O futuro da gestão patrimonial na América Latina

A evolução da gestão patrimonial na região exige uma infraestrutura capaz de transformar estratégias de investimento cada vez mais sofisticadas em portfólios eficientes, consistentes e escaláveis

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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A gestão patrimonial global passa por uma transformação estrutural. Depois de anos operando principalmente sob modelos tradicionais de intermediação, a indústria avança para uma nova forma de gerir patrimônios: de um negócio centrado em transações e produtos individuais para um modelo centrado em portfólios, resultados e assessoria integral.

Na América Latina e nos canais de distribuição offshore que atendem investidores da região, essa evolução ganha cada vez mais força.

Ao mesmo tempo, evidencia um obstáculo relevante para sua adoção em larga escala: em alguns casos, as estratégias de investimento parecem evoluir em ritmo mais acelerado do que a infraestrutura disponível para implementá-las.

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Essa lacuna é relevante porque os portfólios atuais incorporam estratégias cada vez mais sofisticadas.

Os assessores precisam estruturar soluções capazes de integrar diferentes veículos de investimento, como ETFs (Exchange Traded Funds), fundos mútuos, investimentos alternativos e contas administradas separadamente (SMA, na sigla em inglês), conforme aplicável, em diferentes moedas e jurisdições.

À medida que a assessoria se torna mais personalizada e centrada no portfólio, a tecnologia que permite levar essas estratégias à prática deixa de ser uma função satélite para se tornar uma capacidade estratégica.

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Nesse contexto, consideramos que a fragmentação da infraestrutura tecnológica tradicional não apenas aumenta a carga operacional das firmas de assessoria: também pode elevar a complexidade operacional, afetar a eficiência e limitar a capacidade de resposta aos movimentos dos mercados globais.

A América Latina acrescenta, ainda, uma camada particular de complexidade.

A gestão de patrimônios transfronteiriços costuma envolver diferentes estruturas legais, regimes de produtos, moedas e considerações fiscais.

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Nesse ambiente, uma infraestrutura fragmentada gera fricção em cada etapa do processo e pode limitar a capacidade do assessor de traduzir uma visão de investimento coerente em uma experiência consistente para seus clientes. Em muitos casos, o problema não está na estratégia, mas em sistemas concebidos para uma era mais transacional.

A lacuna entre estratégia e execução

Na nossa visão, a pergunta tecnológica mais importante para uma firma de gestão patrimonial já não é se ela conta com uma boa interface digital.

A verdadeira pergunta é se dispõe de uma arquitetura capaz de converter uma visão de investimento em portfólios implementados de forma mais consistente, eficiente e escalável.

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Fechar essa lacuna requer maior colaboração entre gestores globais de ativos, que aportam capacidades de investimento e construção de portfólios, e provedores de tecnologia especializados em plataformas integradas de administração, soluções como contas administradas unificadas (UMA, na sigla em inglês) e plataformas internacionais de administração integral de ativos (iTAMP®).

As firmas e os mercados que conseguirem conectar essas duas capacidades de forma eficiente podem estar mais bem posicionados para acompanhar a evolução do mercado de gestão patrimonial na região e apoiar de maneira mais consistente as necessidades de seus clientes.

Os modelos de contas administradas unificadas, a conectividade com múltiplos custodiantes e as plataformas internacionais de administração integral de ativos podem desempenhar um papel relevante nesse processo.

Seu valor potencial não está na novidade tecnológica, mas em sua capacidade de orquestração: buscar integrar diferentes veículos de investimento sob um mesmo arcabouço operacional, implementar ajustes de portfólio de forma disciplinada, monitorar e manter a consistência entre contas de clientes elegíveis.

Tecnologia como aliada do assessor

Essa evolução também redefine o papel do assessor. Quando os processos de implementação são simplificados, os profissionais podem dedicar mais tempo às áreas que consideramos de maior valor: planejamento financeiro, sucessão patrimonial, gestão de riscos, governança familiar e acompanhamento em decisões complexas que surgem durante períodos de volatilidade.

A tecnologia não deve substituir a assessoria; pode contribuir para que a assessoria seja oferecida de forma mais eficiente e escalável.

Em última instância, a próxima etapa da gestão patrimonial na América Latina e nos canais offshore não será determinada apenas pela sofisticação dos produtos financeiros disponíveis, mas pela capacidade de converter essa sofisticação em portfólios implementados de maneira disciplinada.

Construir uma ponte sólida entre a responsabilidade fiduciária do assessor e a execução efetiva das estratégias de investimento exigirá atenção renovada à tecnologia operacional. A infraestrutura de distribuição deverá evoluir no mesmo ritmo das necessidades dos investidores da região.

As firmas que avançarem no fechamento dessa lacuna podem estar mais bem preparadas para acompanhar o crescimento do mercado e apoiar uma experiência de investimento mais consistente, escalável e alinhada aos objetivos de longo prazo de seus clientes.


Francisco Rosemberg, Managing Director e Head da área de Wealth and Family Capital para a América Latina da BlackRock


A.J. Harper, Managing Partner e cofundador da inCadense