Quando o crescimento depende do que falta

A escassez de recursos e a expansão da inteligência artificial colocam a capacidade produtiva no centro das decisões de investimento

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Durante décadas, partimos do princípio de que a economia mundial sempre encontraria meios de atender a uma demanda crescente por trabalho, energia, capital, infraestrutura e matérias-primas.

A integração dos mercados globais sustentou essa premissa ao tornar mais eficiente a produção de bens, serviços e commodities, facilitar o acesso ao capital e manter a inflação moderada. Esse equilíbrio começou a mudar.

Estamos entrando em um regime em que as restrições de oferta pesam cada vez mais sobre o crescimento, a inflação e o volume de investimentos.

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A questão central passa a ser se existem condições para abastecer e sustentar o consumo que se deseja.

A pandemia, os conflitos geopolíticos e a fragmentação do comércio internacional expuseram a fragilidade de um modelo que privilegiava a eficiência em detrimento da resiliência.

Ao mesmo tempo, a rápida adoção da inteligência artificial eleva a demanda por eletricidade, centros de dados, semicondutores e infraestrutura digital a uma velocidade que poucos anteciparam.

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Essas pressões sobre os fatores de produção redefinem o comportamento dos juros e a alocação global de capital. Podemos estar diante de uma mudança que vai além do ciclo econômico e alcança as próprias regras do crescimento.

A discussão sobre inteligência artificial costuma se concentrar em modelos cada vez mais sofisticados e em aplicações capazes de transformar setores inteiros. Seus efeitos, porém, chegam à energia, ao crédito e aos mercados públicos e privados.

Os ativos que ampliam a capacidade produtiva ganham relevância própria, porque são eles que permitirão que as grandes tendências dos próximos anos saiam do papel.

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Para o investidor, importa tanto saber onde a demanda vai crescer quanto identificar os mercados e setores com condições de atendê-la. Isso muda a forma de avaliar riscos, construir carteiras e alocar capital.

O Brasil ilustra bem como minerais críticos, transição energética, expansão da infraestrutura e reorganização das cadeias globais de suprimentos podem gerar oportunidades de investimento.

Em um ambiente em que a resiliência pesa tanto quanto a eficiência, o país pode fortalecer sua posição se continuar ampliando sua matriz energética, expandindo suas redes de transmissão e oferecendo segurança jurídica a projetos de longa maturação.

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Uma das grandes oportunidades está em conectar o capital de longo prazo aos investimentos em infraestrutura no país, por meio de projetos e veículos que impulsionem o crescimento e permitam que mais brasileiros participem do desenvolvimento nacional.

 A história costuma lembrar quem cria as tecnologias que transformam o mundo. Os mercados também reconhecem o valor de quem constrói as condições para que elas ganhem escala.


CEO da BlackRock no Brasil