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Se tem uma coisa que o skate me ensinou ao longo dos anos é que talento, sozinho, não sustenta uma carreira.
É preciso disciplina para continuar quando ninguém está olhando, dedicação para evoluir mesmo depois de alcançar grandes resultados e coragem para tomar decisões quando o caminho ainda não está claro.
Hoje, vejo que esses mesmos princípios que me fizeram evoluir como atleta são também os que orientam a forma como penso negócios.
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Quando comecei no skate, minha preocupação era simples: andar melhor do que no dia anterior. Eu não pensava em títulos, medalhas ou em transformar aquela paixão em profissão. Com o tempo, porém, entendi que construir uma carreira significa muito mais do que executar bem aquilo que fazemos.
É preciso aprender a enxergar oportunidades, entender o próprio valor, construir relacionamentos e tomar decisões que façam sentido para o futuro, e não apenas para o momento presente.
Foi assim que passei a enxergar o empreendedorismo. Para mim, empreender não significa simplesmente transformar aquilo que você ama em uma fonte de renda.
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Significa entender como essa paixão pode gerar valor, desenvolver soluções, criar conexões e se transformar em algo sustentável. E sustentabilidade, nesse caso, não é apenas financeira. É também construir algo que tenha coerência com quem você é e com o impacto que deseja deixar.
A mentalidade de atleta tem um papel importante nesse processo. No esporte, aprendemos que resultado é consequência de consistência. Não existe uma única sessão de treino capaz de construir uma carreira.
É a repetição, o compromisso e a capacidade de aprender com os erros que fazem a diferença ao longo do tempo. Nos negócios, vejo da mesma forma: uma boa ideia precisa de execução, planejamento e disposição para ajustar a rota quando necessário.
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Assumir riscos faz parte tanto do esporte quanto do empreendedorismo. Isso não significa agir por impulso, mas ter disposição para sair da zona de conforto quando existe uma oportunidade de construir algo novo.
Foi essa lógica que me levou, por exemplo, a investir meu próprio patrimônio para participar da nova fase da X Games League, campeonato que me trouxe muitas conquistas e ótimas recordações e no qual, após 20 anos da minha estreia no skate, dei um passo fundamental ao me tornar atleta-fundadora e sócia da liga.
Ao olhar para a história da X Games League e saber que ajudei a desenhar o seu novo capítulo, vejo que entre as maiores conquistas da minha carreira estão as quebras de tabus e as medalhas, das quais me orgulho muito.
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Mas tem algo ainda maior: saber que a menina que começou desbravando o skate há vinte anos agora ajuda a decidir o futuro das próximas gerações, mostrando que nós, mulheres, podemos estar nas pistas para competir e nas salas de reunião para definir as regras do jogo e dos negócios.