, no fundo, isso também acontece dentro da sua operação?

Falo isso com alguma tranquilidade. Antes de empreender no mercado financeiro, atuei por quase 20 anos como executivo em grandes empresas, com responsabilidade direta em planejamento estratégico, finanças, operações, projetos, RH e integração.

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E o contraste é claro.

1. Um cenário difícil expõe quem tem estrutura e quem não tem

Os últimos anos não foram fáceis para os escritórios de investimentos. Juros elevados trouxeram concorrência mais forte dos grandes bancos, produtos mais simples para o cliente e compressão de margens.

Esse cenário não cria problemas. Ele expõe.

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E o que fica evidente, para quem olha com honestidade, é a fragilidade de muitas estruturas:

Quando o resultado aperta, sua operação responde com estrutura ou com esforço?
Não é um problema pontual. É estrutural.

2. Consistência vale mais do que espasmos

Um erro recorrente, e perigoso, é confundir picos de performance com qualidade de operação.

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Resultado isolado não é consistência. E muitos negócios ainda operam como se fosse.

Empresas bem geridas entregam previsibilidade, estabilidade e disciplina.

Estruturas frágeis vivem de espasmos, e, no longo prazo, isso cobra. Sempre cobra.

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Seu resultado é consistente ou depende de momentos fora da curva?

3. Governança não é luxo. É defesa.

Em ciclos mais desafiadores, a governança deixa de ser opcional. Ela deixa de ser discurso e vira necessidade.

É o que permite:

E aqui existe um erro clássico de interpretação no mercado: estrutura não é custo, é investimento em previsibilidade.

O problema não é o CDI alto. É a falta de estrutura para operar bem com ele. E isso, na maioria dos casos, está dentro de casa.

4. Pessoas não são consequência, são a base

Existe um ponto que o mercado ainda subestima: Não existe consistência sem um ambiente bem estruturado para as pessoas.

E aqui também existe uma ilusão comum, acreditar que meritocracia acontece naturalmente. Não acontece.

Meritocracia de verdade é construída com disciplina:

Além de gerar valor para o cliente, empresas bem construídas geram valor para todos que fazem parte delas.

Sem isso, não há cultura. E sem cultura, não há consistência.

Seu time entende claramente como crescer dentro da empresa, ou isso ainda é subjetivo?

5. Gestão de verdade exige disciplina

Na Stellar Capital, essa construção passa por alguns pilares simples, mas difíceis de executar:

Sempre com um cuidado central que repito desde a fundação para os executivos: estruturar sem burocratizar.

Porque o excesso de estrutura pode travar. Mas a ausência dela compromete o negócio inteiro.

6. O que esse ciclo vai deixar claro

O cenário atual está fazendo uma seleção natural no mercado.

E ela não é confortável.

Vai separar quem construiu empresa de quem opera como uma cooperativa.

E, talvez o mais duro: Vai expor quem sempre soube disso, mas adiou a mudança.

Se você sabe onde estão as fragilidades do seu negócio, a pergunta é simples, o que está esperando para enfrentar?

No fim, não é o cenário que define quem cresce. É a estrutura.

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Jorio Jadjiski

Jorio Jadjiski é fundador e CEO da Stellar Capital. Com quase 20 anos de experiência como executivo em grandes empresas, hoje atua na gestão de um modelo de Multi Family Office vinculado a XP, baseado em governança, disciplina de execução e visão de longo prazo.