Copa é sucesso nos EUA, mas será o suficiente para popularizar futebol?

Audiência na TV e bares lotados provam que evento teve destaque, mas a dúvida é se a paixão é passageira ou se veio para ficar

Danilo Lavieri

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Futebol — Copa do Mundo da Fifa de 2026 — Segunda fase — Estados Unidos x Bósnia e Herzegovina — San Francisco Bay Area Stadium, Santa Clara, Califórnia, EUA — 1º de julho de 2026. O árbitro Raphael Claus, os assistentes Danilo Manis e Rodrigo Figueiredo e o quarto árbitro Dario Herrera entram em campo antes da partida. IMAGN IMAGES via Reuters/Darren Yamashita
Futebol — Copa do Mundo da Fifa de 2026 — Segunda fase — Estados Unidos x Bósnia e Herzegovina — San Francisco Bay Area Stadium, Santa Clara, Califórnia, EUA — 1º de julho de 2026. O árbitro Raphael Claus, os assistentes Danilo Manis e Rodrigo Figueiredo e o quarto árbitro Dario Herrera entram em campo antes da partida. IMAGN IMAGES via Reuters/Darren Yamashita

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Antes da bola rolar, havia uma dúvida recorrente sobre o tamanho do interesse dos americanos pela Copa do Mundo. Ela terminou para os donos da casa após a eliminação nas oitavas de final contra a Bélgica deixando uma resposta importante: o torneio foi, sim, um sucesso de audiência e mobilização nos Estados Unidos. A questão que fica agora é outra, talvez até mais difícil de responder. Isso será suficiente para transformar o futebol em um esporte realmente popular no país?

Os números ajudam a mostrar a dimensão do evento. A transmissão da Fox ultrapassou a marca de 30 milhões de telespectadores ao longo da competição, número que ainda cresce quando se somam os dados da Telemundo, responsável pelas partidas em espanhol. São índices comparáveis aos de grandes eventos da NFL e da NBA, modalidades que historicamente ocupam um espaço muito maior na cultura esportiva americana.

Mas o que mais chamou a atenção não apareceu nas planilhas de audiência.

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Durante o período em que acompanhei a seleção brasileira em Morristown, em Nova Jersey, vi bares lotados em praticamente todos os jogos importantes. As ruas ganhavam vida a cada gol, buzinas apareciam, torcedores vestiam camisas dos EUA e era impossível ignorar que a Copa havia tomado conta da rotina da cidade. A forma de celebrar é diferente da brasileira, sem churrascos que atravessam o dia inteiro ou grandes concentrações nas ruas, mas a atmosfera era de um grande evento nacional.

O desafio começa justamente quando esse clima passa.

A Copa do Mundo é um produto consolidado e capaz de mobilizar até quem normalmente não acompanha futebol. O grande teste será descobrir qual é o legado que ela deixa nos Estados Unidos e como esse entusiasmo poderá ser mantido nos próximos anos.

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A principal beneficiada, em tese, deveria ser a MLS. A liga local terá a missão de transformar espectadores ocasionais em torcedores frequentes. Não será uma tarefa simples.

Boa parte dos principais jogadores da seleção americana atua na Europa, distante do público que lotou bares e acompanhou os jogos pela televisão. A identificação com os ídolos nacionais não necessariamente se traduz em interesse pelo campeonato doméstico, e essa é uma barreira que a MLS ainda tenta superar.

Também será interessante acompanhar o comportamento das novas gerações, especialmente dos americanos filhos de imigrantes. A Copa mostrou uma mistura de culturas nas arquibancadas e nas ruas, com torcedores divididos entre o país onde nasceram e as origens de suas famílias. Esse público pode representar uma ponte importante para consolidar o futebol como parte da identidade esportiva americana.

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A Copa provou que existe mercado, audiência e curiosidade. O que ainda não se sabe é se a paixão despertada neste mês era pelo futebol ou apenas pela seleção dos Estados Unidos em um grande evento disputado em casa.

A resposta para essa pergunta pode definir o futuro do esporte no país muito mais do que qualquer recorde de audiência.

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Danilo Lavieri

Danilo Lavieri é jornalista experiente em cobertura de esportes, especialmente em bastidores e negócios do mundo do futebol. Atualmente, é colunista do UOL e comentarista do Canal UOL, com passagens por Abril, iG e Máquina do Esporte, com direito a coberturas de três Copas e outras importantes competições de futebol de clubes e seleções.