Poupança é só o começo: como os fundos de investimento podem ajudar a diversificar com segurança

Em setembro, o volume de investimento das pessoas físicas em fundos somava R$ 1,9 trilhão

Soraia Barros

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

(Freepik)
(Freepik)

Publicidade

Em setembro, a poupança registrou o terceiro mês consecutivo de saldo negativo. Segundo o Banco Central, os resgates já superam os depósitos no ano em R$ 78,5 bilhões. Ainda que parte desses recursos tenha sido destinada ao consumo, esse movimento pode indicar uma mudança gradual no perfil do investidor brasileiro, com mais pessoas considerando investimentos que ofereçam rentabilidade superior à poupança.

Essa mudança pode estar conectada a um maior acesso a informações sobre as oportunidades de investimento existentes. De acordo com a 8ª edição do Raio X do Investidor, desenvolvido pela Anbima em parceria com o Datafolha, entre as pessoas que aplicam seu dinheiro, 90% buscam se informar sobre os produtos financeiros. Os investidores, especialmente os mais jovens — das gerações Z e millennial — têm recorrido cada vez mais a canais digitais como YouTube, Instagram e portais de notícias para se atualizar sobre o assunto.

Esse cenário abre espaço para uma nova geração de investidores, mais curiosa, informada e preparada para identificar oportunidades reais de fazer o dinheiro render com propósito e segurança.

Continua depois da publicidade

Com a Selic em 15% ao ano, o retorno de outros produtos financeiros tornou-se irresistível demais para ser ignorado. E, diante de tantas opções de investimento disponíveis, surge a dúvida: qual deles pode ser um caminho viável para quem está migrando da poupança?

É nesse contexto que os fundos de investimento ganham relevância. Em setembro, o volume de investimento das pessoas físicas neste produto somava R$ 1,9 trilhão, quantia 6,7% superior à registrada neste mesmo período do ano passado. Com aplicações a partir de R$ 10 e gestão profissional, os fundos oferecem uma porta de entrada segura e acessível para quem está dando os primeiros passos no mundo dos investimentos. O dinheiro é administrado por especialistas que acompanham o mercado e buscam as melhores oportunidades considerando a estratégia de cada fundo.

A diversidade de fundos disponíveis no mercado garante opções compatíveis com os objetivos, o momento de vida e o perfil de risco de cada investidor. Há desde fundos de renda fixa, que priorizam estabilidade, até os multimercados, que combinam diferentes estratégias, e os fundos de ações, indicados para quem está disposto a assumir mais riscos. Também existem fundos temáticos, como os imobiliários, que permitem investir no mercado de imóveis sem precisar adquirir um, e os Fiagros, voltados ao agronegócio brasileiro — um dos setores mais dinâmicos da economia nacional.

Continua depois da publicidade

Para ampliar o conhecimento do brasileiro sobre os fundos, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) lançou a campanha “No Fundo Você Pode”. No ar desde junho deste ano, ela busca derrubar o mito que investir nesses produtos é complicado demais ou só para quem tem muito dinheiro. Com esta iniciativa, esperamos encorajar mais pessoas a usarem os fundos para alcançar seus objetivos financeiros e construir uma reserva para o longo prazo.

Embora 59 milhões de brasileiros afirmem ter algum investimento, apenas 5% aplicam em fundos, segundo o Raio X do Investidor. O cenário, no entanto, mostra que, pouco a pouco, tem crescido o interesse pelo produto. Em 2021, esse percentual, que era de apenas 2%, evoluiu para 4% nos anos seguintes e alcançou 5% em 2024.

A poupança continua sendo um bom ponto de partida, mas não precisa ser o ponto final. À medida que ampliamos nosso conhecimento sobre o universo de investimento, descobrimos que existem múltiplas formas de fazer o dinheiro trabalhar a nosso favor. Investir com propósito, diversificar com inteligência e buscar informação são caminhos que transformam o hábito de poupar em uma estratégia sólida de construção de patrimônio.

Autor avatar
Soraia Barros

Soraia Barros é gerente-executiva de Fundos de Investimento da ANBIMA. É formada em Economia e Administração de Empresas e possui MBA em Riscos Financeiros. Atua há mais de 25 anos no mercado financeiro, com quase duas décadas dedicadas à indústria de fundos de investimento em áreas de riscos, compliance e produtos. Na ANBIMA, atuou por 10 anos na área de Supervisão de Mercados antes de migrar para a área de Representação.