Fim dos silos: lideranças precisam sair do próprio setor para inovar

A era da especialização isolada dá lugar a uma nova lógica, onde ampliar o olhar é essencial para liderar e gerar valor

Giovana Pacini

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Quantos artigos você já leu sobre as tendências do SXSW este ano? Nos últimos tempos, uma crítica recorrente tem ganhado espaço: a de que grandes eventos globais estariam se tornando vítimas do próprio sucesso. Inflados, excessivamente populares e, para alguns, mais próximos de uma “rota de luxo” do que de um ambiente real de geração de valor.

Na prática, o movimento que observo é o oposto. O crescimento da audiência nesses encontros não acontece por acaso. Ele reflete uma necessidade cada vez mais urgente das lideranças: sair das próprias bolhas e voltar a enxergar o mundo como ele de fato é. Cada vez mais complexo, interconectado e em constante transformação.

Por muito tempo, desenvolver-se como liderança significava aprofundar-se no próprio mercado, conhecer concorrentes, acompanhar tendências específicas da indústria e dialogar com os mesmos pares. Esse modelo funcionou por décadas, mas deixou de ser suficiente em um mundo imediatista, pressionado por novas tecnologias que nascem a todo momento e por mudanças de comportamento que atravessam fronteiras setoriais e culturais. 

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Hoje, a inovação real raramente nasce dentro dos limites de um único setor. Ela acontece nas interseções, onde diferentes repertórios se encontram, se tensionam e, muitas vezes, se transformam. É justamente por isso que eventos que promovem a convergência de indústrias vêm ganhando tanta relevância globalmente.

O SXSW, em Austin, talvez seja o exemplo mais emblemático desse movimento. O que começou como um festival de música tornou-se uma plataforma em que tecnologia, saúde, entretenimento, comportamento, bem-estar e negócios coexistem e se influenciam mutuamente. E não é um fenômeno isolado.

No Brasil, vemos o mesmo avanço em iniciativas como o Rio Innovation Week e o São Paulo Innovation Week, que consolidam espaços onde diferentes setores se encontram para discutir temas que atravessam toda a sociedade. Longevidade, inteligência artificial, sustentabilidade e novas formas de consumo são alguns dos temas que atravessam os setores e nos fazem olhar para o consumidor real e não o inventado em uma apresentação SWOT. 

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Quando ampliamos o repertório e passamos a ouvir vozes de diferentes indústrias, algo muda.

Um insight da tecnologia pode redefinir a forma como pensamos saúde. Uma tendência do entretenimento pode transformar estratégias de engajamento em mercados altamente regulados. Um debate sobre comportamento pode alterar completamente a forma como construímos valor para o consumidor.

Mas essa transformação não acontece apenas nos palcos. Há um aspecto desses eventos que ainda é subestimado: a experiência de estar em ambientes criativos. Estar cercado por pessoas de diferentes formações, culturas e perspectivas. Participar de conversas informais. Observar ativações, dinâmicas e novas formas de interação.

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Tudo isso expande o olhar de forma muito mais profunda do que qualquer apresentação isolada.

E, naturalmente, escrever sobre esses encontros acaba sendo relevante. Levar essas reflexões para quem ainda não teve contato com esses ambientes e, principalmente, para quem está entrando no mercado e formando seu repertório. Ajuda a ampliar o alcance dessas conversas, tornando-as mais diversas, críticas e relevantes.

Mas é importante lembrar: não precisamos de mais resumos do que já foi dito. Precisamos de novas interpretações sobre o que ainda não foi suficientemente compreendido e é isso que esperam de um verdadeiro lider. 

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Giovana Pacini

Giovana Pacini é Country Manager da Merz Aesthetics®️ Brasil desde 2020. Com mais de 20 anos de experiência na indústria farmacêutica, reconhecida por sua liderança humanizada e orientada para resultados, Giovana promove uma cultura de equidade de gênero e foca na entrega de resultados sustentáveis.