Lições da organização mais inovadora de todos os tempos

Inovar permanente e repetidamente é a única alternativa que garantirá resultados positivos e crescimento sustentável nos próximos anos

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Inovação e conquistas ou estagnação e morte. A dura realidade de nossos dias escancarou isso, qualquer que seja a empresa ou setor. Você, que é líder, e sua equipe terão que fazer a escolha entre ser um “trator” ou virar uma estrada.

Inovar permanente e repetidamente é a única alternativa que garantirá resultados positivos e crescimento sustentável nos próximos anos. E isso não é fácil. Apenas uma pequena parte das organizações consegue se posicionar na categoria das empresas inovadoras.

Quero apresentar uma dessas poucas usinas de inovação. Desafio você a adivinhar de qual delas estamos falando, a partir da análise das características a seguir:

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– a organização a qual me refiro tem um claro foco em inovação e melhoria contínua, que lhe assegura a criação permanente de soluções e produtos inéditos em diversos campos;

– seus líderes não só acreditam no poder da inovação, como estão focados nela, promovendo-a o tempo todo;

– é detentora de um avançadíssimo sistema organizacional e logístico, o melhor de todos os tempos.

– conta com enorme poder econômico e grande disponibilidade de trabalhadores e meios, podendo, se necessário, dispor de até 30 milhões de funcionários (número trazido aos dias de hoje), todos eles capacitados e munidos de instrumentos de trabalho revolucionários;

– é dona da marca mais forte de todos os tempos, adotando uma clara estratégia de conquista que lhe assegura a integração dos melhores processos, conhecimentos e talentos, seja qual for a proveniência;

– tornou-se a organização mais hábil da história na promoção da diversidade, congregando em seus quadros diferentes etnias e religiões; e

– tem presença marcante em mais de 50 nações, ocupando, assim, liderança indiscutível em nível intercontinental

Conseguiu identificar? Google? Apple? Amazon? Microsoft? Quem sabe, uma união dessas quatro gigantes?

Não! Estou falando do Império Romano, a mais inovadora, próspera e admirada organização de todos os tempos.

Os romanos desenvolveram o cimento que secava na água (utilizando nanopartículas de cinzas vulcânicas), engenhos e táticas de guerra insuperáveis, construíram aquedutos, pavimentaram mais de 80 mil quilômetros de estradas (com perfil abaulado, para evitar inundações) – e tudo isso sem sequer possuir réguas de cálculo.

Quando eles incorporavam uma província, buscavam aprender com os especialistas locais novas formas de inovar – exatamente como as corporações de hoje tentam fazer quando se aproximam das startups.

O Império Romano sabia que a transmissão da informação de forma rápida e global seria vital. Assim, criaram sistemas para acelerar seu fluxo.

A tática era a seguinte: posicionar cavalos descansados em locais estratégicos, de tal modo que os mensageiros que levavam as notícias podiam percorrer em poucos dias trajetos que, nas condições habituais, levariam semanas. A primeira e verdadeira “internet”.

Os romanos também realizaram milhares de outras inovações, algumas que funcionam até hoje, como os esgotos de Roma. Uma atrás da outra, de maneira repetitiva e sistemática.

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Foi assim que o Império Romano teve sob seu domínio um território de aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados, no qual vivia cerca de um quarto da população mundial.

Se pensarmos nesses cidadãos como usuários dos serviços de segurança e qualidade de vida, pode-se dizer que o Império Romano teria hoje algo como 1,8 bilhão de clientes, um em cada quatro habitantes do planeta.

Esse sucesso absoluto se deveu à capacidade que os romanos tinham de gerenciar a inovação.

Após três anos de pesquisa, consegui, em conjunto com Laurentino Bifaretti, sintetizar os fatores de sucesso presentes em Roma em sete lições centrais de gestão da inovação.

Essas lições, quando colocadas em prática, tornam qualquer empresa cada vez mais inovadora. Apesar delas terem mais de 2 mil anos, muitos líderes ainda hoje relutam em adotá-las.

Ficam buscando (como se existissem) soluções milagrosas, ou um Steve Jobs qualquer que possa transformar suas empresas em inovadoras.

Nossas pesquisas resultaram em um livro, Império da Inovação (LVM/Canal Certo). Nele, Bifaretti e eu mostramos que esses mesmos sete fundamentos estão presentes nas corporações mais inovadoras de nossos tempos, entre elas Embraer, Bradesco e Techint.

As sete lições romanas da gestão da inovação são:

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1. Integre conhecimentos e fortaleça a cultura para a inovação;

2. Tenha uma estratégia para inovar;

3. Fortaleça o senso de pertencimento nas equipes;

4 .Capacite as pessoas para inovar;

5. Melhore o que já faz e crie o novo;

6. Repense o modelo de gestão para a inovação; e

7. Trabalhe obsessivamente pela vitória.

Duas dessas lições geraram impactos comprovados em estudos de caso de instituições do setor financeiro.

O Bradesco pôs em prática a lição 1, ao estruturar práticas que lhe permitiram conectar-se fortemente ao ecossistema de inovação e às startups.

Desde o segundo ciclo do programa inovabra (2015), a inovação ocorre de maneira sistemática: vieram o inovabra habitat, o ventures, o internacional e o lab, entre outras frentes de ação.

Por sua vez, a XP Investimentos faz uso intensivo da lição 3, “fortaleça o senso de pertencimento”, com forte impacto em sua capacidade de inovar e competir.

Da mesma forma que no Império valorizava-se a cidadania romana e o alistamento no exército, companhias como a XP conseguem fazer com que seus colaboradores, internos e externos, sintam-se parte de algo maior e vencedor. Assim, se dedicam ao trabalho com o máximo de inspiração e energia positiva, fatores essenciais para que a inovação aconteça.

Os líderes da XP sabem que essa característica é essencial e trabalham em todas as instâncias para que ela esteja sempre presente.

O livro detalha cada uma das sete lições, com elementos para aplicação nas organizações e casos reais. Orienta a construção de uma cultura organizacional favorável à inovação, explica como promover convergência e inspiração e como isso tudo bate no “ponteiro” da inovação.

Organizações que compreenderem e aplicarem para valer as sete lições viverão a desejada transformação de empresa comum para empresa inovadora.

Valter Pieracciani

É empresário, consultor, investidor-anjo e escritor. Foi diretor-geral da ABNT e um dos 13 consultores especialistas do governo Fernando Henrique Cardoso. Em 1992, fundou a Pieracciani Desenvolvimento de Empresas. É autor dos livros “Império da inovação”, “A verdadeira mágica”, “Usina de Inovações” e “Qualidade não é mito e dá certo”.