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O ano de 2026 tende a ser decisivo para o comércio global. Mudanças políticas, reconfigurações industriais e a disputa estratégica entre Estados Unidos e China devem manter o ambiente internacional marcado por competição tecnológica e realinhamentos diplomáticos. Empresários brasileiros acompanham o cenário com cautela, mas com pragmatismo: períodos de incerteza também abrem oportunidades.
Para o Brasil, dois vetores serão centrais: o relacionamento com a China – principal parceiro comercial, responsável por 28% das exportações e 41,4% do superávit – e o diálogo com os Estados Unidos, potência decisiva em finanças, tecnologia e influência regional. A capacidade de equilibrar esses polos definirá ganhos em investimentos, exportações e inovação.
A expectativa é de que a China mantenha, em 2026, sua estratégia de expansão global focada em logística, energia, tecnologia e segurança alimentar. O Brasil segue prioritário, com demanda crescente por soja, milho, carnes, minério e celulose, além do avanço em renováveis, equipamentos solares, infraestrutura e veículos elétricos. Em 2024, o país recebeu US$ 4,18 bilhões (R$ 22 bilhões) em investimentos chineses; entre 2007 e 2024, foram 303 projetos, somando US$ 77,5 bilhões (R$ 419 bilhões). No mesmo ano, o estoque de investimento direto no Brasil atingiu US$ 1,141 trilhão (R$ 6,15 trilhões), sendo os EUA o maior investidor no capital social de empresas (US$ 244,7 bilhões ; R$ 1,32 trilhões).
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A balança comercial confirma o peso estrutural de ambos. Em 2024, o superávit brasileiro foi de US$ 98,8 bilhões (R$ 532,5 bilhões). A China respondeu por exportações de US$ 105,9 bilhões (R$ 570,8 bilhões) e superávit de US$ 52,8 bilhões (R$ 284,6 bilhões). Já com os EUA, o Brasil registrou déficit de US$ 8,9 bilhões (R$ 48 bilhões).
Empresas brasileiras de agronegócio, energia e logística devem se beneficiar do movimento chinês de diversificação de fornecedores e da expansão de fábricas no Brasil, especialmente no Nordeste e no Sudeste. Para 2026, projeta-se uma relação mais técnica com Pequim, dependente de segurança jurídica e previsibilidade regulatória.
Do lado norte-americano, continua o processo de reindustrialização impulsionado por incentivos públicos e políticas tecnológicas. Isso cria tensões, mas também abre oportunidades em energia limpa, minerais estratégicos e manufatura avançada. Ao mesmo tempo, os EUA devem intensificar padrões ambientais, de rastreabilidade e de tecnologia, exigindo adaptação das empresas brasileiras.
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A disputa entre EUA e China seguirá como o maior fator de incerteza global. Washington tenta limitar o avanço tecnológico chinês e influenciar governos latino-americanos; Pequim amplia financiamentos, acordos comerciais e presença estratégica na região. Para o Brasil, o desafio é extrair benefícios dos dois lados sem se alinhar automaticamente.
Há, porém, consenso sobre uma janela de oportunidade: enquanto as potências competem, o Brasil se fortalece como fornecedor confiável de alimentos, energia limpa e recursos estratégicos, além de destino de investimentos industriais. A palavra de ordem é pragmatismo: 2026 exigirá ajustes rápidos, pressão por eficiência e diplomacia econômica inteligente.
Para avançar, o país precisa reforçar instituições, ampliar a segurança jurídica e facilitar a inovação. Em um mundo polarizado entre Washington e Pequim, a competitividade brasileira dependerá menos de escolher um lado e mais de saber circular entre ambos. O recado é simples: o Brasil tem chance real de crescer enquanto os gigantes disputam espaço, desde que decida participar ativamente do jogo.