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Embora a imprensa não faça grande alarde com os números, dia 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto de 2016 são de longe as três maiores manifestações deste país. Muitos que se opõem a este governo e ao PT preferiram ficar em casa e não se manifestar, acreditando que os protestos não dão em nada. Tais pessoas são motivadas por um misto de comodismo, conformismo e imediatismo na medida em que gostariam que, com apenas um protesto, os problemas se resolvessem da noite para o dia e o Brasil passasse a ser um pais desenvolvido. Só no mundo dos revolucionários que tudo se “resolve” da noite para o dia e os trágicos resultados são mais que conhecidos. Como a democracia envolve divergências, é natural e esperado que seja um processo lento mesmo.
Concretamente, é evidente que as manifestações enfraqueceram o governo e o PT ao cobrarem menos corrupção e mais competência na área econômica dos governantes. É notório como até agora o governo e o PT não sabem lidar com a oposição da sociedade civil. A propaganda desastrosa do PT da semana passada, a fala do ex-presidente Lula e do chefão da CUT, ameaçando colocar respectivamente o MST e a militância armada na rua em reação aos protestos (veja aqui na InfoMoney), são amostras claras do desespero petista.
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Além de pedirem o impeachment, a população protestou contra o senador Renan Calheiros (PMDB) ao costurar um acordão para tentar salvar Dilma no TCU pelas suas pedalas fiscais. Também vimos manifestantes contra a imprensa chapa branca, inclusive denunciando com cartazes jornalistas claramente governistas. Além de repudiarem a ligação fisiológica do senador com o PT (aqui), a pressão popular fez com que Aécio Neves descesse do muro tucano e fosse às ruas como oposição.
Independentemente se Dilma cairá, é muito bonito ver uma tomada de consciência dos brasileiros que trocam o futebol de domingo para sair às ruas entendendo que Brasília não é mais um mundo à parte e que as decisões tomadas lá afetam diretamente a vida de cada cidadão. É motivo de orgulho ver uma população despertar contra a corrupção, contra os acordões, contra o descontrole de contas públicas, entendo que o tal “dinheiro público” é na verdade o dinheiro da população oriundo de muito trabalho. O brasileiro começou a tomar consciência de que o político está lá a seu serviço, para lhe representar, e não o contrário. Mais do que isso: começou a entender que sua participação ativa na vida política é essencial na construção de um país mais desenvolvido. Ou será que os países desenvolvidos nasceram prontos e a população apenas esperou soluções milagrosas de seus governantes?