Você não precisa corrigir seus pontos fracos. Precisa aprender a construir com eles.

Explorar o que você faz bem acelera sua carreira, aumenta sua confiança e melhora seus resultados.

Bianca Juliano

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Bianca Juliano (Divulgação)
Bianca Juliano (Divulgação)

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Você já ouviu, e provavelmente já repetiu, que deve focar nos seus pontos fortes.

E isso é verdade.

Explorar o que você faz bem acelera sua carreira, aumenta sua confiança e melhora seus resultados.

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Mas existe um outro lado, pouco explorado, que pode definir o quanto você cresce ou estagna.

Suas limitações.

E não, eu não estou falando sobre corrigir tudo, virar bom em tudo ou buscar equilíbrio.

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Estou falando de algo mais estratégico.

Usar seus pontos não naturais como direcionadores da forma como você constrói sua carreira.

Na prática, a maioria faz uma dessas duas coisas.

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Ignora essas limitações. Ou tenta compensar na força, com esforço desorganizado.

Nenhuma das duas constrói vantagem competitiva.

Só gera limitação.

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Porque essas limitações continuam ali, só que mal resolvidas.

Ao longo da minha trajetória como assessora e líder comercial, eu não fui excelente em tudo.

Mas fiz algo que mudou o jogo.

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Usei minhas limitações como matéria-prima para construir forma de trabalhar.

E isso acabou virando método.

Vou te dar exemplos reais.

Não teoria.

1. Não ser boa de cálculo de cabeça poderia ser uma limitação clara.

Mas virou uma vantagem.

Eu passei a criar simuladores rápidos, visuais, simples de usar, que ajudavam o cliente a entender cenários com clareza.

E fui além. Também criei simuladores que ajudavam assessores a entenderem a lógica do meu método, planejarem seus objetivos numéricos de carreira e projetarem sua própria remuneração.

Essas ferramentas foram e ainda são usadas, inclusive na XP, para ajudar a estruturar a forma como eu pensava, executava e ensinava vendas.

O que era uma limitação virou clareza na comunicação e estruturação de raciocínio comercial.

2. Ambientes desorganizados me tiravam energia.

Então eu fazia o contrário do que muitos fazem.

Não me adaptava ao caos. Eu organizava o caos.

Criei estruturas, rotinas, formas de trabalho e organização por onde passei.

Com o tempo, isso deixou de ser um comportamento e virou método.

O que era um ponto não natural virou capacidade de estruturar operações e times.

3. Nunca fui a pessoa que gostava e entendia sobre ficar olhando gráfico de ações, candlesticks, oscilação, tela o tempo todo.

Então fiz uma escolha.

Fui para o campo.

Fui captar cliente. Fui fazer reunião. Fui construir relacionamento.

Enquanto muitos estavam olhando tela, eu estava construindo carteira.

O que parecia uma limitação virou intensidade comercial e geração de negócios.

4. Quando não tinha repertório forte, eu não tentava compensar falando mais.

Eu ficava em silêncio e escutava.

Acolhia a dor do cliente, deixava ele falar e entendia melhor o contexto.

Isso aprofundava a relação.

O que parecia uma limitação virou escuta ativa e conexão real.

Percebe o padrão?

Eu não corrigi de imediato essas limitações. Eu construí em cima delas.

E isso mudou completamente a forma como eu trabalhava e os resultados que eu gerava.

Agora, quero te provocar a fazer o mesmo.

Porque esse raciocínio não é sobre mim.

É sobre como você pensa a sua própria carreira.

Veja alguns exemplos simples, mas que mudam o jogo quando bem utilizados.

Não domina explicação técnica.
Cria um roteiro padrão, mais simples e direto, e passa a se comunicar melhor que a média.

Não tem facilidade com cálculo.
Desenvolve simuladores ou materiais visuais que aumentam a clareza do cliente.

Não gosta de abordagem agressiva, especialmente sobre produtos.
Aprofunda uma venda mais consultiva, com escuta e diagnóstico mais refinados e um planejamento mais amplo da vida do cliente.

Não é bem-organizado na rotina de follow-up comercial.
Cria uma rotina fixa no CRM e passa a ser mais consistente que profissionais naturalmente organizados.

Falta base forte de relacionamento para formação de carteira.
Cria oportunidades intencionais de networking por meio de participação em eventos, realização de eventos, cursos e indicações.

Percebe?

A limitação não desaparece. Ela define o tipo de solução que você cria.

E, muitas vezes, essa solução é melhor do que a execução natural de quem já tem facilidade.

Porque talvez você esteja tentando melhorar algo que não é seu diferencial.

Ou evitando algo que poderia estar te mostrando um caminho.

Se você parar para olhar com mais inteligência, suas limitações podem estar te dizendo onde você precisa de estrutura, onde você precisa de método e onde você pode se diferenciar do padrão do mercado.

Em vez de perguntar como eu melhoro isso, pergunte o que isso revela sobre a forma como eu deveria trabalhar.

E mais. Que tipo de solução eu posso construir a partir disso.

Focar nos seus pontos fortes é essencial.

Mas isso, sozinho, te faz crescer dentro do esperado.

Agora, o que realmente diferencia um profissional no mercado é outra coisa.

A capacidade de transformar limitação em construção.

Porque no fim do dia, não é sobre ser bom em tudo.

É sobre saber jogar o jogo do seu jeito, com inteligência, método e direção.

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Bianca Juliano

É especialista em vendas, assessoria de investimentos, atua como mentora, palestrante e é autora do livro “O Mínimo Esforço: o método de vendas que me levou à posição de sócia da XP Investimentos”.