O papel dos ETFs de commodities no portfólio

Para navegar pela conjuntura global desafiadora, a avaliação de diferentes classes de ativos torna-se fundamental

Cristiano Castro

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O cenário econômico global atual é marcado por uma combinação de fatores complexos, como episódios de maior volatilidade nos mercados, expectativas variáveis em relação às taxas de juros e movimentos do dólar. Para os investidores, esse contexto reforça a importância de uma revisão criteriosa das diferentes alternativas disponíveis na construção de portfólios.

Para navegar por essa conjuntura desafiadora, a avaliação de diferentes classes de ativos torna-se fundamental. Nesse sentido, dado o atual cenário geopolítico global,  as commodities podem ser consideradas como um complemento aos investimentos tradicionais, com potencial para contribuir com a diversificação de carteiras de longo prazo.

Historicamente, o investimento em commodities – que inclui desde metais preciosos, como ouro e prata, até energia, pecuária e produtos agrícolas – envolveu barreiras relevantes. A compra física, os custos de armazenamento e a complexidade dos mercados futuros limitaram, por muito tempo, o acesso desse tipo de ativo a investidores institucionais ou especializados.

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O comportamento das commodities está diretamente relacionado à dinâmica de oferta e demanda, além de fatores como tensões geopolíticas, condições climáticas, crescimento econômico global e o sentimento dos investidores em relação a essas variáveis. Diferentemente das ações, esses ativos não distribuem dividendos, e seu desempenho está principalmente associado à variação de preços, o que pode representar tanto oportunidades quanto riscos.

É nesse contexto que os ETFs (Exchange-Traded Funds) ganham relevância ao transformar essas exposições em produtos negociados em bolsa, de forma semelhante às ações, ampliando o acesso a esse mercado. Um ETF é um fundo de investimento que busca replicar o desempenho de um índice subjacente e pode reunir diferentes ativos, incluindo commodities. Ao ser negociado em bolsa, permite ao investidor acessar uma cesta diversificada – seja a exposição a uma commodity específica ou a um conjunto mais amplo – de forma transparente, simples e com liquidez, sem a necessidade de operar diretamente nos mercados físicos ou futuros.

Por que considerar commodities na carteira atual?

Um dos pontos frequentemente associados às commodities é seu potencial papel como diversificadoras. Em determinados períodos, esses ativos apresentaram correlação distinta em relação a ações e títulos tradicionais, o que significa que seu comportamento pode diferir do de outros ativos financeiros. Ainda assim, é importante ressaltar que não estão isentos de volatilidade nem de riscos específicos.

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Sob a ótica da construção de portfólio, uma exposição diversificada a commodities por meio de ETFs pode contribuir para a distribuição de riscos em diferentes cenários de mercado. A diversificação, contudo, não elimina a possibilidade de perdas nem garante resultados positivos.

Outro aspecto frequentemente considerado é o potencial papel das commodities em ambientes inflacionários. Em determinados contextos, os preços de algumas commodities tendem a acompanhar a alta dos custos de produção, o que pode contribuir para preservar o poder de compra. No entanto, esse comportamento não é uniforme nem previsível ao longo dos ciclos econômicos.

O ouro, por exemplo, é historicamente percebido como um ativo associado à busca por proteção em períodos de maior incerteza econômica e volatilidade nos mercados financeiros, desempenhando um papel semelhante ao tradicionalmente atribuído ao dólar. Em momentos de mudanças no ambiente macroeconômico global, diferentes participantes do mercado voltam a considerar o ouro e outras commodities por seu potencial papel como diversificadores. A exposição por meio de ETFs permite acessar esse mercado sem as complexidades associadas à posse física.

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A acessibilidade é outro fator relevante. Os ETFs de commodities contribuíram para simplificar um segmento que, por muito tempo, esteve restrito a grandes instituições. Atualmente, é possível obter exposição a uma ampla gama de commodities com a mesma facilidade de negociação de uma ação, muitas vezes com estruturas de custos competitivas, além de maior transparência e liquidez diária.

Nesse ambiente econômico em constante transformação, os ETFs de commodities podem ser considerados uma ferramenta adicional na construção de carteiras mais diversificadas e resilientes. Ainda assim, é fundamental adotar uma visão equilibrada: todo investimento envolve riscos, e o valor dos ativos pode variar tanto para cima quanto para baixo.

Uma estratégia bem definida, aliada à análise cuidadosa e à compreensão dos instrumentos financeiros, é essencial. A incorporação desses ativos a uma estratégia de investimento deve sempre partir de decisões informadas, considerando os objetivos individuais, o horizonte de investimento e a tolerância ao risco, com apoio profissional quando apropriado.

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Cristiano Castro

Diretor da BlackRock Brasil