Sora 2 revoluciona geração de vídeos, mas, mais do que nunca, precisamos de energia infinita

Sora 2 abre a porta para realidades infinitas — mas também expõe o preço oculto: uma economia movida a energia

Diogo França

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A OpenAI acaba de anunciar o Sora 2, seu novo modelo de geração de vídeos. Ele não é apenas mais um passo técnico, é um ponto de virada. Pela primeira vez, qualquer pessoa pode criar um vídeo tão facilmente quanto escrever uma mensagem de texto.

A precisão física, a continuidade narrativa e até o áudio sincronizado fazem do Sora 2 mais do que uma ferramenta criativa. Ele é um simulador de mundos. Uma tecnologia que nos coloca diante da possibilidade de fabricar realidades em escala – o que abre caminhos para experiências excitantes, e agora plausíveis.

Por exemplo, hoje a Netflix recomenda filmes já existentes com base em algoritmos. Amanhã, poderá produzir um filme exclusivo para você, costurado a partir de suas preferências, histórico e estado emocional.

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O catálogo finito dá lugar a histórias infinitas. Você poderá ser o protagonista, contracenar com seus ídolos ou viver em universos alternativos que jamais foram filmados.

O impacto vai muito além do entretenimento:

O resultado? Uma economia criativa que pode se tornar, pela primeira vez, verdadeiramente infinita.

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A ferida que ninguém quer tocar

Mas existe um detalhe pouco popular: o custo energético.

Gerar um clipe de segundos em alta definição já exige mais eletricidade do que manter um micro-ondas ligado por mais de uma hora. Agora imagine se cada pessoa assistir um episódio de uma hora de uma série feita sob medida, de acordo com sua preferência, toda semana.

Quanto isso custaria por pessoa? Fiz uma conta por alto e cheguei numa razão que passa facilmente de R$ 20 mil por ano. Isso está bem acima do valor da minha assinatura do Netflix.

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Ou seja, o futuro excitante dos vídeos personalizados em massa esbarra em um limite físico: a oferta de energia.

Os trade-offs econômicos

A corrida por “criatividade infinita” significa novos choques econômicos:

No limite, a economia da atenção passa a ser também a economia da energia.

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O futuro escrito em watts

O Sora 2 inaugura um novo capítulo. Não se trata apenas da forma como consumimos filmes, anúncios ou aulas.

O que está em jogo é a capacidade da humanidade de sustentar um universo digital tão vasto quanto a imaginação. Um universo cuja moeda básica não é mais dinheiro, mas energia.

E, diante disso, talvez o título não seja apenas provocativo. Se quisermos viver em um mundo de narrativas infinitas e personalizadas, não haverá outra saída: precisaremos de energia infinita.

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Diogo França

Diogo França é Diretor da XP Educação, edtech que forma profissionais para o mercado financeiro, negócios e tecnologia. Economista pela UFPR, sua trajetória é pautada pela construção de produtos digitais e pela transformação estratégica de grandes empresas. É quem faz a ponte entre a visão de negócio e a execução tecnológica, garantindo que a educação entregue o que a economia real exige hoje