Partido Novo: PSDB perderá eleitores

Não entender que o surgimento de um partido de direita no Brasil é vital para o país, é ser contra a democracia por definição: não existe democracia sem oposição de ideias. O Partido Novo veio preencher esta lacuna.

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Já há algum tempo que uma boa parte do eleitorado estava órfã no Brasil. Digo daquele eleitor que se identifica com valores de direita (liberal ou conservadora) e que não tinha opção de voto. É evidente que não se trata daquela direita estereotipada pelas esquerdas como elitista e a favor da ditadura militar. Não! Trata-se de uma direita a favor das defesas das responsabilidades/ liberdades individuais, redução do tamanho do Estado, fortalecimento da independência das instituições  e livre mercado como fonte de desenvolvimento  econômico e social de uma sociedade (leia aqui na InfoMoney -“O que é ser de Direita”). Essa direita, agora, é representada politica e oficialmente no Brasil pelo Partido Novo.

Durante muitos anos, o futuro eleitor do Partido Novo votava no PSDB mais por falta de opção do que identificação genuína com suas propostas e valores. É claro que a postura mais pragmática de FHC (um intelectual de esquerda) ao realizar reformas mais liberais (Lei de Responsabilidade Fiscal, criação e autonomia de agências reguladoras, controle de inflação e privatizações) contribuiu para ganhar muitos desses eleitores.  No entanto, com o passar do tempo, em vez do PSDB defender suas conquistas, resolveu escondê-las, omiti-las. Não sabemos se o PSDB adotou esta estratégia pelo medo de perder eleitores diante da hegemonia cultural de esquerda e dos apelos populistas do Lulopetismo ou se adotou tal postura porque o PSDB é na essência também um partido de esquerda e no fundo se envergonham do pragmatismo adotado por FHC. Seja qual for a hipótese, a estratégia política da omissão foi um fracasso: o PT está há 13 anos no poder.

Mas não foi só nas disputas eleitorais que o PSDB foi perdendo identificação com seus eleitores. Os tucanos começaram a se enfraquecer também como oposição. Aécio Neves teve a chance de liderar a oposição no Brasil, mas preferiu sair discretamente às ruas apenas na manifestação de agosto. Geraldo Alckmin ainda é contra o impeachment. José Serra seria considerado um político de esquerda em qualquer lugar do planeta e FHC toma um cuidado excessivo para criticar a presidente Dilma. Com um discurso excessivamente ponderado, os tucanos confundem diplomacia com covardia e respeito com oposição.  

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A falta de testosterona política dos tucanos é acompanhada do declínio do PT diante da crise econômica e dos casos bilionários de corrupção.  Com isso, abre-se uma avenida de votos a ser explorada pelo Partido Novo. É evidente que o partido terá grandes desafios pela frente como lutar contra o fisiologismo enraizado na política brasileira, os ataques do “mainstream” midiático de esquerda contra propostas mais à direita e a natural falta de verbas de um partido recém chegado na política.  Por outro lado, já contam com milhares de seguidores nas redes sociais nos mesmos níveis dos tradicionais partidos brasileiros, contam com o apoio de importantes formadores de opinião de direita, suas propostas agradam o mercado e seus valores vão ao encontro com a maior parte da população, a qual é majoritariamente de direita, de acordo com pesquisa DataFolha .

Concorde ou não com as propostas do partido, quem ganha é o processo de fortalecimento da democracia brasileira. Não entender que o surgimento de um partido de direita no Brasil é vital  para o país, é ser contra a democracia por definição: não existe democracia sem oposição de ideias. O Partido Novo veio preencher esta lacuna.

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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