Por que o Brasil poderá crescer 3% já em 2020

Agora que a reforma da Previdência foi finalmente aprovada e as taxas de juros estão menores, crescimento deve acelerar

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
(Shutterstock)

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De acordo com a matéria do jornal o Estado de São Paulo, o mercado eleva projeção de PIB devido à melhora no emprego e na renda (aqui). Quem acompanha esta coluna, sabe que defendo que o crescimento para os próximos anos poderá ser maior do que o apresentado no relatório Focus.

Primeiro, porque a reforma da Previdência foi finalmente aprovada, afastando o risco de calote da dívida pública a curto e médio prazo. Esse efeito certamente contribuirá para a melhora das expectativas dos empresários, fundamental para retomar os investimentos em ativos reais.

Segundo, porque ocorre uma queda estrutural da taxa de juros no Brasil, ocasionada pelo controle da inflação e da diminuição do prêmio pelo risco da dívida pública. Com a PEC dos gastos e reformada Previdência aprovada, aliado à estabilização dos preços, os investidores topam emprestar dinheiro para o governo a uma taxa de juros menor.

Hoje, o custo de financiamento diário do governo (Selic) é de 5% ao ano.

Com a Selic no patamar mais baixo da sua história, o crédito pessoa física e pessoa jurídica tenderá a ficar mais barato. É claro que a redução do custo do crédito no varejo e no atacado não ocorre na mesma proporção da queda da Selic, dado que as taxas de financiamento PF e PJ sofrem influência de outras variáveis, como inadimplência, custos operacionais, tributos e concentração bancária.

No entanto, a redução dos juros puxará, em algum grau, as taxas de crédito para o consumidor e para as empresas para baixo, conforme já vem ocorrendo, de acordo com o gráfico abaixo.

(Elaboração/Alan Ghani)

A diminuição da taxa de juros tem dois efeitos. O primeiro é sobre o consumo. As pessoas ficam mais propensas a consumir no presente, sem a necessidade de poupar para consumir no futuro. Com o aquecimento do consumo, as empresas produzirão mais, trazendo crescimento econômico.

O outro efeito é sobre os investimentos das empresas. Com a queda de juros, o custo de capital das empresas diminui, o que estimula o aumento do investimento (aquisição de máquinas e equipamento), que também tem impactos positivos sobre o PIB.

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Além disso, como os prêmios no mercado de juros (renda fixa) estão menores (juro real negativo para um ano), os investidores tendem a procurar opções de maior rentabilidade, como investimentos em ações. Portanto, é possível também observarmos um crescimento do mercado de capitais para os próximos anos.

Tanto o aumento do consumo, como do investimento por parte das empresas, significa aquecimento de demanda a curto prazo. Como o país está com capacidade ociosa (máquina e mão de obra parada), as empresas produzirão mais sem gerar pressões inflacionárias.

Mas se os juros estão mais baixos, então por que este efeito ainda não veio?

Uma hipótese é que enquanto a reforma da Previdência não fosse aprovada, as empresas freariam qualquer plano de expansão, mesmo com taxa de juros mais baixas. Outra hipótese é de que a redução da Selic demora em torno de 9 meses para fazer efeito na economia real, conforme argumentei neste artigo escrito para a Folha de São Paulo (Crédito mais barato acontece por Selic não ter efeito imediato).

Agora que a reforma da Previdência foi finalmente aprovada e as taxas de juros estão menores, estimo que o crescimento do PIB em 2020 seja de 3% ao ano.

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Alan Ghani é economista, PhD em Finanças e professor de pós graduação

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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