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Tem sido um ano interessante para o running.
O ícone queniano Eliud Kipchoge veio ao Brasil. Recordes mundiais foram pulverizados. E um universo inteiro de novas pessoas chegou ao esporte.
Mas talvez a transformação mais importante seja outra: a corrida deixou de ser apenas uma prática esportiva para ocupar uma camada cultural. Eventos se fundem com música e entretenimento e criam uma nova categoria de experiências. Grupos de corrida criam suas próprias regras, tomam as ruas, formam comunidades e inspiram começos.
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Ao redor de tudo isso, cresce uma economia.
O mercado do running
Estimamos que o mercado brasileiro do running movimente cerca de R$ 21 bilhões por ano, somando categorias como vestuário, calçados, treinamento, nutrição, tecnologia, turismo e inscrições em provas.
Segundo estatísticas da Ticket Sports, são 14,6 milhões de corredores no país. Em 2022, eram cerca de 9 milhões. Em quatro anos, um crescimento superior a 60%.
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O Brasil já é o segundo maior mercado mundial do Strava. Somos seres sociais em terras tupiniquins.
Desse universo, cerca de 3,4 milhões de pessoas participam de eventos esportivos. E os eventos são um capítulo à parte: desenvolveram uma economia própria, com organizadores, plataformas, fornecedores, marcas, turismo, serviços e milhares de empregos.
A economia dos eventos de participação
O volume de inscrições e provas cresceu fortemente nos últimos cinco anos, impulsionado por fenômenos que vão muito além do esporte.
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A demografia ajuda: corredores que participam de provas têm idade média próxima dos 40. Estamos vendo essa curva mudar.
Jovens bebem menos, cuidam mais da saúde e da imagem e transformaram hábitos antes individuais em ferramentas de identidade e socialização. A criação da persona digital ganha com posts de corrida.
Eu gosto de chamar esse movimento de ressolarização humana. Ao contrário de antigas gerações que pregavam sexo, drogas e rock ‘n roll, a vida agora acontece durante o dia.
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Hoje são mais de 14 mil eventos esportivos de participação no Brasil. Aproximadamente 90% deles são corridas. O restante se divide principalmente entre ciclismo, triathlon e natação, modalidades que compõem o universo do endurance. Segundo dados da CBAt, metade das provas de corrida está regularizada.
Regularizados ou não, estimamos que cada evento mobilize, em média, cerca de 80 profissionais por edição. Nas grandes maratonas, esse número pode chegar a 2 mil pessoas.
Quando crescimento começa a parecer saturação
A corrida ainda vai crescer pelos próximos 100 anos. Essa é uma tese para outra coluna.
Mas começam a aparecer sinais de saturação de mercado.
Há uma avalanche de novas marcas, plataformas, produtos, serviços e aplicações de inteligência artificial chegando ao running. A velocidade de crescimento da oferta já começa a desafiar a velocidade de crescimento da demanda.
E quem sente primeiro são justamente as empresas mais consolidadas.
A Nike é um bom exemplo de como liderança não significa imunidade. Existe uma dificuldade permanente em defender um mercado contra concorrentes que tem muito menos a perder.
A pizza da corrida cresceu. Mas ainda é uma pizza relativamente pequena. Fit, mas pequena.
Isso abre algumas perguntas interessantes para os próximos anos.
Haverá uma reorganização de forças? Há espaço para tantas marcas? A fragmentação continuará? Em alguns segmentos, crescimento pode virar bolha?
Talvez a próxima fase do running seja menos sobre descobrir quem consegue entrar nesse mercado e mais sobre descobrir quem consegue permanecer nele. Porque maratona nenhuma se ganha só no sprint.
Crescimento chama atenção, consistência vence.