Publicidade
Nesta semana, Javier Milei deve encarar no Congresso uma série de projetos impulsionados pela oposição que ameaçam metas fiscais do governo. Somados, esses projetos podem ter um impacto de cerca de 1,8% a 2% do PIB, num contexto de mercados em alerta.
O presidente promete vetar essas medidas, mas não há garantias de que consiga sustentar os vetos como em ocasiões passadas num cenário de maior tensões políticas. Além disso, o custo político de barrar propostas populares pode ser alto neste ano eleitoral – lembrando que a Argentina realizará eleições parlamentares em outubro, e estas devem ser decisivas para garantir condições de governabilidade nos próximos dois anos de governo Milei.
O ambiente legislativo turbulento se soma a dias difíceis para o governo argentino, marcados pela decisão de uma juíza dos Estados Unidos que ordenou ao país entregar sua participação de 51% na YPF como parte do processo bilionário pela expropriação da empresa.
Apesar de os dados de inflação manterem uma tendência positiva, os mercados seguem cautelosos. O índice MERVAL acumula queda de 26% nos últimos seis meses, mesmo com alta anual de 27%, e chegou a recuar 3,43% no dia 30 de junho, após a notícia da decisão judicial.
A semana será uma prova de fogo para Milei em meio a tensões crescentes com os governadores, que até agora vinham sendo aliados fundamentais nas negociações com parlamentares.
O foco da semana recai sobre o Senado, onde há expectativa de votação já na quarta (9) ou quinta (10) de duas propostas: o aumento e a moratória para aposentadorias (0,7% do PIB) e a Lei de Emergência para Pessoas com Deficiência (0,22% a 0,42% do PIB). Ambas já passaram pela Câmara dos Deputados e contam com amplo apoio popular. O governo tenta atrasar as votações, mas até agora sem sucesso.
Outra frente sensível no Senado é o debate sobre a coparticipação de recursos das Contribuições do Tesouro Nacional e o imposto sobre combustíveis, com impacto estimado entre 0,2% e 0,4% do PIB. Esses projetos têm ganhado destaque porque testam a frágil aliança do governo com os governadores. Um embate mais duro pode dar fôlego a outras propostas. Por isso, o governo tenta costurar um acordo paralelo.
Na Câmara dos Deputados, a oposição busca avançar com os projetos de Emergência Pediátrica e de Financiamento Universitário, ambos ainda sem estimativa de custo, mas com potencial de fortalecer o discurso opositor em áreas sensíveis. A UCR lidera essas pautas, e o avanço desses projetos pode impactar diretamente as negociações do governo com o partido para as alianças voltadas às eleições legislativas de outubro.
Num contexto de tensão política crescente, a semana legislativa ser foco dos mercados argentinos. O impacto fiscal é a preocupação imediata, mas investidores também acompanham o andamento das negociações no Congresso como termômetro da governabilidade e da capacidade de articulação política do governo, além do tom que deve prevalecer nas costuras eleitorais.