Ted Lasso e as lições de liderança que nenhum MBA ensina

A série mostra que liderar não é ter todas as respostas, mas construir confiança, reconhecer diferenças e criar um ambiente em que as pessoas possam contribuir

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Confesso que ainda estou assistindo à segunda temporada de Ted Lasso. Então este texto não é uma  análise da série, e sim uma reflexão de alguém que passou boa parte da carreira liderando pessoas e  que começou a perceber, episódio após episódio, que aquele treinador aparentemente ingênuo tem muito a dizer sobre o que sustenta uma liderança de verdade. 

Para quem não conhece: Ted, interpretado pelo ator Jason Sudeikis, é um treinador de futebol  americano contratado para comandar um time de futebol na Inglaterra, sem entender quase nada do  esporte.

A premissa parece absurda, e talvez seja aí que mora a mensagem central: liderar não é saber todas as respostas. É construir um time capaz de encontrá-las com você. 

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O treinador chega a um ambiente hostil em que torcedores desconfiam, jogadores resistem e existem  egos e conflitos por todo lado. Ainda assim, ele escolhe um caminho simples na teoria e difícil na  prática.

O de escutar, observar, conectar pessoas e construir confiança. Isso me lembrou de algumas  lições que carrego há anos na liderança de equipes. 

1. Escutar não significa ouvir 

Ted faz perguntas, presta atenção, busca entender o que está por trás de uma resistência. No mundo  corporativo, é comum confundir liderança com ter respostas rápidas.

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Mas talvez a competência mais  sofisticada de um líder seja ter curiosidade suficiente para admitir que não sabe tudo sobre quem  lidera. Escutar não significa concordar com tudo e sim compreender antes de decidir. 

2. Ser genuíno é uma vantagem competitiva 

Ted não finge ser quem não é. Existe coerência entre o que fala e o que pratica, bem distante daquele  estereótipo de que liderar exige vestir um personagem duro e distante, como se a humanidade  diminuísse a autoridade.

Eu, assim como Ted, acredito que as pessoas respeitam o cargo, mas só  confiam de verdade quando percebem quem você é. 

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3. Fazer o bem não é ser ingênuo 

Existe uma diferença entre ser bom e ser bobo. Já encontrei quem acredite que crescer exige jogar  pesado ou esconder informação, o que já não concordo. Ser ético não significa não entender o jogo; 

ter empatia não significa não saber dizer não. O desafio é ter firmeza sem crueldade, empatia sem  perder autoridade, estratégia sem perder princípios. 

4. Grandes equipes não são formadas por pessoas iguais 

Ted constrói seu time a partir de pessoas diferentes, sem tentar transformar todos em uma versão  dele próprio. Um dos maiores erros das organizações é contratar diversidade de pensamento e depois  esperar que todos pensem igual.

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Um bom líder não precisa ser o mais brilhante da sala, basta criar  uma sala onde pessoas brilhantes consigam contribuir. 

5. Intenção importa 

Ted escolhe como tratar as pessoas, criar conexões e olhar além do comportamento imediato.  Liderança acontece na conversa de corredor, no feedback difícil, na forma como reagimos a um erro.  Cultura não é o que está escrito na parede e sim o que o líder repete todos os dias. 

6. Persistência também é competência de liderança 

Ted enfrenta críticas desde a sua chegada e, mesmo assim, continua. Isso não é teimosia, é ter clareza  sobre aquilo em que se acredita e disposição para atravessar o desconforto até que os resultados  apareçam. Todo líder, em algum momento, lidera sem aplausos. É nesses momentos que se descobre  quem realmente estava liderando. 

7. No fim, liderança tem tudo a ver com confiança 

Essa é minha maior conclusão até agora. Quando existe confiança, o trabalho fica mais leve – não  necessariamente mais fácil, mas mais leve. Você sabe que pode discordar sem destruir a relação, errar sem ser descartado, contar com alguém quando as coisas ficam difíceis. Um líder não constrói sozinho: constrói uma rede de pessoas em quem pode confiar e vice-versa. 

Talvez por isso Ted Lasso consiga falar tanto sobre liderança sem ser, essencialmente, uma série sobre  liderança. Ela fala sobre pessoas e essa é a lembrança que fica. Antes de liderarmos negócios ou  organizações, lideramos seres humanos, que têm medo, ego, ambição, sonhos e dias ruins. Liderar é  enxergar tudo isso sem perder de vista o resultado.


Giovana Pacini é Country Manager da Merz Aesthetics®️ Brasil desde 2020. Com mais de 20 anos de experiência na indústria farmacêutica, reconhecida por sua liderança humanizada e orientada para resultados, Giovana promove uma cultura de equidade de gênero e foca na entrega de resultados sustentáveis.