Pequenos negócios, grandes mudanças

Novo estudo da Visa revela como os pequenos empreendedores estão redesenhando sua relação com o sistema financeiro

Marcela Pinori

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Empreender no Brasil é um ato de coragem e, para muitos, também de necessidade. O que antes era uma alternativa à falta de oportunidades hoje se consolida como um motor da economia. As pequenas e médias empresas representam 94% dos negócios do país, geram sete em cada dez empregos formais e movimentam mais de um quarto do PIB [1]. Por trás desses números estão milhões de histórias de pessoas que acreditam no próprio potencial e buscam, todos os dias, formas de crescer com os pés no chão.

Para entender mais a fundo essa realidade, o estudo “Panorama PME Brasil”, desenvolvido pela Visa em parceria com a consultoria Business Meets Culture (BMC), revela como os empreendedores tomam decisões financeiras, quais são suas principais dores e o que esperam de bancos, fintechs, adquirentes e empresas de tecnologia. 

Um dado se destaca: 43% das PMEs que tiveram crédito negado consideram trocar de banco. Essa tendência reforça o quanto o pequeno empreendedor é pragmático. Suas decisões são feitas com base em impacto imediato, buscando soluções que tragam crédito, agilidade e clareza. A fidelidade, aqui, é conquistada por relevância. 

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Ao mesmo tempo, um terço das PMEs escolhe o banco para conta empresarial por já ser cliente pessoa física. Esse comportamento mostra que o relacionamento financeiro ainda é herdado, mais emocional do que estratégico. Para o ecossistema financeiro, essa é uma oportunidade de ouro para repensar jornadas e construir conexões mais conscientes e personalizadas. 

Outro ponto relevante está no papel do cartão PJ, que ainda não ocupa um espaço claro na rotina do empreendedor. Menos da metade das PMEs enxerga essa credencial como ferramenta de gestão (e, para muitos, ele é apenas um meio de pagamento, e não um aliado do negócio). Quando os benefícios se conectam à operação real, o valor muda de perspectiva. Desconto na maquininha (53%), liquidez imediata (49%) e recompensas atreladas à venda (38%) estão entre os incentivos mais valorizados. Em outras palavras, o empreendedor quer um cartão que ajude a vender, não apenas a pagar. 

A pesquisa também mostra um público mais digital, mas que ainda convive com práticas analógicas. Metade das PMEs ainda faz controles manuais, enquanto 31% já utilizaram IA e 82% tiveram algum contato com soluções de inteligência artificial. Essa convivência entre o tradicional e o tecnológico revela que a transformação digital está em curso, mas a usabilidade e o aprendizado continuam sendo peças-chave. Mais de 90% querem se capacitar em gestão e finanças, desde que o conteúdo seja simples e aplicável ao dia a dia. 

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Outro achado simbólico é que 57% das PMEs ainda misturam contas pessoais e empresariais. Na prática, o CNPJ e o CPF seguem emocionalmente entrelaçados. O sucesso do negócio é o sucesso da pessoa que o conduz. Apoiar essa separação financeira com produtos educativos e integrados pode ser um divisor de águas na maturidade desse público. 

A entrada da Geração Z no empreendedorismo reforça essa mudança de mentalidade. Jovens fundadores representam 11% das PMEs brasileiras e trazem novas expectativas. São mais digitais, experimentais e menos fiéis às instituições tradicionais. Confiam na agilidade e na conveniência, e constroem relacionamento com base em experiência. Buscam limites flexíveis, liquidez e recompensas imediatas, tudo que simplifique o agora. 

Esses dados apontam para um recado claro. O empreendedor quer ser ouvido. Ele busca soluções que falem sua língua, que simplifiquem a gestão e que gerem retorno real para o negócio. As instituições que souberem transformar dados em empatia e tecnologia em proximidade terão o poder de redesenhar a relação entre PMEs e serviços financeiros. 

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Mais do que oferecer produtos, o desafio é construir parcerias consultivas, que ajudem os pequenos negócios a vender melhor, gerir com eficiência e ganhar tempo para o que realmente importa: fazer o negócio prosperar. 

[1] Fontes: Mapa das Empresas (Governo Federal, 2025), Visa study based on 2022 McKinsey Global Payments Map and 2022 EY Visa Global Market Sizing Study Card Addressable payments.

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Marcela Pinori

Vice-presidente de Soluções Comerciais da Visa do Brasil