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Vinte anos de carreira em um mercado tão dinâmico como o brasileiro ensinam lições valiosas, e a principal delas é que, para ter sucesso aqui, não bastam um bom produto e uma marca global. É preciso ter a humildade de aprender, a paciência para construir e a coragem para investir no longo prazo.
Ao longo dessa jornada, vi de perto como a liderança duradoura não é conquistada com fórmulas prontas, mas sim cultivada no dia a dia, com um compromisso que vai muito além da venda.
A primeira grande lição é a importância da “tropicalização” de operações, e não me refiro a meros ajustes técnicos, mas de um mergulho profundo na cultura e nas necessidades do consumidor para criar inovação com propósito. Aprendi que a tecnologia só gera valor real quando resolve um problema tangível, e um exemplo que costumo citar é o do ar-condicionado que utiliza AI.
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A tecnologia em si é fascinante, mas sua aplicação se torna poderosa no Brasil quando entendemos que ela pode aliviar uma das maiores preocupações de uma família: o custo da energia. É sobre transformar sofisticação em uma solução concreta e relevante para a vida das pessoas.
A segunda lição, que considero o verdadeiro divisor de águas, é que um produto excepcional é apenas metade da jornada. A melhor tecnologia do mundo pode ter sua imagem arruinada por uma experiência de serviço ruim, e por isso, justamente, que sempre defendi que o investimento mais estratégico que uma empresa pode fazer é na capacitação de seus parceiros locais.
O técnico instalador, o especialista em refrigeração, o integrador de projetos — eles são a personificação da sua marca na casa e na empresa do cliente.
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Investir em programas de formação contínua, que levam conhecimento técnico de ponta a milhares de profissionais pelo país, não é um custo, é a construção de um diferencial competitivo. Você cria um ecossistema de especialistas que não apenas confiam na sua tecnologia, mas que se tornam a garantia de que a qualidade prometida será entregue.
Indo mais além, ainda que de forma orgânica e indireta, esses profissionais acabam se tornando também eventuais pontos de conversão estratégica de vendas, simplesmente por se sentirem confortáveis em recomendar produtos que eles, de fato, podem atestar pela qualidade por trazerem um conhecimento profundo. Um concorrente pode até copiar um produto, mas não consegue replicar uma rede de confiança construída ao longo de anos.
A prova de que essa filosofia de longo prazo funciona é ver a aposta no país ser redobrada mesmo em tempos de mudança. Presenciei a decisão de, após uma reestruturação de portfólio, realizar um dos maiores investimentos da indústria em uma nova planta fabril. Isso demonstra uma cultura que entende que o crescimento sustentável exige reinvestimento constante.
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Algo que minha jornada de 20 anos deixou extremamente claro, portanto, é que a verdadeira tropicalização não pode parar no produto. Ela precisa se estender ao serviço, ao conhecimento e, acima de tudo, às pessoas.
Quando investimos em capacitar o profissional local, estamos, na essência, “tropicalizando” a ponta mais importante da jornada do consumidor: a experiência.
A inovação que “fala a língua” do cliente só se completa com um serviço que tem o sotaque e o cuidado do talento brasileiro. É essa integração profunda, do produto ao profissional, que transforma uma presença de mercado em uma liderança genuína e constrói uma história que pertence ao Brasil.