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GE: fim ou recomeço?

Separação da empresa em três divisões é mais um passo importante de seu plano bem executado de otimização de portfólio, mas não o último. Trata-se de um recomeço.

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Em 9 de novembro, a General Electric anunciou a decisão de dividir seu conglomerado em três empresas autônomas e listadas na Bolsa americana.

O primeiro negócio a ser cindido será o de Healthcare, no início de 2023. A GE matriz terá uma participação de 19,9% nesse novo negócio.

No ano seguinte, será criada uma nova empresa que consistirá nas atuais divisões de energia e renováveis da companhia, assim como a GE Digital. A GE matriz será uma empresa focada em seu negócio de aviação.

A empresa, ao longo de seus 129 anos de história, teve diversas linhas de negócio e sua transformação num dos maiores conglomerados do mundo é considerada um símbolo do sucesso empresarial americano.

Seu declínio é igualmente notório. Entre tentativas mal sucedidas de reestruturação dos negócios, por meio de centenas de movimentos de compra e venda de ativos e levantamentos bilionários de dívida, os maiores beneficiários do declínio da GE foram os bancos de investimento.

O Financial Times estima que, desde 2000, a GE proporcionou a eles o acúmulo de US$ 7,2 bilhões em taxas advindas destes serviços prestados.

Fica claro agora que essa estratégia gerou pouquíssimo valor aos acionistas minoritários, acarretou na perda de vantagem competitiva de diversos segmentos da companhia, depreciou o valor de seus ativos e resultou numa montanha de dívida a custos crescentemente altos.

Conforme escrevemos aqui em outubro, começamos a investir em GE em 2018 com a chegada do atual CEO Larry Culp, que foi convidado para resolver os problemas do conglomerado.

A empresa ainda tinha bons ativos que sofreram pela má gestão nas décadas anteriores, mas que nas mãos certas poderiam retomar sua trajetória de prosperidade e geração de valor.

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Culp, desde então, vem fazendo o que esperávamos: reduziu a carga de dívida em US$ 75 bilhões, cortando também seu custo; melhorou consideravelmente a geração de caixa dos diferentes segmentos; vendeu ativos pouco rentáveis; realinhou divisões problemáticas como GE Power e GE Capital; e fez aquisições importantes para melhor equipar competitivamente suas subsidiárias.

Escrevemos, no mês passado, que Culp estava apenas começando. E de fato está.

Do nosso ponto de vista, essa separação é mais um passo importante de seu plano bem executado de otimização de portfólio, mas não o último. Trata-se de um recomeço.

Três empresas focadas em segmentos rentáveis nos quais a GE tem posições de liderança agora apresentam maior eficiência operacional e possuem ferramentas de gestão que impulsionarão suas atividades para o próximo estágio de crescimento, trazendo maior potencial de geração de valor para seus acionistas.

As três novas companhias, apesar de atuantes em setores distintos e com dinâmicas competitivas próprias, têm modelos semelhantes. Operam por meio da venda de equipamentos – itens de alto valor agregado, específicos, desenvolvidos ao longo de anos de investimento em R&D e que são altamente relevantes para a cadeia dos clientes que os adquirem – e da prestação de serviços.

Esses serviços são vendidos com margens mais altas, prolongam a vida útil dos equipamentos e levam a uma maior retenção de sua base consumidora.

Todas as três divisões ocupam posições de liderança em seus campos de atuação e terão oportunidades de crescimento orgânico e também via M&A. Ambas as formas devem procurar fortalecer as vantagens proporcionadas pelas altas barreiras de entrada e sua escala já adquirida e dificilmente replicada.

A favorita dos analistas

A recém-anunciada nova empresa contendo a GE Healthcare vem se mostrando a favorita dos analistas. É o setor com maior crescimento e mais fragmentado, portanto apresenta vastas possibilidades de consolidação para um player grande como este.

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A oportunidade de expandir sua atuação para além do setor de diagnósticos é a mais facilmente identificada e nossa expectativa é de que a empresa invista em M&A para ampliar sua área de atuação, como fez com a compra da BK Medical em setembro deste ano.

Hoje, a divisão gera em torno de US$ 17 bilhões em receitas anualmente, com 58% proveniente da venda de equipamentos e os 42% restantes vindos da prestação de serviços.

Por outro lado, a GE matriz que consistirá na parte de aviação não deve ser menosprezada. Conta com uma base instalada de 25,5 mil motores de aeronaves militares e quase 38 mil motores de aeronaves comerciais.

Dois terços do total dos voos comerciais do mundo têm participação de pelo menos um equipamento fornecido pela GE Aviation.

É a líder consolidada do mercado e historicamente foi a grande geradora de caixa do conglomerado. Essa divisão gera US$ 22 bilhões de receita e tem aproximadamente 40% dela originada da venda de equipamentos e 60%, da prestação de serviços.

Ao longo do tempo, a GE Aviation pretende alcançar margem operacional entre 15-20% e conversão de free cash flow superior a 90%. Esta terá como CEO o atual comandante da divisão e ex-líder da Embraer Commercial Aviation, John Slattery.

Culp ocupará o posto de chairman da nova companhia e, durante o anúncio da cisão, parece ter esclarecido a hierarquia interna: “I’ll lead the GE Aviation-focused company going forward”.

A futura companhia de energia terá como driver principal a transição energética em curso e contará com inovação tecnológica para acompanhar a demanda por máquinas e equipamentos que combinem o avanço da eficiência com a redução de emissão de poluentes.

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A divisão vem sofrendo com baixa demanda e com graves erros de planejamento estratégico que afetaram a alocação de capital, falharam em prever mudanças-chave na dinâmica do setor e impactaram a eficiência operacional do negócio. Essa nova empresa será a mais desafiadora de gerir.

Sabíamos que a retomada da credibilidade da GE não seria trivial e reconhecemos que não é uma tarefa simples se ver livre dos assombros da GE pós-Jack Welch.

Sabemos, ainda, que o maior risco de um movimento dessa magnitude é execução.

Dado o histórico de Culp no comando da Danaher e à frente da GE, permanecemos otimistas em relação ao próximo capítulo desta história. Reconhecemos a enormidade do desafio que lhe foi proposto em 2018.

Se tivéssemos de resumir nossa visão acerca desse split, pegaríamos emprestada a frase de Victor Hugo: “You cannot resist an idea whose time has come”.

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