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Recentemente, em uma entrevista, Bruna Marquezine comentou ter “ranço” de pessoas sem senso de urgência ou proatividade. A fala viralizou. Não pela dureza da palavra, mas porque abriu espaço para uma discussão que vai muito além do entretenimento. Ela expõe uma tensão silenciosa presente em diferentes ambientes coletivos: como avaliamos comportamentos, expectativas e a forma como cada pessoa se movimenta no mundo.
A verdade é que, na vida pessoal, uma atitude positiva costuma ser lida como independência, autoliderança e autenticidade. Porém, quando levamos esse mesmo comportamento para o ambiente corporativo, a dinâmica muda. A linha entre ser reconhecida como alguém proativa e ser vista como “exagerada”, “ansiosa” ou “intensa demais” é extremamente tênue. A percepção se acentua quando estamos falando de mulheres.
No mundo dos negócios, proatividade pode gerar admiração, mas também pode incomodar. Muitas vezes, a mesma característica que leva uma profissional a se destacar pode ser exatamente o que provoca ruído. Mulher com senso de urgência vira “agitada”. Mulher que antecipa problemas é “controladora”. Mulher que entrega mais do que pedem é “competitiva demais”.
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O mesmo comportamento que, na sociedade, falta e causa “ranço”, no corporativo, em excesso, pode ser questionado.
O que ninguém gosta de admitir. A proatividade evidencia contrastes. Ela escancara ritmos, estilos de trabalho e níveis de engajamento. Mostra quem opera melhor sob pressão, quem prefere ciclos mais longos e quem se movimenta com mais constância.
Mas o problema não é, e nunca será, a diferença. O problema é a intolerância à diferença.
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Não há nada de errado em ter um perfil analítico, detalhista ou orientado ao longo prazo. Assim como não há nada de errado com quem é naturalmente rápido, inquieto e orientado à ação.
Organizações maduras sabem que precisam de todos esses estilos para construir resultados consistentes. Empresas são feitas de pessoas. Pessoas não vêm em um único formato. Ambientes de alta performance não surgem da homogeneidade, e sim da soma de perspectivas, repertórios e modos de pensar diferentes. Para isso, é necessário um tipo de cultura que não tente padronizar comportamentos, mas que integre e valorize contribuições complementares.
Como líder, minha reflexão é clara. Precisamos criar espaços onde pessoas possam ser intensas, profundas, analíticas ou rápidas. Sem que nenhuma dessas características seja tratada como defeito. Proatividade não deveria incomodar. Deveria inspirar. O que incomoda, de fato, é a dificuldade que ainda temos, como sociedade e como empresas, de lidar com o diferente. E esse é exatamente o ponto que precisamos transformar.