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Por Nilton Molina*
A atitude previdente nem sempre teve lugar no repertório de comportamentos humanos. Durante a maior parcela da história de nossa espécie, agir intempestivamente foi não apenas um padrão, mas um mandato.
Durante milênios, as atividades garantidoras da subsistência foram a caça e a coleta. Por melhor que se orquestrasse estas atividades, não havia qualquer controle sobre a produção de alimentos. Tratava-se apenas de apanhar o que estava à disposição. Pouco era requerido além de aptidão física.
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Presumindo-se a existência de grupos diferentes, é admissível imaginar que a violência imperava como forma de arbitrar o acesso aos recursos. Novamente, a vitalidade e a capacidade de ação imediata eram determinantes do sucesso.
Para completar o quadro, a duração da vida pessoal não tinha a menor importância. Importava apenas o grupo. Durante milênios não houve noção de individualidade.
Imagine explicar a um homem ou mulher que vive nas condições descritas acima a noção de longevidade e a importância de se preparar financeiramente para aposentadoria. Parece impossível, certo?
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Pois saiba que, com todas as diferenças da vida que temos hoje, a dificuldade de nossos antepassados em compreender e agir com base na abstração de uma vida longeva é exatamente a mesma que eu e você enfrentamos.
Essa herança evolutiva não é uma sentença, mas um mapa para entendermos nossa tomada de decisão. Vivemos a ínfima parcela da história onde a produção de alimentos é controlada, onde a política resolve conflitos e onde a individualidade prepondera — mas com o mesmo cérebro de nossos ancestrais.
Ao ler estas ponderações, você talvez pense que sou um descrente. Não sou. Se fosse, não seria vendedor de proteção financeira. A questão é que o segredo para decisões que levam a um futuro financeiro protegido não é a racionalidade, essa faculdade falha à qual nos apegamos excessivamente.
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Pensem assim: todos sabemos que fumar é danoso à saúde. Se a racionalidade prevalecesse, ninguém fumaria. Alguém escolhe deliberadamente aumentar suas chances de câncer? Evidentemente não.
Dispomos da matemática atuarial que nos proporciona produtos de previdência e seguros. Mas o que nos leva à efetiva ação de contratá-los é aquilo que nos conecta ao mais remoto ancestral: o cuidado.
A capacidade e o desejo de cuidar, essa competência inata que compartilhamos com tantos outros mamíferos, é o que redime nossa racionalidade limitada.
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Converse com qualquer especialista em proteção financeira e saberá: a situação típica em que alguém considera contratar uma proteção é a constituição de família, especialmente o nascimento de um descendente.
Eu, securitário que sou, fumei durante muitos anos. Um dia, finalmente me livrei do tabagismo. Foi quando nasceu meu primeiro neto.
Planejar financeiramente não é um mero exercício racional de números e projeções. É um ato de amor. É cuidar de quem importa. E, diante da longevidade, inclusive cuidar do nosso “eu-futuro”.
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De quem você cuida? Por quem vale a pena planejar?
*Nilton Molina é um dos maiores expoentes do seguro de pessoas e previdência no país, atua no setor previdenciário há 59 anos e ocupa, atualmente, a cadeira de presidente do Instituto de Longevidade MAG.