Conhecer para comunicar e investir onde importa

Expedição Amazônia reafirma o compromisso da Aberje com uma comunicação que vai além dos limites operacionais

Hamilton dos Santos

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Em tempos de restrições orçamentárias, em que áreas estratégicas como comunicação e sustentabilidade disputam recursos escassos dentro das organizações, a Expedição Amazônia reafirma o compromisso da Aberje com uma comunicação que vai além dos limites operacionais. Em sua terceira edição, a iniciativa aposta na imersão territorial como ferramenta de formação crítica, conectando profissionais diretamente às complexidades socioambientais da floresta. Mais do que visitar a Amazônia, trata-se de aprender com ela, para que o ato de comunicar se fundamente em conhecimento situado, escuta ativa e responsabilidade narrativa. O lema Conhecer para comunicar expressa não apenas uma diretriz pedagógica, mas uma estratégia concreta diante de distâncias continentais, tempo de pesquisa e aprofundamento reduzidos, além da dificuldade de quebrar estereótipos.

Trata-se de uma das primeiras iniciativas voltadas especificamente à capacitação de comunicadores oriundos de outras regiões do país na Amazônia, no contexto do calendário político que antecede a COP30, que será realizada em Belém do Pará. Em um momento em que os olhos do mundo se voltam para a floresta e seus habitantes, a Aberje antecipa uma agenda de preparação simbólica e institucional. Conecta esses profissionais a uma rede vibrante de comunicadores amazônidas já existente, e mostra que a comunicação corporativa precisa estar pronta não apenas para cobrir, participar e assistir a COP, mas para contribuir ativamente para que seus compromissos sejam compreendidos, acompanhados e cobrados.

O objetivo da expedição é claro: fortalecer a capacidade dos profissionais de comunicação de atuar sobre temas complexos e cruciais como a sustentabilidade, a justiça climática e o papel estratégico da Amazônia no futuro do país e do planeta. Mesmo sendo reconhecidos como estratégicos, esses temas enfrentam dificuldades no ambiente corporativo.

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A equação não é trivial. Como discutido pela Aberje em sua Análise Econômica, a comunicação corporativa brasileira atravessa uma situação paradoxal: papel estratégico crescente, escopo ampliado de responsabilidades e equipes enxutas. A resposta das organizações tem sido a terceirização intensiva e a adoção de tecnologias que permitem “fazer mais com menos”, mas que também colocam em risco a singularidade simbólica da comunicação, sobretudo em temas sensíveis como meio ambiente e diversidade.

Nesse contexto, cresce a importância de iniciativas como a Expedição Amazônia. Ao oferecer repertório, experiência direta e contato com fontes locais, ela contribui não apenas para ampliar o engajamento dos comunicadores com os temas da sustentabilidade, mas também para qualificar o uso dos recursos disponíveis. Conhecer ajuda a comunicar melhor, e comunicar melhor, nesse caso, é também otimizar investimentos, evitar riscos, integrar áreas e alinhar discurso e prática.

A própria Carta da Aberje para Comunicadores por ocasião da COP30 reforça esse ponto: a comunicação deve ser clara, acessível, embasada em evidências e orientada para a ação. Isso só é possível quando há uma mediação competente entre os desafios globais da agenda climática e as realidades locais das populações amazônicas – e essa mediação exige preparo, repertório e presença.

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Em um cenário marcado por incertezas, disputas narrativas e dificuldades orçamentárias, a comunicação segue sendo um dos vetores capazes de promover transformação real. A Expedição Amazônia mostra que é possível ativar esse potencial mesmo em tempos adversos — ou, talvez, justamente por causa deles. Ao aproximar os comunicadores dos territórios, das populações e das urgências ambientais, ela reforça o papel da comunicação como ponte entre conhecimento e ação, entre discurso e prática. Não se trata apenas de informar, mas de construir vínculos, ampliar repertórios e gerar sentido coletivo em torno de causas que definem o nosso futuro comum.

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Hamilton dos Santos

Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje. Jornalista, mestre e doutor em Filosofia pela USP, com atualização em Gestão de Negócios pela Stanford Global Business School. Atuou em redações de grandes veículos do país e no RH da Editora Abril, onde atuou por 20 anos. Hoje é Diretor-Executivo da Aberje, membro do board da Global Alliance for PR and Communication Management e Country Chair da Page para o Brasil. É membro do Conselho de Administração do Pacto pelo Esporte e da Poiésis e um dos líderes do movimento Tem Mais Gente Lendo.