Por que o PT tem medo de panelaço?

O panelaço de ontem mostrou que a rejeição não é apenas pela Dilma, mas por Lula e pelo PT. A manifestação popular, espontânea e generalizada pelo Brasil evidencia que Lula pode perder as eleições em 2018, se for candidato. Mas o risco não é apenas eleitoral. O ato representa a perda de controle do PT  sobre a maior parte da sociedade civil. Em outras palavras , o panelaço mostra  uma tomada de consciência da população, uma resistência, diante da intenção do projeto hegemônico e totalitário petista.

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Se o PT acreditava que a rejeição da população brasileira era apenas contra Dilma Rousseaf, errou. Ontem (06/05), ficou evidente que a aversão é principalmente contra o partido. A estratégia de colocar Lula no lugar de Dilma teve efeito pior que o desejado: agora o PT descobriu que Lula não é mais o todo poderoso popular; ao contrário, se for candidato em 2018, corre sérios riscos de perder as eleições, conforme  demonstrado pelas ruas e pelo barulho das panelas. 

Mas o risco não é apenas eleitoral. O panelaço e as recentes manifestações (15/03 e 12/04) são os principais sintomas de que o PT perdeu o controle sobre a maior parte da sociedade civil. Tal fato se torna particularmente importante no caso petista, no qual o próprio partido admite almejar a hegemonia (clique aqui ), que nada mais é que o monopólio da influência psicológica, cultural e comportamental do partido sobre a população. Em outras palavras, o panelaço representa uma tomada de consciência do brasileiro em relação ao antagonismo da propaganda mentirosa petista frente à realidade dos fatos.  

Ora, se já passamos por crises econômicas piores do que esta, por que só agora o brasileiro pegou o hábito de bater panelas contra o partido? A razão é que o protesto não é motivado apenas contra o mau desempenho econômico do momento, marcado pela inflação elevada, aumento do desemprego e diminuição da renda –, mas contra a mentira de que o ajuste econômico é fruto da crise internacional. Que crise é esta, na qual os EUA crescem em torno de 2,5%, a economia mundial a 3,7%, a zona do Euro a 0,9%, os emergentes a 4,3% e o Brasil tem previsão de queda no PIB de 1,2% (fonte, o próprio Banco Central).

A verdade é que a sociedade se deu conta de que atual crise no Brasil é reflexo dos excessivos gastos púbicos gerados pela má administração petista. Além disso, o  cidadão comum não acha justo arcar sozinho com os custos de um ajuste fiscal unilateral, enquanto o governo petista continua com 39 ministérios (EUA têm 15) e financia, com o dinheiro público, a CUT e o MST, braços ideológicos do governo que não têm uma contra partida produtiva para a sociedade, pelo contrário, somente a desordem social.

Mas a principal razão que levou milhares de brasileiros a pegar o hábito de bater panelas é uma tomada de consciência de que o PT não governa para o Brasil, mas para o partido. De outro modo, as pessoas enxergam o PT como uma ameaça real à democracia, às liberdades individuais e aos valores que sustentam a sociedade brasileira.

Essa ameaça é evidenciada pela corrupção sistemática nos anos de governo petista. No lulopetismo, a corrupção deixa de ser um desvio pontual de recursos (o que já é ruim) para se tornar peça fundamental de um projeto de poder totalitário. Se o mensalão foi a tentativa de criar um Congresso paralelo, o Petrolão representa uma  máquina de arrecadação bilionária para fortalecimento do PT.

Outra ameaça percebida e já tratada aqui  é a subordinação dos interesses nacionais ao Foro de São Paulo, organização criada pelo PT com apoio de Cuba, Venezuela e FARCs colombianas para implantação do socialismo bolivariano na América Latina. Para quem acredita que a população é teórica da conspiração e comunismo é algo do passado vejam aqui, aqui e aqui matérias com fontes primárias da intenção do projeto totalitário petista e a ligação de Lula com as FARCS colombianas.

Além da corrupção sistemática e do projeto de poder totalitário, outros enxergam o PT como uma ameaça à independência da Justiça ao indicar ministros do STF não pela sua capacidade técnica, mas por serem ex-advogado do PT (Dias Toffoli) ou pela sua simpatia ao MST (Fachin).

Outros enxergam o PT como uma ameaça à liberdade de imprensa ao ter intenções de controlar a imprensa, fazer lista negra de  jornalistas , patrocinar blogs sujos (veja aqui transcrição do documento) chantagear com o corte de verbas publicitárias jornalistas que façam críticas ao governo (relembre aquicaso Raquel Sheherazade no SBT). 

Em suma, o panelaço é uma tomada de consciência, uma resistência, contra as ameaças hegemônicas e totalitárias petistas, ao apontar o dedo para o rei e dizer que ele está nu. 

Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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