Muito além do papel

Priorizar processos digitais é um reflexo de uma nova realidade em que conveniência e responsabilidade andam juntas e precisam estar cada vez mais conectadas e no centro de todos os negócios.

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Com o mundo cada vez mais preocupado em aumentar a agilidade, reduzir os impactos ao meio ambiente e, de quebra, cortar custos, é natural que a redução no consumo de papel seja uma necessidade real dentro das empresas.

Chamado de paperless (sem papel, em português), esse é um conceito que traz benefícios tanto para as organizações quanto para os consumidores e eles vão desde redução de custos, economia de espaço, aumento da produtividade, segurança, preservação ambiental, agilidade e até marketing.

Uma pesquisa realizada pela Global Consumer Insights Pulse Survey, com 8,7 mil consumidores em 22 países, inclusive no Brasil, indicou que 50% dos consumidores globais dizem comprar produtos de empresas que são conscientes e solidárias em proteger o meio ambiente. Isso comprova que as reduções de consumo de papel são um importante reforço de marketing positivo.

Um outro estudo, da PwC, uma das maiores multinacionais de consultoria e auditoria do mundo, indica que o consumo de papel no Brasil é de cerca de 50 kg por habitante/ano. Isso equivale a mais de 10 mil folhas de sulfite tamanho A4. E, em todo o mundo, aproximadamente 3% do lucro das empresas é destinado a papel, impressão, armazenamento e manutenção de documentos, segundo pesquisa da empresa de consultoria Gartner. Além disso, 50% dos desperdícios das empresas são em papel.

E quando olhamos para uma realidade em que se gasta cerca de 10 litros de água para produzir uma única folha de papel, de acordo com dados da organização mundial Water Footprint Network, essa se torna uma realidade verdadeiramente alarmante. Ou seja, reduzir o consumo de papel é um instrumento eficaz para o corte nos custos de uma empresa, que reflete no preço final para o consumidor, e ainda poupa uma gigantesca de recursos naturais.

Mas a relação entre paperless e digitalização vai além da economia de papel: é uma importante economia de tempo já que evita que as pessoas precisem se deslocar para assinar e carimbar documentos, impactando inclusive na mobilidade urbana.

No mercado financeiro, graças à evolução tecnológica, poucas pessoas precisam realmente ir ao banco para resolver algo. Processos que “custavam” pelo menos uma hora, entre deslocamento e a fila para o atendimento, atualmente levam apenas alguns minutos em frente ao celular, gerando ganhos tanto na produtividade quanto na agilidade do processo.

Além de proporcionar uma experiência mais rápida e confortável, o atendimento digital também garante um nível de segurança muito superior ao processo tradicional. Isso porque existem várias ferramentas de aferição que garantem a identidade de quem está realizando a operação, inclusive por meio do processo de biometria digital em tempo real e de geolocalização. Com isso, são muito baixos os índices de fraudes financeiras.

Nos próximos anos, empresas de todos os segmentos terão de priorizar ações desse tipo para continuarem sendo competitivas, tanto em termos de eficiência operacional quando em consciência ambiental. Abolir por completo o uso de papel e priorizar processos digitais é um reflexo dessa nova realidade em que conveniência e responsabilidade andam juntas e precisam estar cada vez mais conectadas e no centro de todos os negócios.

Fabiano Schneider

Fabiano Schneider é diretor de vendas do Agi.

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