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Sempre que penso sobre o que separa um bom atleta de alguém que se sustenta no alto nível por anos, lembro que não é apenas físico: é principalmente mental. Dentro de um campo de futebol, das quadras da NBA ou em qualquer esporte de elite, o corpo pode ser preparado, treinado e analisado… mas a mente, que carrega expectativa, crítica e ansiedade, muitas vezes é deixada para segundo plano – ainda, mesmo com toda a discussão sobre pressão e cabeça que vivemos. Hoje sabemos que ignorar isso não só não funciona, como pode ser a chave que diferencia quem supera desafios constantes de quem se perde no meio do caminho.
No passado, quem falasse de ansiedade ou de dificuldade emocional no esporte era visto como “fraco” ou simplesmente escondia o problema. Às vezes, comparado a uma lesão física que podia ser escondida ou ignorada. Atletas como Kevin Love e DeMar DeRozan, por exemplo, tiveram papel essencial em quebrar esse silêncio ao reconhecerem publicamente suas batalhas com depressão e ansiedade, abrindo caminho para mudanças de cultura dentro da NBA e inspirando colegas e fãs. 
O estresse e a pressão no esporte não são meros jargões. Eles se manifestam fisicamente, até mesmo em sintomas de náusea, tensão muscular ou perda de foco, porque corpo e mente estão conectados. Estudos mostram que atletas de alto rendimento enfrentam níveis de ansiedade e depressão comparáveis à população geral ou até superiores, e a atenção à saúde emocional vem sendo cada vez mais reconhecida como parte integral do treinamento esportivo. 
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Nas grandes ligas, essa mudança começa a ganhar estrutura. Na NBA, por exemplo, a associação de jogadores contratou profissionais dedicados à saúde mental e criou políticas para oferecer suporte psicológico a todos os atletas de forma confidencial, porque, como muitos reconhecem, há uma diferença enorme entre reconhecer que precisa de ajuda e realmente buscá-la. 
No meu tempo como atleta, encontrei minha própria forma de treinar a mente: entender que a pressão não diminui, mas que posso treinar a forma como respondo a ela. A mente é como um músculo, e mesmo que não dê pra ver os resultados na noite de um jogo, o trabalho interno tem impacto direto no desempenho, no processo e na vida depois da carreira.
Hoje penso que precisamos falar de saúde mental não como algo acessório, mas como componente central de qualquer trajetória que envolva expectativas, avaliações e resultados.